No contexto atual, enquanto os Estados Unidos, Irã e Israel estão em conflito no Oriente Médio, o mercado brasileiro aguarda com expectativa a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central do Brasil. O objetivo é avaliar a possibilidade de redução da taxa Selic, atualmente fixada em 15%. Essa redução, se ocorrer, representaria a primeira queda após um ciclo de cinco reuniões consecutivas sem alteração na taxa.
A reunião está agendada para o dia 17 de março de 2026, e o desfecho pode não atender às expectativas formadas durante o período pré-guerra. Isso se deve ao fato de que, se a projeção da inflação superar os 4% esperados para o ano, a redução da taxa Selic poderá ser postergada.
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O futuro da taxa Selic diante da guerra entre Irã e EUA
Neste cenário, conforme relatado anteriormente, o conflito armado no Irã pode impactar a oferta de petróleo no mercado global. Desde o início do conflito, o preço do barril de petróleo subiu de US$ 60 para US$ 84,50 nos contratos futuros Brent. Além disso, o Estreito de Ormuz está fechado para os EUA, Israel e Europa.
Caso a guerra se prolongue, os desafios relacionados ao petróleo podem afetar o Brasil. Apesar de o país ser um exportador de petróleo, ainda importa grandes quantidades devido à sua produção nacional insuficiente.
Os impactos são esperados principalmente no aumento dos custos nos setores de agronegócio, transporte e plásticos. Assim, há a possibilidade de exacerbamento da inflação, adiamento da redução da taxa de juros, queda na bolsa de valores brasileira e fuga de capital estrangeiro.
“O cenário captado pelo Focus ainda não reflete plenamente a recente escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. As previsões continuam indicando inflação controlada e juros elevados, porém com um ciclo gradual de cortes da Selic ao longo de 2026”, declarou Peterson Rizzo, gerente de Relações com Investidores da Multiplike.
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Ao considerar as condições ‘normais’, há espaço para a flexibilização monetária. Entretanto, o Banco Central do Brasil poderá optar por uma abordagem mais cautelosa se o cenário de pressão sobre a indústria petrolífera persistir.
“Atualmente, o cenário central ainda prevê uma desaceleração inflacionária e um eventual início de afrouxamento monetário. O Focus já incorpora indiretamente um ambiente global mais incerto, mas não precifica completamente um choque prolongado de energia ou desancoragem inflacionária. Se o risco geopolítico resultar em inflação importada ou pressão cambial mais intensa, podemos observar novas revisões para cima nas projeções de inflação e para baixo na velocidade dos cortes na Selic nas próximas semanas. A duração e a intensidade do choque externo são fatores cruciais”, explicou Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Como diferentes áreas do mercado avaliam o cenário?
FIDCs
Na ótica de Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o mercado tende a reagir rapidamente a alterações significativas em eventos externos. Uma intensificação do conflito pode levar a uma nova rodada de revisões nas projeções de inflação e juros no Focus.
Dentro desse contexto, os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) podem ser impactados por dois fenômenos distintos: o aumento de custos e a desaceleração do consumo, resultando em um aumento do risco de crédito, especialmente em setores mais vulneráveis à renda e à energia.
Além disso, Araújo enfatiza que gestores e investidores de FIDCs precisam considerar, de maneira simultânea, três aspectos fundamentais: “a análise deve integrar a leitura macroeconômica, a avaliação do fluxo de caixa e a qualidade do lastro, sempre buscando preservar um retorno ajustado ao risco, mesmo em um ambiente de maior volatilidade”, afirmou.
Crédito empresarial em ambiente de Selic elevada
Em um ambiente de Selic elevada, reconhece-se que, embora as oportunidades de retorno possam se tornar mais atraentes, também há um aumento na necessidade de uma avaliação de risco mais rigorosa. “Para o crédito empresarial estruturado, um cenário com Selic acima de 12% mantém spreads que continuam interessantes, mas reforça a necessidade de assegurar boas práticas de governança, garantias robustas e uma estruturação eficiente, para garantir um retorno que seja ajustado ao risco”, explicou Padula, CEO do Grupo Everblue.
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Estruturação patrimonial
Para profissionais envolvidos em decisões de investimento e estruturação patrimonial, “o cenário atual demanda previsibilidade de caixa e uma estratégia bem alinhada, especialmente em um ambiente que continua vulnerável a riscos externos”, acrescentou Pedro Ros, CEO da Referência Capital.
Bolsa de Valores
Na perspectiva de André Matos, CEO da MA7 Negócios, a intensificação das tensões globais tende a desencadear um fenômeno denominado “flight to quality”, caracterizado pela movimentação de investidores que buscam ativos considerados mais seguros durante períodos de incerteza.
Isso geralmente resulta em uma fuga de capital dos países emergentes, o que, consequentemente, pressiona as bolsas de valores destes países, incluindo o Brasil e sua principal bolsa, a Ibovespa. Na prática, tal cenário pode levar a um aumento da volatilidade no mercado brasileiro.
Além disso, em um ambiente como esse, é essencial que empresas e investidores priorizem a cautela, a liquidez e boas práticas de governança, enfatiza Matos. Como resultado, o mercado de juros futuros (DI) já reagiu e elevou as taxas para contratos com vencimentos em 2027 e 2029. “Isso reflete a preocupação de que a inflação global e a volatilidade do câmbio exijam uma postura mais cautelosa da autoridade monetária”, completou.
Impacto da Selic no venture capital
No que diz respeito ao ecossistema de inovação, a expectativa é de que haja uma maior seletividade por parte dos investidores em um cenário macroeconômico mais volátil. “Para o ecossistema de startups, essa situação implica um capital mais seletivo, uma ênfase em eficiência e um foco em modelos de negócios resilientes que consigam se adaptar em contextos de maior volatilidade macroeconômica”, afirmou Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest.
Investidor comum
Por fim, para o investidor comum, “o cenário atual reitera a importância da diversificação e da exposição equilibrada entre ativos de renda fixa, renda variável e aqueles atrelados ao dólar”, finalizou Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação.
Fonte: timesbrasil.com.br