Compras de Soja e Acesso a Terras Raras
PEQUIM — A China concordou em adquirir soja dos Estados Unidos e em abordar a questão do acesso americano a terras raras, segundo informou a Casa Branca no último domingo. Essa foi uma das saídas mais concretas até o momento de uma cúpula bilateral de alto nível realizada na semana passada.
Reunião entre os Líderes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concluiu na sexta-feira reuniões que duraram dois dias em Pequim com o presidente chinês, Xi Jinping. Os dois líderes também decidiram se encontrar nos Estados Unidos em setembro.
Compromissos de Compra de Produtos Agrícolas
A China se comprometeu a comprar, anualmente até 2028, pelo menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas americanos, conforme anunciado pela Casa Branca. Esse valor será “adicional aos compromissos de compra de soja que foram feitos em outubro de 2025.”
Após um encontro entre Trump e Xi na Coreia do Sul no ano passado, os EUA relataram que a China havia concordado em comprar pelo menos 25 milhões de toneladas métricas de soja americana a cada um dos três anos subsequentes. No entanto, o comunicado deste final de semana não especificou a quantidade a ser adquirida, mas afirmou que a China permitiu novamente a venda de carne bovina e de aves dos EUA.
Promoção do Comércio Agrícola
O Ministério do Comércio da China também não fez menção a um valor específico nem mencionou a soja, embora tenha afirmado que ambos os países concordaram em promover o comércio agrícola. Essa cooperação pode indicar uma tentativa de fortalecer laços econômicos nas áreas mencionadas.
Questão das Terras Raras
A declaração da China também não trouxe à tona a questão das terras raras, enquanto os Estados Unidos informaram que a China abordaria as carências desses materiais, especialmente de elementos como itérbio, escândio, neodímio e índio. Pequim controla a cadeia de suprimentos de muitos minerais pouco conhecidos que são componentes essenciais em produtos como smartphones, automóveis e armamentos.
Perspectivas para as Relações EUA-China
A cúpula foi considerada “decepcionante”, mas Jacob Shapiro, parceiro estratégico e consultor geopolítico do The Bespoke Group, afirmou na segunda-feira durante o programa “Squawk Box Asia”, da CNBC, que as relações entre os EUA e a China provavelmente melhorarão de maneira “incremental” enquanto Trump estiver na presidência.
Shapiro destacou que, “após a passagem de Trump, não vejo ninguém nos Estados Unidos que esteja [interessado em] melhorar significativamente os laços com a China”. Essa afirmação sugere que Pequim poderá “dizer o que precisa ser dito para manter as coisas agradáveis pelos próximos anos”, ao mesmo tempo que se prepara para um próximo presidente dos EUA que deverá adotar uma postura mais rigorosa em relação à China.
Criação de Conselhos de Comércio e Investimento
Tanto os comunicados dos EUA quanto da China mencionaram acordos para estabelecer conselhos de comércio e investimento com o objetivo de facilitar discussões bilaterais nessas áreas. Esse esforço parece sinalizar um desejo mútuo de encontrar formas de melhorar a comunicação e a colaboração econômica.
Planos de Compra de Aeronaves
A China indicou que a redução de tarifas faria parte dos planos, no entanto, os EUA não mencionaram impostos sobre produtos. Além disso, os Estados Unidos especificaram que a China planeja comprar 200 aeronaves Boeing, enquanto Pequim se referiu de forma mais geral ao acordo de compra de aeronaves e afirmou que os EUA garantiriam o fornecimento dos motores e outras peças envolvidas.
É importante ressaltar que a China desenvolveu um avião de passageiros próprio, mas ainda depende de peças fabricadas no exterior.
Fonte: www.cnbc.com


