Georgieva do FMI pede à China que acelere a transição de exportações.

Georgieva do FMI pede à China que acelere a transição de exportações.

by Patrícia Moreira
0 comentários

Lei sobre o crescimento econômico da China

BEIJING — A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que a China precisa “acelerar” o apoio ao consumo interno e reduzir sua dependência das exportações para o crescimento econômico. Durante uma coletiva de imprensa, Georgieva destacou que, como a segunda maior economia do mundo, a China é grande demais para depender do crescimento baseado em exportações, e continuar nesse caminho pode aumentar as tensões comerciais globais.

Georgieva enfatizou a urgência da mudança, afirmando que seria “benéfico para a China e também para a economia mundial”. A diretora do FMI observou que essa transformação é necessária para evitar que outros países adotem medidas para restringir as exportações chinesas. Seus comentários foram feitos em um momento de escalada nas tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, enquanto Europa e países como o México demonstram preocupação crescente com o volume de automóveis e outros produtos provenientes da China. Além disso, o superávit comercial da China alcançou um recorde de mais de 1 trilhão de dólares até novembro deste ano.

O consumo do país permanece fraco desde a pandemia, em parte devido à queda contínua no setor imobiliário, que tem impactado o sentimento das famílias. Georgieva apontou que o FMI estima que a China precisaria investir cerca de 5% de seu PIB nos próximos três anos para resolver de maneira efetiva os problemas enfrentados pelo setor imobiliário. Ela acredita que isso pode ser conseguido com uma gestão fiscal e de políticas industriais mais rigorosa.

A diretora também mencionou a importância de que os formuladores de políticas se mostrem mais ativos na conclusão da construção de apartamentos já vendidos e que permitam a saída de desenvolvedores imobiliários “não viáveis”. “Chamamos essas empresas de zumbis. Bem, devemos deixar os zumbis irem embora”, declarou.

Aumento dos gastos sociais e consumo

Georgieva também afirmou que uma análise do FMI revelou que o aumento dos gastos em apoio social, especialmente em áreas rurais, poderia impulsionar o consumo em até 3 pontos percentuais do PIB no médio prazo. Ela ressaltou que, apesar da necessidade de medidas políticas específicas, é fundamental que as forças de mercado tenham um papel mais destacado, especialmente no que se refere ao desenvolvimento tecnológico da China e à moeda yuan.

“O que queremos observar é uma taxa de câmbio do RMB baseada no mercado, que reflita os fundamentos econômicos”, acrescentou. O FMI declarou em um comunicado na quarta-feira que a baixa inflação da China, em comparação com seus parceiros comerciais, “contribuiu para a depreciação real da taxa de câmbio, favorecendo exportações robustas e um aumento do superávit em conta corrente”.

Atualização do PIB da China

Na mesma quarta-feira, o FMI também revisou sua previsão de crescimento econômico da China para o próximo ano, elevando-a para 4,5%, com base em estímulos domésticos e tarifas mais baixas do que o esperado. Essa é um aumento de 0,3 pontos percentuais em relação à previsão do FMI apresentada em outubro. A entidade também ajustou a previsão de crescimento para 2025, elevando-a em 0,2 pontos percentuais para 5%.

O FMI prevê que a inflação na China suba para uma média de 0,8% no próximo ano, em comparação com 0% neste ano. A China, por sua vez, divulgou na quarta-feira que o índice de preços ao consumidor atingiu seu maior nível em quase dois anos, com um crescimento de 0,7% em novembro em relação ao ano anterior.

Necessidade de estímulos mais urgentes

O FMI sinalizou que a transição da China para um modelo de crescimento mais orientado ao consumo “exige um estímulo mais urgente e assertivo”. Em outubro, os líderes chineses anunciaram que suas metas de desenvolvimento para os próximos cinco anos incluiriam esforços significativos para aumentar o consumo, além de promover a autossuficiência tecnológica. Espera-se que os principais líderes se reúnam em uma reunião anual ainda esta semana para discutir os planos econômicos para o próximo ano.

Visita do FMI à China

Os representantes do FMI fizeram essas observações ao final de uma visita de 10 dias a Beijing e Xangai, onde realizaram a revisão anual da economia chinesa, conhecida como Consulta do Artigo IV. Georgieva participou das discussões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, com o vice-primeiro-ministro He Lifeng, o governador do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, o ministro das Finanças, Lan Fo’an, e o ministro do Comércio, Wang Wentao.

Na terça-feira, Li se reuniu com Georgieva e os líderes de nove outras importantes organizações econômicas internacionais em Beijing. O primeiro-ministro chinês defendeu uma maior cooperação e afirmou que a China conseguirá atingir suas metas econômicas para este ano, de acordo com declarações de Sonali Jain-Chandra, Chefe da Missão para a China, que liderou a visita. O primeiro vice-diretor-gerente do FMI, Dan Katz, também participou de parte da missão e se reuniu com altos funcionários chineses.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy