Quarta Fase da Operação Compliance Zero
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, convocou uma coletiva de imprensa na quinta-feira, 16 de outubro, com a participação da alta cúpula da Polícia Federal. O foco da reunião foi a quarta fase da Operação Compliance Zero, que culminou na prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O ministro informou que essa entrevista foi uma solicitação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
ContextoPolítico
Nos bastidores, a determinação do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT) é demonstrar que o presidente tem tomado medidas contra fraudes, especialmente em meio aos prejuízos que escândalos de corrupção causaram à sua candidatura para um novo mandato. O caso do Banco Master, ligado a Daniel Vorcaro, é uma das situações que se encaixa nessa tentativa de mostrar ação.
À medida que as pesquisas de intenção de voto evidenciam uma competição acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato do PL à presidência, o governo enfatiza que as investigações sobre corrupção foram iniciadas sob a atual administração, e não durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro da Justiça ressalta a importância da transparência ao afirmar que a Secretaria de Comunicação tem a sensibilidade de identificar as demandas da sociedade e que, sempre que solicitado, o governo fornecerá informações à imprensa, que desempenha um papel fundamental na democracia.
Estratégia de Combate à Corrupção
O plano delineado pelo governo é para que Lula se posicione como protagonista no combate à corrupção, dirigindo suas críticas aos “magnatas” que, segundo ele, dominam as esferas superiores da sociedade. Nesse contexto, a narrativa de “ricos contra pobres” ou “99% contra 1%” se torna um dos eixos da campanha à reeleição do presidente.
Pesquisas qualitativas disponíveis para o Planalto indicam que os escândalos recentes foram atribuídos diretamente à administração federal, o que impactou a popularidade do presidente. No mês passado, Lula mencionou que o escândalo do Master é o “ovo da serpente” de Bolsonaro, assim como do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Em uma declaração nesta terça-feira, 14, ele confirmou ter solicitado ao atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que tornasse pública a origem da fraude do Master, buscando esclarecer a responsabilidade entre os principais envolvidos.
Limites da Divulgação de Informações
Na coletiva, Lima e Silva enfatizou que a pasta que dirige evitará a "espetacularização" dos eventos e respeitará os limites legais na divulgação de informações. A investigação que levou à quarta fase da Operação Compliance Zero é mantida em sigilo, no entanto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, divulgou a decisão que resultou na prisão de Paulo Henrique.
Em um despacho anterior, Mendonça já havia indicado que o teor das diligências deveria permanecer sob sigilo pelos delegados responsáveis e que as informações não deveriam ser repassadas aos superiores hierárquicos.
Ações da Polícia Federal
O titular do Ministério da Justiça discorreu sobre como a operação da Polícia Federal se insere nas iniciativas do governo federal para o combate a crimes financeiros, designando um secretário da pasta, Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública, para defender as ações da administração Lula.
Segundo Lucas, essa operação está alinhada com a diretriz de que o presidente Lula busca combater a corrupção entre os ricos e notórios, permitindo à Polícia Federal atuar com a independência necessária.
Declarações de José Guimarães
Pouco antes, no Palácio do Planalto, o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, declarou que o governo Lula não proverá suporte ao BRB. Ele expressou sua posição de maneira enfática, afirmando ser “radicalmente contrário” a qualquer acolhimento financeiro ao BRB e fez referência ao ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em meio a uma conversa com jornalistas. Guimarães fez perguntas retóricas sobre os responsáveis pelos acontecimentos que afetaram a instituição.
Participação na Coletiva
Participaram da coletiva o diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, e o diretor de Combate ao Crime Organizado, Dennis Calli. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, encontra-se viajando para o exterior.
Todos os presentes na coletiva limitaram-se a apresentar um quadro geral da Operação Compliance Zero e citar dados referentes à quarta fase da operação, sem expor detalhes específicos. Murad observou que, embora haja informações relacionadas a algumas partes das operações, existem limitações em quanto ao que podem revelar. Ele enfatizou que o foco se volta à corrupção dos gestores e ao esquema de lavagem de dinheiro proveniente de atos corruptos, conectando essa fase com a primeira e com a totalidade do esquema criminoso.
Fonte: www.moneytimes.com.br


