Ao divulgar a balança comercial referente ao mês de fevereiro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços fez um alerta sobre os impactos da conflitos em curso no Oriente Médio.
O conflito entre os Estados Unidos e Israel e o Irã pode afetar o embarque de commodities alimentícias para uma região que é um dos principais importadores de produtos agrícolas brasileiros, especialmente carne de aves e bovina, milho, soja e açúcar, conforme dados do Mdic.
Ao examinar os dados do comércio exterior brasileiro divulgados na última quinta-feira (5), é possível compreender a relevância do Oriente Médio e do Irã para os produtores e setores específicos do Brasil. A seguir, são apresentados seis gráficos que ilustram a relação comercial brasileira com a região.
A relação comercial do Brasil com o Oriente Médio
O Brasil exporta para a região, principalmente, produtos da agricultura e da indústria de transformação. Os três principais itens comercializados são as carnes de aves, açúcares e melaços, e milho, que figuram nas principais vendas brasileiras destinadas ao Oriente Médio.
Outros produtos que aparecem nas transações com a região incluem minério de ferro, soja, ouro, óleos brutos de petróleo e café.
De acordo com informações do Ministério, o Oriente Médio representa cerca de 4,2% das exportações totais do Brasil, porém é considerado o principal destino para commodities significativas do país.
Em relação aos dados de 2025, os embarques de milho para a região corresponderam a 32% do total enviado ao mundo. Para a carne de aves, esse percentual foi de 30%. As exportações de açúcar e carne bovina para o Oriente Médio representaram 17% e 7%, respectivamente, do total exportado.
Apesar de potenciais impactos, é importante ressaltar que esses efeitos podem ser momentâneos, dada a baixa elasticidade na demanda por produtos de consumo essencial.
Outra preocupação gerada com o fechamento do Estreito de Ormuz é um possível choque no fornecimento de petróleo e combustíveis, que pode afetar não apenas o Brasil, mas o mercado global como um todo.
Embora o Brasil seja um grande produtor de petróleo, ainda assim realiza a importação de uma parte dessa commodity. No contexto das importações brasileiras do Oriente Médio, os óleos combustíveis, provenientes de petróleo ou de minerais betuminosos, destacam-se como a principal compra, representando 43,5% do total importado da região.
No âmbito das relações comerciais entre o Brasil e o Oriente Médio, o Irã se destaca como um parceiro relevante, fechando 2025 na posição de terceiro maior parceiro comercial na região, posição que se mantém entre janeiro e fevereiro deste ano.
A relação do Brasil com o Irã
A pauta comercial entre o Brasil e o Irã não ocupa um dos maiores espaços. Até o momento, neste ano, o Irã é considerado o 28º parceiro comercial em exportações e o 72º em importações, conforme os dados do Mdic.
Em 2025, o Irã se destacou como o maior importador de milho do Brasil, respondendo por 23,1% das vendas brasileiras ao exterior.
Até agora, entre janeiro e fevereiro, o Irã ocupa a segunda posição, com 24,1% das compras, logo atrás do Vietnã, que é responsável por 24,3% das importações do grão.
Entretanto, a guerra no Oriente Médio não deve trazer impactos significativos às exportações de milho, uma vez que as vendas deste produto pelo Brasil tendem a ocorrer em maior volume a partir do mês de maio.
Além do milho, o Irã também consome, em escala, soja e açúcares, assim como melaços provenientes do Brasil.
Por outro lado, o principal produto que o Irã exporta para o Brasil é um insumo essencial para o agronegócio. Em 2025, segundo o Mdic, o Brasil importou US$ 66,8 milhões em fertilizantes oriundos do Irã.
Somente entre os meses de janeiro e fevereiro, o Brasil contabilizou importações de R$ 21,6 milhões em fertilizantes provenientes do Irã, um aumento considerável de 9.720,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Esse total representa 1,2% de todo o grupo de “adubos ou fertilizantes químicos (exceto fertilizantes brutos)” adquiridos pelo Brasil neste ano, embora especialistas alertem que o impacto sobre a economia deve ser acompanhado de perto.
De modo geral, os fertilizantes são a terceira importação mais significativa do Brasil neste ano, de acordo com os números do Ministério. O fluxo comercial nessa região influencia diretamente a produção e a logística global de fertilizantes, sendo que isso pode impactar os preços dos insumos no país.
A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, observa que “a alta dos preços internacionais dos fertilizantes traria efeitos importantes sobre a agropecuária brasileira, que depende fortemente das importações desse produto. O aumento no custo dos insumos elevaria os custos de produção no campo, impactando posteriormente os preços dos alimentos, tanto in natura quanto industrializados”.
De todo o que o Brasil importa do Irã, os fertilizantes representam 90,4% das compras realizadas.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

