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Entenda a EMAE e sua relação com o caso Equatorial, Sabesp e Banco Master – Times Brasil

by Fernanda Lima
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A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), estatal paulista incumbida da gestão de represas essenciais e da operação de usinas hidrelétricas no estado de São Paulo, está no foco de investigações conduzidas pelo Ministério Público, relacionadas a potenciais ligações entre a privatização da Sabesp e um escândalo que envolve o Banco Master.

O caso ganhou destaque após a apresentação, em março de 2026, de uma representação ao MP-SP, que indicava que as estruturas financeiras utilizadas no leilão da EMAE poderiam estar conectadas aos mesmos grupos empresariais mencionados na venda do controle da Sabesp.

A investigação abrange operações que ocorreram entre abril e julho de 2024, período em que o governo paulista conduziu a privatização das duas empresas.

De acordo com o documento analisado pela Promotoria do Patrimônio Público, o Banco Master estaria envolvido na estruturação financeira de grupos interessados nas aquisições, utilizando fundos, debêntures e operações cruzadas para viabilizar os acordos.

A EMAE é citada no caso, pois, além de ter sido privatizada em abril de 2024, foi posteriormente adquirida pela própria Sabesp, já privatizada, em outubro de 2025.

Essas transações levantam questionamentos em relação à movimentação dos ativos e aos agentes que participaram das negociações, segundo investigadores e autores da representação.

O que é a EMAE?

A EMAE é responsável pela administração de estruturas que são consideradas estratégicas para o estado de São Paulo. A companhia opera represas como Billings e Guarapiranga e atua no controle do fluxo do Rio Pinheiros, sempre com o objetivo de gerar energia elétrica.

A empresa também gerencia usinas significativas do sistema energético paulista, destacando-se a usina Henry Borden, localizada em Cubatão, que é uma das mais conhecidas do país, sendo reconhecida por utilizar o desnível da Serra do Mar para a produção de energia.

As origens da EMAE remontam ao final do século XIX, quando a antiga Light iniciou suas operações no Brasil.

No século XX, a companhia desempenhou um papel crucial na expansão do sistema elétrico paulista, participando de obras que transformaram o Rio Pinheiros e possibilitaram a criação do reservatório Billings.

A estrutura atual da EMAE foi estabelecida em 1998, após a cisão da Eletropaulo dentro do Programa Estadual de Desestatização conduzido pelo governo paulista.

Leilão ocorreu em abril de 2024

A EMAE foi leiloada pelo governo de São Paulo no dia 19 de abril de 2024, na bolsa brasileira, sendo o Fundo Phoenix o vencedor, com uma proposta de aproximadamente R$ 1,04 bilhão.

Um aspecto que despertou o interesse dos investigadores foi o fato de que o fundo foi criado menos de 30 dias antes do leilão.

Segundo a representação enviada ao Ministério Público, o veículo financeiro utilizou ações da Ambipar como principal garantia patrimonial. De acordo com o documento, essas ações passaram por uma valorização superior a 800% durante o ano de 2024, uma situação que, segundo a denúncia, apresenta características que se assemelham à manipulação de mercado e à simulação de liquidez.

A representação também menciona que a aquisição da EMAE foi financiada por meio da emissão privada de debêntures, que teve participação do Banco Master, da Trustee DTVM, do empresário Nelson Tanure e de Tércio Borlenghi Junior, fundador da Ambipar.

Sabesp comprou a EMAE após privatização

A estatal voltou a ser um assunto relevante em outubro de 2025, quando a Sabesp comunicou a aquisição do controle acionário da EMAE.

Essa operação incluiu a compra de cerca de 74,9% das ações ordinárias e 66,8% das preferenciais da companhia.

Em dezembro de 2025, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprova a transação sem restrições. Além disso, em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica concedeu autorização oficial para a transferência de controle.

Os autores da representação ao MP-SP alegam que a sequência das transações estabelece uma conexão entre os grupos empresariais envolvidos na privatização da EMAE e os agentes que participaram da venda da Sabesp.

Carlos Piani é citado na representação

O nome de Carlos Piani é mencionado na representação. Conforme documentado, ele ocupou cargos estratégicos em várias empresas durante o período em que as operações estão sendo investigadas.

Piani presidiu o conselho da Ambipar durante o período em que as ações utilizadas como lastro para o Fundo Phoenix valorizavam-se. Ele também presidiu o conselho da Equatorial Energia durante a privatização da Sabesp e, posteriormente, assumiu a presidência da companhia de saneamento já privatizada.

Os autores da denúncia afirmam que a sequência de funções que Piani desempenhou ao longo das operações reforça a relevância de uma investigação mais detalhada sobre a relação entre os negócios.

Ministério Público avalia abertura de inquérito

O Ministério Público de São Paulo está analisando a representação para verificar a possível relação com outro procedimento que já se encontra em andamento na 5ª Promotoria de Patrimônio Público.

O pedido que foi apresentado ao órgão solicita a abertura de um inquérito civil, para investigar possível improbidade administrativa, além do compartilhamento das informações com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, caso surgirem indícios de crimes de competência federal.

Em nota enviada ao Times Brasil, a Equatorial Energia declarou que o processo de desestatização da Sabesp transcorreu de acordo com uma oferta pública que seguiu princípios de legalidade, transparência e ampla divulgação.

A Sabesp e Carlos Piani foram contatados, mas não se manifestaram até o momento da publicação desta reportagem.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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