Crescimento Econômico da Índia
A economia indiana apresentou um crescimento mais rápido do que o previsto, com uma taxa anual de 8,2% no trimestre que encerrou em setembro. Esse aumento representa uma aceleração em relação ao crescimento de 7,8% registrado no trimestre anterior, quando um deflator mais baixo impulsionou inesperadamente o crescimento real. O deflator é um indicador que mede o impacto da inflação no valor da produção total.
Expectativas e Resultados
Uma pesquisa realizada pela Reuters entre economistas havia estimado que o Produto Interno Bruto (PIB) no período de julho a setembro ficaria em 7,3%. O PIB nominal da Índia, que não leva em consideração a inflação ou a deflação, cresceu 8,7% no trimestre de setembro, em comparação com 8,8% no trimestre anterior.
A acentuada melhoria na taxa de crescimento do PIB foi atribuída à recuperação das atividades de manufatura e construção, além do consumo interno. Os serviços profissionais nas áreas financeira e imobiliária apresentaram um "crescimento substancial", atingindo uma taxa de 10,2% no período de julho a setembro, conforme informações divulgadas pelo governo.
Consumo Doméstico e Impactos Fiscais
Durante o trimestre de setembro, o consumo doméstico foi "contido" devido à expectativa de cortes planejados na alíquota do imposto sobre bens e serviços. Neelkanth Mishra, economista-chefe do Axis Bank, mencionou à CNBC no programa "Inside India" antes da divulgação dos dados do PIB que os cortes no imposto tinham um papel importante nesse contexto.
Os tarifas de 50% sobre os produtos indianos exportados para os Estados Unidos entraram em vigor em agosto. Para atenuar os impactos negativos, o governo de Nova Délhi anunciou uma redução abrangente do GST, com efeitos a partir de 22 de setembro, com o objetivo de estimular o consumo doméstico.
Recuperação do Consumo
Em outubro, a demanda se recuperou de forma acentuada, com vendas recordes de automóveis e ouro, impulsionadas pelas reduções do GST e pela diminuição anterior da alíquota do imposto de renda individual, que aumentou a renda disponível das famílias. No entanto, mesmo com essa recuperação, o déficit na balança comercial de produtos da Índia atingiu um novo recorde, devido à fraqueza nas exportações e ao aumento nas importações de ouro.
Projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI)
Em um relatório divulgado na quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou que o PIB real da Índia deverá crescer 6,6% no exercício fiscal de 2026, antes de moderar-se para 6,2% em 2027, considerando um atraso prolongado nas negociações de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a Índia.
Além disso, o FMI previu que as exportações de mercadorias da Índia devem cair 5,8% no exercício fiscal de 2026, totalizando US$ 416 bilhões, enquanto as importações de bens devem aumentar 2,4%, alcançando US$ 746 bilhões.
O FMI afirmou que, "apesar dos desafios externos, o crescimento deve permanecer robusto, apoiado por condições domésticas favoráveis". Os dados também sugerem que a Índia deve se tornar uma economia de US$ 5 trilhões até o exercício fiscal de 2029.
— CNBC’s Amitoj Singh contribuiu para este relatório.
Fonte: www.cnbc.com


