Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI)
O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve uma elevação de 1,14% em março, revertendo a queda de 0,84% observada em fevereiro. Este resultado marca o primeiro mês em que o índice reflete de forma mais evidente os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços na economia brasileira.
Com essa variação, o IGP-DI, que é calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), acumula uma alta de 0,50% no ano e uma queda de 1,30% em um período de doze meses. Em março de 2025, o índice apresentava uma diminuição de 0,50% no mês, com um acumulado de 8,57% nos últimos doze meses.
Matheus Dias, economista do FGV IBRE, responsável pela análise do índice, comentou que “o IGP-DI de março marca o primeiro mês em que os índices passam a incorporar, de forma mais clara, os efeitos diretos e indiretos do conflito no Oriente Médio”.
A inflação oficial, representada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, referente a março de 2026, será divulgada na próxima sexta-feira, dia 10.
Guerra chega aos preços ao produtor
No Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), houve um aumento de 1,38% em março, após uma queda de 1,21% em fevereiro. As principais pressões de alta continuam vindo de produtos agropecuários. No entanto, itens que são diretamente sensíveis ao contexto do conflito geopolítico, como combustíveis e fertilizantes, já aparecem entre as dez maiores influências sobre o índice.
Esse sinal é relevante, pois indica que a guerra, ao elevar os preços da energia em nível global, começa a impactar a cadeia produtiva no Brasil. As matérias-primas brutas cresceram 2,11% em março, em contraste com a queda de 3,03% registrada em fevereiro. Os bens intermediários também aumentaram, passando de 0,20% de queda para um incremento de 0,69% no mês.
Gasolina lidera alta no consumidor
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou um aumento de 0,67% em março, recuperando-se da diminuição de 0,14% observada em fevereiro. Sete das oito categorias de despesas apresentaram aceleração durante o período.
O destaque foi para a gasolina, que teve um aumento médio de 3,85%. O comportamento variou entre as capitais, com algumas localidades apresentando variações superiores a 10%. O grupo de Transportes, que engloba o combustível, saltou de 0,04% para 1,51% entre fevereiro e março, e a Alimentação também acelerou, passando de 0,07% para 1,31%.
“No varejo, o principal impacto ocorreu através da gasolina”, comentou Dias. Segundo o economista, o aumento dos custos dos insumos energéticos começa a se propagar para outros setores.
Construção civil sente pressão da energia
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,54% em março, um aumento em relação aos 0,28% registrados em fevereiro. Os custos relacionados a materiais e equipamentos avançaram de 0,26% para 0,55%, enquanto a mão de obra acelerou de 0,30% para 0,57%.
Entre os itens que mais influenciaram positivamente o INCC, destacam-se o cimento Portland comum, com um aumento de 1,80%; a massa de concreto, que registrou 1,43%; e os blocos de concreto, que cresceram 1,27%. Todos esses itens são intensivos em energia. “Itens como massa de concreto, blocos e cimento já mostram pressão associada ao aumento dos insumos energéticos”, avaliou Dias.
Difusão da inflação amplia
O núcleo do IPC teve um incremento de 0,37% em março, superando os 0,27% registrados em fevereiro, o que indica que a pressão inflacionária não está concentrada em poucos itens. O índice de difusão, que mede a proporção de itens com variação positiva, atingiu 65,48%, representando um avanço de 8,38 pontos percentuais em comparação a fevereiro, quando estava em 57,10%. A próxima divulgação do IGP-DI, com dados coletados entre 1º a 30 de abril, ocorrerá no dia 8 de maio.
Fonte: timesbrasil.com.br

