El Niño e o Plantio de Soja
O fenômeno climático conhecido como El Niño deverá beneficiar o plantio de soja nos Estados do Centro-Oeste durante a safra 2026/27, assim que o perído de vazio sanitário se encerrar, previsto para meados de setembro. A previsão é de que a umidade do solo esteja adequada para a realização das atividades agrícolas na principal região produtora da oleaginosa do Brasil, conforme análise da Nottus Meteorologia, divulgada na quinta-feira, 18.
Ponto de Vista do Especialista
Alexandre Nascimento, sócio-diretor da Nottus, comentou em videoconferência com jornalistas que, “em meados de setembro, teremos umidade suficiente no solo para dar início ao plantio de verão. A previsão é de que a chuva chegue antes, o que deverá favorecer a semeadura. Assim que o vazio sanitário for rompido, é hora de plantar.” Ele se referiu ao período em que, por razões fitossanitárias, não é permitido plantar soja.
Riscos Associados ao El Niño
Embora o El Niño ofereça perspectivas de chuvas que possibilitam um plantio precoce, ele também pode provocar uma interrupção antecipada dessas precipitações, o que representa um alerta para as culturas de segunda safra no ano seguinte, especialmente o milho — este que é cultivado após a colheita da soja.
Além disso, as culturas de verão do Centro-Oeste poderão enfrentar riscos relacionados a períodos mais prolongados sem chuvas.
Nascimento enfatizou que “existe umaChance aumentada de ocorrerem intervalos sem chuvas, por isso é fundamental plantar logo. O cenário indica que as chuvas podem chegar antes do fim do vazio sanitário, e ainda é possível que haja momentos de veranico. Contudo, essa antecipação pode ajudar a evitar problemas no futuro”.
Impacto na Fase de Enchimento de Grãos
A maior preocupação para o produtor de soja é a possibilidade de escassez de chuvas durante a fase de enchimento dos grãos, o que poderia resultar em uma queda significativa na safra. Nascimento destacou a relevância da técnica de plantio direto, afirmando que, “se houver um período de dez dias com temperatura alta e sem chuvas, uma cobertura vegetal bem formada pelo plantio direto pode ajudar a mitigar o estresse hídrico”.
Ele também observou que, na região do Matopiba, que abrange os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, há um risco considerável de seca para a safra de soja, consequência das condições meteorológicas relacionadas ao El Niño.
“Este é um ano em que não se deve realizar grandes investimentos em áreas com riscos climáticos significativos. Plantar fora do sistema de irrigação só deve ser considerado se o investimento não for muito elevado”, aconselhou Nascimento.
Condições no Sul do Brasil
No extremo sul do Brasil, o El Niño geralmente resulta em chuvas abundantes, o que, segundo Nascimento, é uma condição geralmente benéfica para as lavouras de soja. Contudo, isso não elimina a necessidade de monitoramento constante das condições climáticas.
Perspectivas Climáticas
De acordo com dados fornecidos pelo National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), o El Niño deve continuar ativo pelo menos até o primeiro semestre de 2027. Os modelos climáticos sugerem uma alta probabilidade de intensificação do fenômeno nos próximos meses, com potencial para chegar à categoria de “muito forte” até o final de 2026, como relatado pela Nottus.
Atualmente, o El Niño já apresenta alguns desafios para os agricultores, resultando em atrasos nas colheitas de culturas como café, cana-de-açúcar e milho.
Setor Elétrico
A preocupação com o setor elétrico é especialmente relevante, uma vez que o Brasil possui uma dependência significativa de hidrelétricas. Essa preocupação é maior para o ano de 2027, principalmente com relação às usinas localizadas no Nordeste. Nascimento esclareceu que “este ano tivemos boas afluências e uma recuperação dos reservatórios, mas no ano seguinte, há a expectativa de um consumo elevado devido ao calor e à falta de chuvas nas regiões Norte e Nordeste”.
Apesar disso, para 2026, o El Niño poderá trazer benefícios de forma geral para o sistema elétrico devido às chuvas. No entanto, ele expressou preocupações em relação à distribuição e transmissão de energia, uma vez que chuvas intensas podem acompanhar ventanias, resultando em desligamentos de energia. Nascimento destacou que o fenômeno tende a aumentar tanto a força quanto a frequência dos ventos que acompanham a chegada de frentes frias.
Fonte: www.moneytimes.com.br


