Ibovespa recua com expectativa de Selic mantida e queda nas ações de Wall Street após relatório de empregos; dólar sobe para R$ 5,15.

Desempenho do Ibovespa

O Ibovespa (IBOV) enfrentou uma forte pressão negativa proveniente do exterior, impulsionada pela expectativa de aumento nas taxas de juros dos Estados Unidos, a ser implementado a partir do segundo semestre deste ano, após a divulgação de dados relacionados ao emprego.

Nesta sexta-feira (5), o principal índice da bolsa brasileira concluiu as negociações com uma queda de 0,77%, atingindo a marca de 169.019,12 pontos. Com isso, o IBOV acumulou uma perda total de 2,74% ao longo da semana, registrando assim a oitava perda semanal consecutiva.

Por sua vez, o dólar à vista (USDBRL) encerrou as operações a R$ 5,1572, apresentando uma alta de 1,78%. Durante a semana, a moeda americana acumulou uma valorização de 2,27%.

No cenário interno, o mercado começou a precificar a possibilidade de manutenção da taxa Selic em 14,50% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Perto do fechamento do dia, a curva de juros futuros indicava uma probabilidade de 68% de que a Selic permaneça estável na data de 17 de junho.

Em uma questão de destaque internacional, os Estados Unidos oficializaram a classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como ‘organizações terroristas’, conforme publicado no Diário Oficial norte-americano.

A decisão foi anunciada em 28 de maio e teve a assinatura do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Altas e Quedas do Ibovespa

O aumento na aversão ao risco impactou diretamente as blue chips, que pressionaram o desempenho do Ibovespa.

Entre as principais empresas que influenciam o índice, a Petrobras (PETR4; PETR3), detentora de aproximadamente 12% da composição do índice, acompanhou a queda nos preços do petróleo. O barril de Brent retrocedeu para níveis próximos a US$ 90. As ações PETR3 fecharam o dia com um recuo de 0,52%, cotadas a R$ 45,71, enquanto PETR4 registrou um declínio de 0,87%, encerrando a R$ 40,89.

A Vale (VALE3), que representa 11% do índice, também foi impactada pelo desempenho do minério de ferro. O contrato mais líquido da commodity, negociado para setembro, finalizou as operações em Dalian, na China, com uma queda de 0,91%, valendo 766 yuans (equivalente a US$ 113,15) por tonelada. O fluxo de saída de investimento estrangeiro também influenciou negativamente a ação, que caiu 3,78%, encerrando a R$ 78,70.

A maior queda entre os componentes do IBOV foi registrada pela CSN (CSNA3), que despencou 10,18%, cotada a R$ 6,00. A companhia também sofreu pressão em decorrência da commodity metálica.

Os investidores mantêm atenção nos esforços da empresa para reduzir seu endividamento, com foco na venda da divisão de cimento, considerada uma das principais estratégias para acelerar a desalavancagem do grupo. Segundo informações divulgadas pelo Pipeline, do Valor Econômico, a disputa pelos ativos entrou em uma fase decisiva, com potenciais compradores, incluindo as chinesas Huaxin e Sinoma, a italiana Italcementi e a brasileira Votorantim. O prazo para a apresentação de propostas vinculantes foi estabelecido para 7 de agosto.

Por outro lado, a ponta positiva do índice foi liderada pela Embraer (EMBJ3), que subiu 3,82%, fechando a R$ 72,33. Isso ocorreu após a empresa de leasing Azorra formalizar um novo pedido para a aquisição de 15 aeronaves E195-E2, junto com um acordo que garante direitos de compra de mais 15 jatos desse mesmo modelo.

Conforme estimativas do JP Morgan, o backlog comercial da fabricante brasileira no segundo trimestre de 2026 (2T26) deve totalizar cerca de US$ 15,6 bilhões, além de registrar receitas de US$ 650 milhões na divisão comercial, impulsionadas pelo novo pedido da Azorra.

Desempenho no Exterior

Os índices de Wall Street observaram quedas significativas nesta sexta-feira (5), com o mercado respondendo à expectativa de novas altas nas taxas de juros dos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed) no segundo semestre do ano, após a divulgação de dados robustos sobre o emprego.

Em evidência, o Nasdaq apresentou sua maior queda intradia desde abril do ano passado, quando o governo Trump anunciou um aumento de tarifas para países parceiros comerciais.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -1,35%, aos 50.866,78;
  • S&P 500: -2,64%, aos 7.383,74 pontos;
  • Nasdaq: -4,18%, aos 25.709,432 pontos.

Na Europa, os índices fecharam de forma mista, sob pressão relacionada ao setor de tecnologia e inteligência artificial, além das expectativas de aumento nas taxas de juros dos EUA e dados macroeconômicos. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,29%, encerrando a 622,66 pontos.

Na Ásia, os índices também apresentaram quedas, com ênfase no setor de inteligência artificial. O índice Nikkei, do Japão, caiu 1,31%, a 66.588,12 pontos, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve uma redução de 1,15%, fechando aos 24.961,95 pontos.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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