Dólar sobe com tensões no Oriente Médio
Após duas sessões de queda, o dólar retomou seu fôlego em decorrência do aumento das tensões no Oriente Médio. Os dados de inflação dos Estados Unidos e a situação eleitoral no Brasil ficaram em segundo plano nesta quarta-feira (11).
O dólar à vista (USDBRL) fechou a sessão cotado a R$ 5,1593, com uma leve alta de 0,03%.
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O movimento da moeda nacional acompanhou o desempenho do dólar no mercado internacional. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, como o euro e a libra, estava em alta de 0,38%, alcançando 99.210 pontos.
Fatores que influenciaram o dólar
A escalada do conflito no Irã ganhou novos contornos com ataques iranianos a três navios durante a madrugada desta quarta-feira (11), no Golfo Pérsico.
O comando militar do Irã alertou que é preciso se preparar para o preço do petróleo atingir US$ 200 por barril. “Prepare-se para que o petróleo chegue a US$ 200 o barril, já que o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, afirmou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar iraniano, dirigindo-se especificamente aos Estados Unidos.
Até o momento, não há indícios de uma trégua em terra, tampouco qualquer garantia de que os navios podem navegar com segurança pelo Estreito de Ormuz, que normalmente representa o escoamento de 20% do petróleo mundial em períodos de normalidade geopolítica. Esta é considerada a mais grave interrupção do fornecimento de energia desde os choques do petróleo da década de 1970.
Em contrapartida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou que “praticamente não há mais nada” para atacar no Irã e que a guerra naquele país terminará “em breve”. Em uma entrevista ao site Axios, Trump declarou: “Pequenas coisas aqui e ali. Quando eu quiser que isso acabe, vai acabar”.
Dados de inflação nos EUA
Enquanto isso, novos dados sobre a inflação norte-americana foram acompanhados de perto pelos investidores. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% no mês de fevereiro, conforme informações do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. No período de 12 meses, o CPI acumulou uma alta de 2,4%.
Embora esse dado não seja o principal indicador inflacionário do Federal Reserve (Fed), o CPI contribui para que o mercado ajuste suas expectativas em relação à trajetória dos juros nos Estados Unidos. Após a divulgação dos números, os traders postergaram a expectativa de que o Fed reinicie o ciclo de cortes nas taxas de juros, transferindo essa projeção de julho para setembro.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, aponta que existe uma probabilidade de 99,4% de que o Banco Central mantenha os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano em sua próxima decisão de política monetária, que ocorrerá na semana seguinte.
“O mercado está ajustando as expectativas em relação à política monetária americana, com os operadores passando a precificar cerca de 30 pontos-base de cortes até o final do ano, como consequências das preocupações com a inflação em meio à alta dos preços do petróleo”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Fluxo cambial e cenário eleitoral
De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, o Brasil registrou um fluxo cambial total negativo de US$ 3,897 bilhões no mês de março até o dia 6, o que coincide com a primeira semana dos conflitos no Irã.
Além disso, o cenário eleitoral brasileiro também influenciou o mercado de câmbio. Pesquisas de intenção de votos indicam um empate técnico entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: www.moneytimes.com.br

