Captação Líquida da Indústria de Fundos em Maio
A indústria de fundos registrou uma captação líquida de R$ 10,3 bilhões em maio, conforme informações divulgadas pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) nesta segunda-feira, dia 8. No total acumulado do ano, a entrada líquida é de R$ 188,2 bilhões, e o patrimônio líquido (PL) da indústria está em torno de R$ 11 trilhões.
Destaques do Mês
O resultado positivo da captação de maio foi impulsionado, em grande parte, pela renda fixa, que respondeu por entradas líquidas de R$ 10,4 bilhões. Dentro dessa classe, o maior destaque foi para os fundos de duração baixa soberano, que investem exclusivamente em títulos públicos, os quais apresentaram uma captação líquida de R$ 22,9 bilhões.
Fundos com Saídas Líquidas
Por outro lado, os fundos do tipo duração livre crédito livre, que têm a flexibilidade de manter mais de 20% de suas carteiras em títulos de médio e alto risco, tanto no Brasil quanto no exterior, lideraram as saídas em maio, registrando resgates líquidos de R$ 6 bilhões. Essa quantidade representa uma desaceleração significativa em comparação aos R$ 12,7 bilhões que haviam sido observados no mês anterior.
Análise do Mercado
Pedro Rudge, diretor da Anbima, comentou sobre a resiliência da indústria de fundos diante de um ambiente de crescente aversão ao risco nos mercados, tanto local quanto internacional. Rudge destacou que os fundos de renda fixa continuam a se destacar, apesar da recente volatilidade apresentada pelos fundos de crédito privado, que agora estão passando por um processo de acomodação nos fluxos.
ETFs e Outras Classes de Fundos
Os fundos de índice, conhecidos como ETFs, também contribuíram para o desempenho positivo da indústria no mês de maio. Esta classe de fundos teve a segunda maior captação líquida entre todas as categorias, com valores em torno de R$ 3,5 bilhões. No acumulado do ano, a captação série já soma R$ 25,8 bilhões, representando um montante consideravelmente maior em comparação ao mesmo período do ano anterior, que registrou R$ 3,8 bilhões.
Outros Fundos em Alta
Outras classes de fundos que se destacaram no mês foram os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que captaram R$ 2,5 bilhões; os Fundos de Investimento em Participações (FIPs), que alcançaram R$ 2,2 bilhões; e os Fundos de Investimento nas Cadeias Agroindustriais (Fiagros), que obtiveram R$ 97,8 milhões. No acumulado do ano, os FIPs lideram as captações entre essas classes, com entradas líquidas de R$ 24,4 bilhões, seguido pelos FIDCs com R$ 21,5 bilhões e os Fiagros com R$ 4,4 bilhões.
Desempenho Negativo de Certas Classes
Em contrapartida, houve destacadas saídas líquidas nos fundos de ações, previdência e multimercados. Os fundos multimercados lideraram as saídas com um total de resgates de R$ 6,4 bilhões em maio, marcando o quarto mês consecutivo de captação negativa para essa categoria. No entanto, ao avaliar o acumulado do ano, a situação ainda se apresenta positiva, com um saldo de R$ 1,4 bilhão.
Os fundos de ações registraram saídas líquidas de R$ 149 milhões no mês, o que resulta em um total de resgates acumulados de R$ 5,6 bilhões ao longo do ano. Por fim, os fundos de previdência também sofreram retiradas, contabilizando R$ 2 bilhões em maio e acumulando uma captação líquida negativa de R$ 4,7 bilhões em 2026.
Rentabilidade dos Fundos
Na área da renda fixa, todos os tipos de fundos obtiveram resultados positivos em maio. Dentre eles, os fundos de dívida externa, que alocam no mínimo 80% de seu patrimônio em títulos da dívida externa da União, destacaram-se com uma rentabilidade de 1,7%. Entre os fundos multimercados, os fundos de capital protegido lideraram com um retorno de 2,3%.
Entretanto, nos fundos de ações, o cenário foi desafiador, pois todos apresentaram resultados negativos. Os fundos de investimento no exterior foram os que menos sofreram, registrando uma perda de 1,5%.
Fonte: www.moneytimes.com.br


