Dólar à Vista Tem Desvalorização Frente ao Real
O dólar à vista registrou uma diminuição de valor em relação ao real, influenciado por dados do mercado de emprego nos Estados Unidos, que acentuaram as expectativas de manutenção de juros elevados por um período prolongado. Além disso, houve um clima de otimismo entre os investidores a respeito de possíveis avanços nas negociações de paz relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
Cotação do Dólar
Nesta sexta-feira (7), o dólar à vista (USDBRL) finalizou as negociações cotado a R$ 4,8939, apresentando uma queda de 0,60%, a menor cotação registrada desde 15 de janeiro de 2024.
Esse movimento se alinhou com o desempenho do dólar no mercado internacional. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, incluindo euro e libra, operava em baixa de 0,16%, marcado em 97,910 pontos.
Acumulação Semanal e Expectativas de Mercado
Na semana, o dólar acumulou uma desvalorização de 1,19% em relação ao real.
O mercado cambial continuou monitorando a situação geopolítica, antecipando algum progresso nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã.
Desenvolvimentos Geopolíticos
Na noite anterior (7), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou a jornalistas que as tratativas com Teerã seguem em andamento, mesmo após novas trocas de ataques entre as duas nações.
Na manhã seguinte, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington esperava uma resposta do Irã ainda na sexta-feira. Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que Teerã está avaliando uma possível resposta aos Estados Unidos.
“Está em análise e será dada no momento apropriado”, comentou, conforme informações da agência estatal ISNA. “Estamos executando nosso trabalho e não nos preocupamos com prazos ou ultimatos”, acrescentou.
Dados do Mercado de Trabalho dos EUA
Além das questões geopolíticas, os investidores reagiram a dados relacionados ao mercado de trabalho dos Estados Unidos. O payroll, que é o relatório oficial de emprego e serve de referência para o Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano), apresentou a criação de 115 mil novas vagas em abril, superando as expectativas do mercado.
Embora tenha mostrado uma desaceleração em relação aos meses anteriores, o payroll reforçou a percepção de que o mercado de trabalho americano continua resiliente. Essa situação tende a restringir as possibilidades de cortes nos juros no curto prazo.
A taxa de desemprego manteve-se estável em 4,3%, e os salários médios por hora registraram um crescimento de 0,2% no decorrer do mês, com um aumento de 3,6% em um período de doze meses.
De acordo com a análise da C6, a combinação de um mercado de trabalho robusto, uma inflação ainda elevada e riscos geopolíticos significa que as chances de uma redução nas taxas de juros nos próximos meses são significativamente baixas.
Em consonância, a Nomad observou que, apesar do payroll apresentar resultados acima do esperado, o mercado interpretou esse dado como “suficientemente equilibrado” para não provocar alterações relevantes na trajetória de juros estabelecida pelo Fed.
Perspectivas para as Taxas de Juros nos EUA
Após a divulgação das informações, o mercado ajustou suas expectativas para uma manutenção de juros elevados por um período prolongado. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders não visualizam espaço para qualquer corte nas taxas de juros por parte do Fed até o final de 2027. Atualmente, as taxas de juros nos Estados Unidos são variáveis entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Pressão do Petróleo Sobre o Dólar
No contexto brasileiro, os preços do petróleo continuaram a exercer pressão sobre o dólar em relação ao real. Sendo o Brasil um país exportador, a moeda nacional tende a valorizar-se em virtude do aumento dos preços das commodities. O petróleo Brent, por exemplo, fechou as negociações com um aumento de 1,23%, cotado a US$ 101,29 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
“A combinação de um dólar mais fraco globalmente, diferenças nas taxas de juros, fluxo de investimentos para mercados emergentes e uma melhoria nas condições de troca, favorecida pelo preço do petróleo acima de US$ 100 o barril, sustentou a valorização do real”, declarou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Fonte: www.moneytimes.com.br


