O cenário do dólar
O dólar continuou a sua trajetória de negociação com foco nas questões relacionadas ao cenário eleitoral e na expectativa das últimas decisões sobre a política monetária, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, para o ano de 2025.
No dia 9 de setembro, o dólar à vista (USDBRL) fechou a sessão cotado a R$ 5,4359, apresentando uma alta de 0,28%. Durante o período da sessão, a moeda americana chegou a se aproximar de R$ 5,50 no mercado à vista.
Análise do índice DXY
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O movimento do dólar acompanhou uma tendência observada no mercado externo. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, incluindo euro e libra, subia 0,13%, alcançando 99.214 pontos.
Fatores que influenciaram o dólar
A expectativa em relação às decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil gerou movimentação no mercado cambial neste 9 de setembro. Este foi o primeiro dia das reuniões do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), nos EUA, e do Comitê de Política Monetária (Copom) brasileiro.
Nos Estados Unidos, a maioria dos investidores aguarda que o Fomc do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) opte pela redução da taxa de juros pela terceira reunião seguida, embora essa decisão não seja unânime entre os membros do comitê.
Próximo ao fechamento do mercado, a ferramenta FedWatch, desenvolvida pelo CME Group, indicava 89,4% de probabilidade de que o BC norte-americano reduzisse os juros em 0,25 ponto percentual, estabelecendo a nova faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Em comparação, a probabilidade de redução divulgada no dia anterior, 8 de setembro, era de 86,2%. A chance de manutenção da taxa de juros caiu de 13,8% para 10,6% nesse dia.
Expectativa em relação ao Copom
Em relação ao Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deverá manter a taxa Selic em 15% ao ano. Contudo, o mercado aguarda alguma indicação sobre o início de um possível ciclo de afrouxamento monetário para o primeiro trimestre de 2026, em decorrência de dados econômicos mais fracos divulgados na semana anterior.
Segundo a avaliação do Bank of America (BofA), é provável que os membros do BC sinalizem um corte na taxa de juros já em janeiro. O banco antecipa uma redução de 0,5 ponto percentual a ser efetivada na primeira reunião de política monetária do ano de 2026, dando continuidade a um ciclo de flexibilização ao longo do ano, com a Selic apresentando uma taxa final de 11,25% em dezembro.
Cenário eleitoral
Além das questões econômicas, a cena eleitoral continua a atrair a atenção do mercado. Na data anterior, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que sua candidatura à Presidência é “irreversível”, em entrevista à Folha de S. Paulo. Esta afirmação foi reafirmada na manhã do dia 9 de setembro.
Essas novas declarações revelam um recuo na sugestão anterior de que ele poderia desistir da pré-candidatura ao Planalto em troca de apoio político para a anistia de indivíduos envolvidos nos eventos de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Adicionalmente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que na maioria das avaliações de mercado era considerado o candidato mais provável da direita até a semana anterior, reafirmou sua “lealdade” ao ex-presidente e declarou que apoiará Flávio na corrida presidencial.
A avaliação do mercado sugere que a pré-candidatura de Flávio pode criar divisões dentro da direita e prejudicar potenciais alianças entre partidos de direita e de centro para as próximas eleições. Com isso, a principal preocupação entre investidores e analistas gira em torno da possibilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Tramitação do projeto de lei
Na parte da tarde, o mercado estava atento ao andamento do projeto de lei (PL) da Dosimetria, que beneficiaria o ex-presidente e demais condenados relacionados aos eventos golpistas e atos de 8 de janeiro de 2023. De acordo com o relator, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), o PL tem o potencial de reduzir a sentença de Bolsonaro, que atualmente é de 27 anos e três meses, para cerca de dois anos e quatro meses.
Em meio às discussões sobre o projeto, Flávio Bolsonaro reiterou que a única situação em que ele se tornaria candidato é caso o “candidato ser Jair Bolsonaro”.
Fonte: www.moneytimes.com.br

