Exportações brasileiras para os EUA despencam 25,5% em janeiro; importações recuam 11%

Exportações brasileiras para os EUA despencam 25,5% em janeiro; importações recuam 11%

by Ricardo Almeida
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Queda nas Exportações Brasileiras

As exportações do Brasil para os Estados Unidos apresentaram uma redução de 25,5% em janeiro de 2026 em comparação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando US$ 2,4 bilhões. Este resultado marca o sexto declínio consecutivo, de acordo com informações fornecidas pela Amcham Brasil. Simultaneamente, as importações brasileiras originárias dos EUA também sofreram uma retração de 10,9% no primeiro mês de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior.

Aprofundamento do Déficit na Balança Comercial

Em decorrência da queda acentuada nas exportações, o déficit mensal do Brasil na balança comercial bilateral com os Estados Unidos se ampliou para aproximadamente US$ 0,7 bilhão, superando mais que três vezes o valor observado em janeiro de 2025.

Análise da Amcham Brasil

Segundo a Amcham Brasil, “os dados de janeiro confirmam que o início de 2026 continua marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral”. Abrão Neto, presidente da entidade, enfatiza que “a combinação entre a queda das exportações brasileiras e a manutenção de tarifas elevadas, especialmente sobre bens industriais, tem aprofundado o desequilíbrio na balança comercial entre Brasil e EUA”.

Impactos das Tarifas sobre as Exportações

De acordo com a Amcham, a redução nas exportações foi significativamente influenciada pela queda de 39,1% nos óleos brutos de petróleo em termos anuais. Ademais, produtos que enfrentaram tarifas adicionais apresentaram uma queda média de 26,7%. Dentre esses produtos, destaca-se a referência à Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA, que afeta a exportação de determinados itens.

Entre os produtos que tiveram um impacto negativo considerável nas exportações de janeiro, a Amcham menciona os semiacabados de ferro ou aço, sucos, elementos químicos inorgânicos e combustíveis derivados de petróleo.

Sobretaxa na Exportação

Conforme afirma a Amcham Brasil, a análise dos bens afetados por tarifas adicionais demonstra que as exportações desses produtos diminuíram acima da média geral em janeiro. Itens que estão sujeitos a sobretaxas que variam entre 40% e 50% mostraram uma clara retração, assim como os produtos vinculados à Seção 232, especialmente cobre e produtos siderúrgicos. “O desempenho reforça a tendência já observada nos meses anteriores, indicando que a manutenção de barreiras tarifárias continua a pressionar o fluxo comercial bilateral”, complementa a nota.

Desempenho de Setores Específicos

Apesar do contexto desafiador, a Amcham Brasil observa que parte da pauta exportadora brasileira manteve um desempenho relativamente mais forte. Entre os dez produtos mais exportados para os EUA em janeiro, seis apresentaram um desempenho superior em relação às vendas brasileiras para outros mercados. Itens como café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia destacaram-se nesse cenário.

Contrariamente, os produtos que demonstraram a maior queda nas exportações para o mercado americano mostraram resultados superiores quando direcionados a outras localidades, revelando uma mudança na dinâmica geográfica das vendas externas brasileiras.

Superávit Comercial e Relações Comerciais

A Amcham Brasil ressalta que, mesmo com o aumento do déficit dos Estados Unidos no comércio global de bens, o Brasil permanece entre os poucos países com os quais os americanos ainda mantêm um superávit comercial significativo, uma posição que foi fortalecida recentemente. O comércio entre Brasil e EUA é sustentado por cadeias produtivas integradas, que incluem investimentos cruzados e a criação de empregos nos dois países. Para Abrão Neto, “avançar no diálogo econômico de alto nível é essencial para restaurar a previsibilidade, reduzir barreiras e criar condições para a recuperação do fluxo comercial ao longo de 2026”.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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