Desempenho do Dólar na Véspera da ‘Super Quarta’
Na véspera da ‘Super Quarta’, o dólar apresentou uma queda significativa, refletindo possíveis intervenções cambiais, fluxo de capitais estrangeiros, valorização das commodities, além da prévia de inflação no Brasil.
Nesta terça-feira, 27 de setembro, o dólar à vista (USDBRL) fechou a sessão cotado a R$ 5,2067, registrando uma diminuição de 1,38% e alcançando o menor patamar desde maio de 2024.
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Fatores que Influenciaram a Quotação do Dólar
O dólar continuou a perder valor em relação às principais moedas globais, impulsionado por incertezas geopolíticas e fatores internos.
O mercado também aguardava o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, embora sem horário definido, deveria abordar aspectos relacionados ao desempenho econômico e ao conceito de “acessibilidade de custos” (affordability), conforme comunicado da secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Outro aspecto que chamou a atenção foi a possibilidade de uma nova paralisação do governo dos Estados Unidos, com a plataforma Polymarket indicando 79% de chance de um novo shutdown a partir do próximo sábado, uma leve redução em relação aos 81% registrados na véspera. Vale ressaltar que, no ano passado, o país passou pela maior paralisação de sua história, que durou 43 dias e ocasionou atrasos na divulgação de dados econômicos.
A moeda americana também enfrentou pressão devido à valorização acentuada do iene japonês, impulsionada pela crescente especulação sobre uma possível intervenção cambial por parte do Japão. Na data de hoje, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, declarou que o governo tomará medidas apropriadas em resposta ao câmbio, se necessário. Em resposta a indagações sobre a realização de verificações de taxas, Katayama optou por não comentar e enfatizou que o governo continuaria a trabalhar em coordenação com autoridades dos Estados Unidos.
Expectativas para a ‘Super Quarta’
O mercado também se posicionou à espera do evento denominado ‘Super Quarta’, um dia que será marcado por importantes decisões de política monetária tanto nos EUA quanto no Brasil.
Externamente, as expectativas recaem sobre o Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed), que provavelmente manterá os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
No Brasil, as expectativas são semelhantes em relação ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que deve deixar a taxa Selic inalterada em 15% ao ano. No entanto, há a expectativa de que possa haver um sinal sobre um eventual afrouxamento monetário em março.
Valorização do Real
No território brasileiro, o real ganhou força, impulsionado pela prévia da inflação que ficou abaixo do esperado, além da expectativa de manutenção da Selic na reunião programada para amanhã, 28 de setembro.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), considerado um termômetro importante para as expectativas em relação à política monetária, avançou 0,20% em setembro, conforme divulgado pelo IBGE. A expectativa anterior era de um aumento de 0,23%.
Em termos acumulados nos últimos 12 meses, o IPCA-15 apresentou uma alta de 4,50%, ligeiramente abaixo da previsão de 4,52%. O resultado deste mês representou a segunda menor taxa de inflação para setembro, superando apenas os 0,11% registrados em setembro de 2025.
De acordo com o Itaú BBA, apesar de o IPCA-15 ter superado qualitativamente as expectativas, os itens mais sensíveis ao custo da mão de obra apresentaram aceleração, refletindo a resiliência observada no mercado de trabalho.
Para o economista Alexandre Maluf, da XP, a divulgação do IPCA-15 trouxe algumas surpresas, entre elas a queda nos emplacamentos e licenciamentos de veículos, que foi impactada por um desconto de 50% aplicado em Paraná, bem como fenômenos associados à alimentação e à energia elétrica residencial.
Maluf comentou que, sob a ótica da política monetária, o resultado não representa uma mudança significativa de direção, mas reafirma a cautela que o Copom vem adotando nas últimas sessões.
A valorização das commodities também contribuiu de forma positiva para a apreciação do real. O contrato futuro do petróleo Brent, versão de referência para o mercado global, para o mês de março fechou com um aumento de 2,81%, alcançando o valor de US$ 66,59 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
De uma maneira geral, países emergentes e exportadores de commodities, como o Brasil, costumam se beneficiar com a alta nos preços das commodities no mercado internacional.
Fonte: www.moneytimes.com.br

