Especialista da Nomad aponta oportunidades promissoras em renda fixa nos EUA e destaca os melhores investimentos.

Especialista da Nomad aponta oportunidades promissoras em renda fixa nos EUA e destaca os melhores investimentos.

by Ricardo Almeida
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Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos estão novamente em evidência para investidores ao redor do mundo, especialmente após um aumento significativo nas taxas nos últimos dias. Este cenário surge em meio a crescentes preocupações com a inflação persistente e a expectativa de juros elevados por um período prolongado. Com isso, os rendimentos dos Treasury Bonds dispararam, levando os papéis de longo prazo a alcançarem os maiores níveis dos últimos vinte anos.

Atualmente, o Treasury de 30 anos registrou um rendimento de 5,19%, o que representa o maior patamar desde 2007. Além disso, o Treasury de 10 anos, que é uma importante referência global para crédito, hipotecas e ativos de risco, também viu seu rendimento aumentar, alcançando 4,68%, o mais alto desde janeiro deste ano.

Os yields dos Treasuries se movimentam de forma inversa aos preços dos títulos. Isso significa que a alta nas taxas sugere uma forte venda dos bonds americanos, uma vez que a percepção de que a inflação pode permanecer elevada dificulta a possibilidade de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve no futuro.

A pressão sobre os rendimentos se intensificou depois do recente aumento no preço do petróleo, em meio a tensões geopolíticas que envolvem os Estados Unidos e o Irã. O mercado está preocupado de que o aumento nos custos de energia possa impactar os índices globais de inflação, afetando desde os combustíveis até as cadeias produtivas e os preços ao consumidor.

Abre-se uma porta

De acordo com a Nomad, esse contexto criou uma oportunidade atrativa para investidores, especialmente aqueles voltados para a renda fixa americana, destacando os títulos de duração intermediária. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, ressalta que a empresa adotou uma postura mais defensiva em suas carteiras globais e aumentou a exposição ao mercado diante do cenário de maior volatilidade.

“Agora, com as taxas em níveis tão elevados, a renda fixa americana apresenta essa característica de ser prefixada. Portanto, investir para garantir essa taxa alta, que é historicamente relevante, é uma estratégia que apreciamos como forma de proteção para parte da carteira”, comentou ao Money Times.

A preferência da Nomad está voltada para títulos com duration entre cinco e sete anos, evitando investimentos em papéis com vencimentos muito longos devido à alta volatilidade da curva americana.

“Não alongamos muito o prazo das nossas recomendações, pois os títulos de 10 ou 20 anos ainda enfrentam bastante volatilidade”, enfatizou a executiva.

Esse movimento ocorre em um momento em que o mercado está ajustando suas expectativas em relação à política monetária americana. Dados recentes sobre a inflação, que superaram as projeções, aliados à pressão nos preços de energia, elevaram as apostas sobre a manutenção das taxas de juros elevadas por um período mais prolongado.

O CME FedWatch indica que o mercado descarta a possibilidade de cortes de juros na próxima reunião do Fed e já começa a considerar até mesmo uma nova alta em outubro deste ano.

A curva de juros americana também apresentou um aumento nas últimas semanas. Um relatório da Nomad revelou que os Treasuries de diferentes vencimentos experimentaram um deslocamento para cima, o que exerce pressão sobre os preços dos títulos de longo prazo.

Neste cenário, os ETFs de curto prazo mostraram um desempenho mais resiliente do que os títulos de longo prazo. O relatório destaca que os produtos associados a Treasuries longos sofreram mais devido à volatilidade recente, enquanto os fundos de curtíssimo prazo conseguiram manter retornos positivos.

Entre os instrumentos observados pela Nomad, estão ETFs como SGOV, SHV e BIL, que são focados em Treasuries de curtíssimo prazo, além de produtos de crédito privado, como LQD, VCIT e HYG.

TIPS surgem como alternativa

Um outro segmento que começou a atrair atenção pela Nomad são os TIPS, que são títulos do Tesouro americano protegidos contra a inflação e que funcionam de forma análoga ao Tesouro IPCA+ no Brasil.

De acordo com o TreasuryDirect, os TIPS possuem o valor principal corrigido pela inflação, que é medida pelo Consumer Price Index (CPI), ou índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos. Os juros pagos são prefixados, mas são calculados sobre um montante que é ajustado diariamente pela inflação, o que resulta em um aumento tanto do principal quanto dos cupons em períodos de alta inflacionária.

Na prática, esse instrumento atua como uma proteção direta contra a perda do poder aquisitivo em dólar. “É um ativo pouco discutido, mas que voltou a ser bastante procurado, pois oferece proteção ao investidor em um cenário de inflação mais alta”, destacou a estrategista.

Segundo Zogbi, a demanda por essa classe de ativos aumentou consideravelmente em 2026, especialmente porque o mercado revisou suas expectativas inflacionárias para cima, enquanto as taxas de juros nos Estados Unidos permanecem elevadas.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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