Estabilização da Dívida Pública e Política Econômica
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou nesta sexta-feira, dia 6, que a estabilização da dívida pública no Brasil não será alcançada exclusivamente por meio da gestão fiscal do governo. Ele ressaltou que a melhora desse indicador está diretamente relacionada à política monetária implementada pelo Banco Central.
Entrevista Coletiva
Durante uma entrevista coletiva, Mello, que está em processo de avaliação para assumir uma diretoria do Banco Central, declarou que a sinergia entre as políticas econômica, fiscal e monetária resultou em efeitos positivos na inflação prevista para 2025.
Relatório da SPE
Um relatório da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado nesta sexta-feira, indicou que o impacto financeiro decorrente do gasto do governo com juros da dívida pública, em face da elevada taxa Selic no Brasil, foi o principal fator que contribuiu para o aumento do endividamento público recentemente.
Mello destacou: “Evidentemente que a dívida é um indicador que não é puramente fiscal; ela depende de decisões de política monetária e de um conjunto de outras variáveis. Assim, a própria projeção da dívida muda significativamente conforme altera a curva de juros”.
Números da Dívida Pública
A dívida pública bruta do Brasil fechou 2025 em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), representando um aumento de 2,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Esse aumento foi fortemente impactado pelos gastos do governo com juros, que totalizaram R$ 1 trilhão no ano.
O relatório da SPE salientou: “Em um cenário de elevado custo financeiro, a promoção do crescimento econômico sustentado é essencial para a estabilização da dívida bruta”.
Taxa Selic e Controle da Inflação
O Banco Central tem mantido a taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, numa tentativa de controlar a inflação. Além disso, o BC sinalizou a possibilidade de iniciar cortes na taxa a partir de março.
Mecanismos para a Estabilização da Dívida
Na entrevista, Mello também enfatizou que o governo conta com ferramentas em seu arcabouço fiscal que contribuem para a estabilização da dívida pública.
A agência de notícias Reuters noticiou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está próximo de confirmar a indicação de Guilherme Mello para assumir a diretoria de Política Econômica do Banco Central, setor responsável pela criação dos modelos utilizados pela autarquia nas decisões relacionadas à política de juros.
Formação e Expectativas
Professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Mello trabalhou no plano econômico de Lula durante a campanha para as eleições de 2022. Sua orientação política à esquerda gerou apreensão no mercado financeiro, refletindo-se nas taxas de juros de longo prazo.
Fonte: www.moneytimes.com.br


