Inteligência Artificial e o Futuro do E-commerce
A inteligência artificial (IA) pode provocar uma ruptura significativa no modelo tradicional do comércio eletrônico, que se baseia em buscas por palavras-chave e listas de produtos. Essa transformação poderá alterar a maneira como os consumidores realizam compras online, conforme indicou Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza (MGLU3), durante o evento VTex Day, realizado na quinta-feira, 16.
Mudança no Modelo de Compras
De acordo com Trajano, o formato que predominou no varejo digital ao longo das últimas duas décadas, no qual o consumidor pesquisa, compara e decide entre diversas opções, tende a perder relevância. À medida que sistemas de IA começam a mediar a experiência de compra, a jornada do cliente se tornará cada vez mais conversacional.
Interação com Assistentes Digitais
Essa mudança implica uma alteração substancial na lógica do consumo digital. Em vez de navegar por várias páginas e filtrar produtos manualmente, os clientes passarão a interagir com assistentes digitais que são capazes de compreender contexto, preferências e histórico de comportamento. Isso permitirá uma entrega de recomendações mais precisas, além de reduzir as dificuldades ao longo do processo de compra.
Trajano ressalta que essa evolução vai além das recomendações, ampliando-se para a execução das decisões dos consumidores. “Você poderá dizer: quando esse produto baixar de preço, compre para mim e mande”, explicou. Nesse novo cenário, a IA não será apenas uma ferramenta de apoio, mas atuará como um agente ativo, capaz de realizar transações de forma autônoma.
Impacto no Varejo
Para o CEO do Magazine Luiza, essa transformação pode ter um impacto equivalente ao que ocorreu com a transição do varejo físico para o digital. Ele sugere que essa nova jornada pode fazer com o e-commerce o que o e-commerce fez com as lojas físicas, indicando que o modelo atual pode perder destaque à medida que novas interfaces ganham significado e escala.
Coexistência de Modelos
Apesar da expectativa de mudança, Trajano observa que o formato tradicional não deve desaparecer completamente, mas deverá dividir espaço com experiências mais personalizadas. Atualmente, a navegação baseada em busca ainda representa uma parte significativa das interações no comércio eletrônico, mas já começa a ser complementada por jornadas que utilizam recomendações e interação direta com sistemas inteligentes.
Testes do Novo Modelo
O Magazine Luiza já está implementando esse novo modelo de interação por meio de assistentes digitais, como a “Lu”, além de fazer integrações com canais de mensageria como o WhatsApp. Trajano aponta que a experiência de compra interativa tem mostrado resultados positivos, afirmando: “A gente já vê que o processo de interação resulta em vendas mais efetivas”.
Comportamento do Consumidor
Ele também destaca que a adoção desse novo padrão de compra já está em andamento. Segundo Trajano, aproximadamente 60% dos consumidores brasileiros iniciam suas compras com base em recomendações, não se restringindo apenas a buscas tradicionais. Isso indica uma mudança real no comportamento dos consumidores.
A Revolução da IA
Trajano posiciona a IA como a terceira grande revolução tecnológica recente, após o advento da internet e a popularização dos smartphones. Ele acredita que a IA possui um potencial ainda mais significativo para promover mudanças. Ao contrário das ondas anteriores, a IA impacta simultaneamente a forma como as empresas operam, como tomam decisões e como se relacionam com seus clientes.
Automatização e Funções Estratégicas
Dentro deste novo panorama, o executivo destacou que a tecnologia deve ser capaz de automatizar tarefas operacionais, permitindo que as equipes se dediquem a funções mais estratégicas. “O dia a dia será automatizado; os humanos lidam com problemas mais complexos”, afirma Trajano.
Importância do Juízo Humano
Ao mesmo tempo, ele ressalta que, apesar do avanço da tecnologia e dos dados disponíveis, a tomada de decisões estratégicas ainda demandará o julgamento humano. “Não existem decisões na vida que você toma apenas com base em dados, especialmente quando se está considerando o futuro”, explicou, enfatizando a importância da intuição em situações de maior incerteza.
Conclusão
Para Trajano, a combinação de IA, personalização e automação promoverá uma redefinição significativa do varejo nos próximos anos. As empresas do setor precisarão se adaptar rapidamente a essa nova dinâmica competitiva que está surgindo.
Fonte: www.moneytimes.com.br


