Governo deve cortar gastos ou ajustar meta de inflação para reduzir juros, afirma Gustavo Franco.

Governo deve cortar gastos ou ajustar meta de inflação para reduzir juros, afirma Gustavo Franco.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Taxa Básica de Juros e Situação das Contas Públicas

O ex-presidente do Banco Central (BC) e fundador da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco, discute a atual configuração da taxa básica de juros, destacando que a sua elevação está em conformidade com o estado das contas públicas do país. Franco argumenta que o governo deve optar por alterar sua política fiscal, que inclui a redução de despesas e do déficit, ou modificar a meta de inflação. Segundo ele, caso nenhuma dessas medidas seja adotada, o juro permanecerá sob uma pressão significativa.

Meta de Inflação e Expectativas do Mercado

Atualmente, a meta de inflação está estipulada em 3% em um período de 12 meses, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Em fevereiro, o índice acumulado em um intervalo de um ano ficou abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. De acordo com a última edição do Boletim Focus, o mercado financeiro projeta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve finalizar 2026 em 4,10%. Esse valor, embora dentro do teto, está acima do centro da meta estabelecida.

Expectativas para a Selic

O mercado financeiro também acredita em uma possível redução da Selic em 0,25 ponto percentual esta semana. Franco explicou que a Selic deve permanecer em um patamar elevado, uma vez que a delicada situação das contas públicas requer um prêmio maior para que os investidores optem por comprar os títulos emitidos pelo Tesouro. Ele afirmou que "a Selic reflete uma inconsistência entre o fiscal e o monetário", destacando o grande déficit fiscal, denominado déficit primário, que contrasta com a meta de inflação definida pelo governo de 3%.

Direções Opostas

Franco acrescentou que o Brasil está operando em direções contraditórias. Com o governo utilizando recursos públicos para estimular o crescimento econômico, as políticas do BC visam uma meta de inflação baixa, o que acaba por drenar os esforços de expansão que o governo tenta implementar.

Impactos do Conflito no Oriente Médio

Sinalização do Copom

Na mais recente ata de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), foi indicado o início de um processo de corte nos juros a partir da próxima quarta-feira, 18. O corte é considerado viável devido à desaceleração da inflação, que voltou a ficar dentro do teto da meta após meses em que a Selic permaneceu em 15% ao ano.

Efeitos da Instabilidade Regional

Entretanto, a recente instabilidade no Oriente Médio apresenta desafios adicionais à tomada de decisão. Desde que os Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã, dando início a um conflito que se alastrou pela região, a cotação do barril de petróleo subiu para mais de US$ 100, atingindo seu nível mais alto desde o período pandêmico. O aumento dos preços dos combustíveis e do custo de frete tem o potencial de pressionar ainda mais a inflação no Brasil.

Avaliação de Gustavo Franco sobre o Conflito

Na avaliação de Gustavo Franco, o conflito no Oriente Médio ainda não possui força suficiente para interromper a tendência de cortes na Selic. "Talvez modifique o ritmo", avaliou. Economistas têm apontado que o corte na Selic poderia ser tanto de 0,5 quanto de 0,25 ponto percentual.

Franco concluiu que "deve haver o início do ciclo de baixa nesta quarta-feira". No entanto, ele ressalta que os desenvolvimentos futuros da situação de conflito determinarão os próximos passos em relação à taxa de juros. "Está cedo para dizer”, finalizou.

Este conteúdo foi publicado originalmente pela IstoÉ Dinheiro, que é parceiro da B3.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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