Estudo sobre Redução de Preços de Seguro de Automóvel
Um estudo realizado pela Trillia, uma linha de negócios da B3 focada em Dados, Analytics e Inteligência Artificial, revela que o uso de modelos estatísticos tem o potencial de reduzir em até R$ 900 o custo do seguro de automóvel para motoristas considerados de menor risco. A pesquisa foi realizada utilizando a plataforma AutoScore Sinistralidade, que é empregada por duas das cinco principais seguradoras de automóveis no Brasil. Essa solução é sustentada por uma base de dados exclusiva da Trillia e combinada com informações de seguradoras que atendem mais de 5 milhões de segurados por todo o território nacional.
Metodologia do Estudo
O estudo segmenta a carteira de clientes em cinco faixas de risco. Essa análise permite identificar onde os preços dos seguros se encontram distorcidos, seja para valores mais altos ou mais baixos, em comparação ao comportamento real dos motoristas segurados. Nas faixas de menor risco, a sinistralidade apresenta um índice 33,8% inferior à média, enquanto nas faixas com maior risco, o número chega a 36% acima da média. Em um dos cenários analisados, a contratação de um seguro com valor de R$ 2.850 poderia ser reduzida para R$ 1.938 para grupos de clientes cuja sinistralidade é 33,8% menor do que a média da carteira.
Impasse entre Preços e Riscos
O diretor de Dados na Trillia, Mauricio Teramoto, afirma que os preços atuais dos seguros frequentemente não refletem o risco real dos motoristas. Para ele, o AutoScore fornece dados que ajudam a corrigir essa distorção, permitindo que tanto a seguradora quanto o cliente alcancem decisões mais equitativas. Teramoto explica que, ao identificar que um grupo de motoristas apresenta sinistralidade 30% abaixo da média e outro 30% acima, torna-se evidente onde estão os desalinhamentos de preço. Esse ajuste não apenas beneficia as seguradoras com uma carteira de clientes mais saudável, mas também permite que os consumidores paguem valores mais justos, independentes de descontos pontuais.
Funcionamento do AutoScore Sinistralidade
Na prática, o AutoScore Sinistralidade atua como um ajuste sobre o método tradicional de cálculo do valor do seguro. Modelos convencionais se concentram, principalmente, na probabilidade de ocorrência de sinistros entre diferentes grupos de clientes e utilizam esses dados diretamente para calcular o prêmio. O novo modelo, por sua vez, analisa a sinistralidade total, considerando o quanto a seguradora recebe em prêmios e o quanto é pago em indenizações ao longo do tempo. Como resultado, a solução da Trillia entra após o cálculo inicial, funcionando como um mecanismo de correção ativa que indica onde houve desalinhamento entre o preço e o risco que realmente foi observado.
Aproximação de Cálculos e Realidade do Segurado
Conforme Teramoto destaca, o objetivo é aproximar os cálculos técnicos da realidade vivenciada pelos segurados. Por exemplo, quando um perfil de cliente apresenta uma sinistralidade esperada de 55% e outro, em circunstâncias distintas relacionadas a renda, localização e padrão de vida, chega a 82%, a seguradora deve parar de tratar esses dois casos de forma idêntica. Essa abordagem possibilita direcionar benefícios de desconto para aqueles que apresentam menos probabilidade de gerar sinistros e ajusta o contrato de quem está mais exposto.
Segmentação de Perfis e Aplicabilidade em Outros Setores
Esse tipo de segmentação permite que as seguradoras deixem de considerar iguais os perfis que, na prática, se comportam de maneira bastante diferente. A metodologia aplicada pelo AutoScore Sinistralidade pode ser estendida a outros segmentos, incluindo seguros residenciais e empresariais. Em todas essas situações, a solução combina dados de mercado, como localização, padrão de vida, e registros de roubos e furtos, com informações internas das seguradoras, como renda, tipo de veículos, propriedades e patrimônio. Essa combinação possibilita identificar oportunidades de ajustes mais precisos na precificação, de forma que sua aplicabilidade seja facilitada em comparação aos métodos tradicionais.
Fonte: borainvestir.b3.com.br
