Durigan: Brasil possui "posição privilegiada" para lidar com os altos custos de energia

Durigan: Brasil possui “posição privilegiada” para lidar com os altos custos de energia

by Fernanda Lima
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Impactos da Guerra no Oriente Médio sobre a Economia Global

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, enfatizou os efeitos da guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã na economia global, destacando que o Brasil se encontra em uma "posição robusta" para enfrentar as consequências do aumento nos preços de energia.

Declarações e Contexto

As declarações de Durigan foram enviadas ao IMFC (Comitê Monetário e Financeiro Internacional) durante as reuniões de primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional), que estão sendo realizadas em Washington.

Segundo o ministro, o conflito no Oriente Médio acontece em um "momento delicado", em que a economia mundial estava começando a se estabilizar após uma sequência significativa de perturbações. Nesse contexto, ele apontou que o FMI revisou para baixo suas projeções de crescimento global, enquanto a inflação tende a subir, refletindo os impactos diretos e indiretos do conflito.

Durigan afirmou que "o aumento dos preços de energia e alimentos tende a corroer a renda real, reduzir o consumo e dificultar os processos de desinflação em curso".

Cenário Econômico e Riscos

O ministro também destacou que a combinação de uma atividade econômica mais fraca com pressões inflacionárias elevadas levanta preocupações sobre um possível cenário de estagflação, o que torna a condução da política econômica mais complexa.

Ele comentou que os efeitos desse novo choque se distribuem de maneira desigual, afetando mais intensamente as economias de baixa renda e os países importadores de energia. Durigan defendeu que as economias avançadas devem oferecer maior suporte às nações mais vulneráveis. Além disso, alertou para os riscos adicionais, como a possibilidade de uma crise de refugiados e a intensificação da fragmentação geoeconômica.

Potenciais Consequências do Conflito

O ministro observou que, caso o conflito se prolongue ou se expanda, as disrupções nos mercados de energia podem se tornar prolongadas, afetando cadeias de suprimentos, especialmente no que diz respeito a fertilizantes e alimentos, além de gerar efeitos adversos sobre a inflação e as condições financeiras globais.

Em um cenário marcado pelo espaço fiscal limitado em vários países, Durigan defendeu a implementação de políticas macroeconômicas contracíclicas, sempre que viável, além de reforçar a importância da cooperação internacional.

Políticas Monetárias e Resiliência do Brasil

Durigan também salientou que os bancos centrais devem calibrar cuidadosamente suas políticas monetárias diante desse choque de oferta, buscando preservar a credibilidade e evitando a propagação de efeitos inflacionários.

Apesar do cenário externo desafiador, o ministro reafirmou que a economia brasileira é capaz de absorver parte dos impactos resultantes desse choque global. Ele mencionou que "a economia brasileira encontra-se em posição robusta para lidar com os efeitos significativos do choque global nos preços de energia".

O ministro destacou que a inflação no Brasil tem se aproximado da meta, resultado de uma política monetária restritiva, o que possibilitou ao Banco Central iniciar um ciclo de flexibilização. Ele ainda destacou que o Banco Central permanecerá comprometido com a estabilidade de preços, ao mesmo tempo em que busca suavizar oscilações na atividade econômica e promover o pleno emprego.

Cenário Externo e Exportações

Em relação ao cenário externo, Durigan apontou que a elevação dos preços do petróleo pode aumentar o superávit comercial brasileiro, impulsionando as exportações líquidas. No ano anterior, o petróleo e seus derivados representaram aproximadamente 16% das exportações brasileiras e 8% das importações, gerando um saldo positivo que se aproximou de US$ 32 bilhões.

Por outro lado, o ministro destacou que investimentos em energias renováveis e biocombustíveis contribuíram para uma matriz energética "robusta e limpa", o que, por sua vez, reforçou a resiliência do país. No entanto, ele reconheceu os riscos associados, como possíveis restrições no acesso a fertilizantes, um insumo essencial para o agronegócio, bem como a desaceleração da demanda global e a rigidez nas condições financeiras.

Coletiva de Países no FMI

O posicionamento apresentado por Durigan reflete o consenso de um grupo de países no FMI, que inclui Brasil, Cabo Verde, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Nicarágua, Panamá, Suriname, Timor-Leste e Trinidad e Tobago.

Por fim, o ministro defendeu que o FMI deve monitorar de perto os impactos da guerra sobre a segurança energética e alimentar, e deve estar preparado para ser "forte, ágil e adequadamente equipado" para responder aos desafios emergentes.

Com informações da Broadcast/Estadão Conteúdo.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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