Dólar se Valoriza Após Dados de Emprego nos EUA
Na retomada das negociações após o feriado de Corpus Christi, o dólar à vista apresentou uma valorização significativa. Essa alta ocorreu em resposta a dados de emprego divulgados nos Estados Unidos, que aumentaram as expectativas de uma possível elevação nas taxas de juros norte-americanas ainda neste ano.
Desempenho do Dólar
Nesta sexta-feira, dia 5, o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão cotado a R$ 5,1572, marcando uma alta de 1,78%, o que representa um acréscimo de quase R$ 0,10 em comparação à sessão anterior. O movimento do dólar acompanhou a performance da moeda americana em mercados internacionais. Por volta das 17h, no horário de Brasília, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, incluindo o euro e a libra, apresentava uma alta de 0,63%, alcançando 100.045 pontos.
Acumulação Semanal
Na análise da semana, o dólar acumulou uma valorização de 2,27% em relação ao real no mercado à vista. Esses números refletem a tensão dos investidores em relação aos dados apresentados recentemente.
Dados de Emprego nos EUA
Os dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos foram o foco das atenções, gerando cautela entre os investidores globais. O relatório payroll, essencial para a avaliação do emprego nos EUA, revelou a criação de 172 mil empregos em maio, um número muito acima das expectativas do mercado, que projetava a adição de 85 mil vagas no referido mês. Além disso, esse resultado representa um crescimento em comparação a abril, quando foram registradas 179 mil novas vagas, embora este número tenha sido revisado posteriormente.
Após a divulgação do payroll, o mercado reavaliou as chances de uma elevação nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, para o segundo semestre deste ano. Próximo ao fechamento do dia, a ferramenta FedWatch, disponibilizada pelo CME Group, indicava uma probabilidade de 52,2% de que o Fed retomasse o aperto monetário em sua próxima reunião de política monetária, prevista para outubro. Atualmente, a taxa de referência está estabelecida na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Expectativas do Mercado
James Knightley, economista-chefe internacional do ING, comentou que "um dado de emprego superior ao esperado nos Estados Unidos, em um contexto de inflação crescente, aqueceu as expectativas sobre uma possível elevação nas taxas de juros antes do final do ano". Ele também observou que o resultado robusto pode ter sido influenciado pela Copa do Mundo, já que os dados mostraram um desempenho excepcional nos setores de lazer e turismo.
Além da força contínua do mercado de trabalho, o ING ressaltou os índices de inflação elevados nos últimos meses. De acordo com o economista-chefe, as especulações sobre novas altas nas taxas de juros podem se intensificar com a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI), agendada para a próxima quarta-feira, dia 10. As expectativas do banco apontam para uma aceleração do índice de inflação total, que deve subir para 4,2%, em comparação aos 3,8% registrados anteriormente. O núcleo do indicador, que exclui itens voláteis, deve apresentar um avanço para 2,9%, em relação aos 2,8% do mês anterior. A meta de inflação estabelecida pelo Fed permanece em 2%.
Cenário Geopolítico
Em um panorama geopolítico mais amplo, o cessar-fogo entre Israel e Líbano, bem como as dificuldades nas negociações entre Estados Unidos e Irã, continuaram a ser monitorados, ainda que em segundo plano nas discussões do dia. Em uma entrevista à CNN, Mohsen Rezaei, conselheiro militar do líder supremo do Irã, mencionou que "as negociações estão em um impasse e [o presidente dos EUA, Donald] Trump precisa romper esse impasse". Ele alertou que, na ausência de um acordo, o Irã poderia expandir o conflito para o Oceano Índico, mirando em outras bases militares americanas.
Além disso, nesta sexta-feira, os Estados Unidos impuseram novas sanções relacionadas ao Irã, focando em entidades, indivíduos e navios-tanque de gás GLP, conforme divulgado pelo Departamento do Tesouro norte-americano.
Entre as 12 entidades sancionadas, cinco estão localizadas nas Ilhas Marshall, quatro nos Emirados Árabes Unidos e uma na China, de acordo com as informações disponibilizadas pelo departamento. Seis embarcações foram citadas nas medidas, incluindo quatro navios-tanque que operam sob bandeira do Panamá.
Fonte: www.moneytimes.com.br