Ibovespa e o Cenário Atual do Mercado
O Ibovespa (IBOV) aproxima-se de sua terceira jornada consecutiva de recordes, logo após o evento conhecido como ‘Super Quarta’. A expectativa de um início de cortes nos juros pelo Copom em março tem contribuído para aumentar o apetite ao risco no mercado brasileiro, resultado no fechamento da curva de juros futuros, o que, por sua vez, favorece principalmente as ações de setores cíclicos.
Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o índice principal da bolsa brasileira apresentava um crescimento de 0,68%, alcançando a marca histórica de 185.952,18 pontos.
O dólar à vista, por sua vez, estava em uma trajetória de queda em relação ao real, acompanhando o desempenho da moeda no cenário internacional. No mesmo horário mencionado, a cotação da moeda americana recuava para R$ 5,1844, representando uma diminuição de -0,43%.
Temas Relevantes para Investidores no Ibovespa em 29 de Fevereiro
1 – Sinalização de Redução na Taxa de Juros pelo Copom
Na quarta-feira (28), o Copom optou por manter a taxa Selic em 15% ao ano, o que representa o maior patamar da taxa básica de juros desde meados de 2006. Esta foi a quinta manutenção consecutiva e atendeu às expectativas do mercado, sendo a decisão unânime entre os diretores.
No comunicado à imprensa, a avaliação do Copom indicou que o cenário internacional continua a ser incerto, em particular em relação à política econômica dos Estados Unidos. Os diretores ressaltaram que a situação atual requer cautela por parte dos países emergentes, em um ambiente que é marcado por tensões geopolíticas.
Em relação à economia doméstica, o Banco Central destacou que o conjunto de indicadores de atividade econômica ainda mostra uma trajetória de moderação no crescimento, embora o mercado de trabalho esteja apresentando sinais de resiliência.
Notavelmente, o Copom indicou a possibilidade de iniciar os cortes na taxa de juros já em março. “O Comitê prevê, se o cenário se confirma, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, enfatizando, no entanto, que manterá a restrição necessária para garantir que a inflação siga em direção à meta estabelecida”, afirmou o comunicado oficial.
2 – Situação das Contas Públicas
O governo central, que inclui o Tesouro Nacional, o Banco Central e a Previdência Social, registrou um superávit primário de R$ 22,107 bilhões em dezembro. No entanto, houve uma acumulação de um saldo negativo total de R$ 61,691 bilhões ao longo do ano de 2025, conforme os dados divulgados pelo Tesouro Nacional na manhã de quinta-feira (29).
É importante notar que esse total inclui despesas extraordinárias que não serão consideradas na apuração da meta fiscal, como os gastos com precatórios e as indenizações de aposentados. Ao excluir essas despesas extraordinárias, o déficit do ano reduz-se para R$ 13,008 bilhões, representando 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Tesouro.
Com isso, o resultado após as deduções atende à meta fiscal estabelecida para o ano, que é de déficit zero, levando em conta uma tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB.
3 – Mudanças no Ministério da Fazenda
Em uma entrevista concedida ao portal Metrópoles na manhã desta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que “com certeza” deixará o cargo em fevereiro. No entanto, destacou que não pode estabelecer uma data exata para sua saída antes de consultá-lo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Haddad evitou comentar sobre a pessoa que poderá assumir seu cargo, informando que cabe ao presidente anunciar seu sucessor. Nos últimos dias, o mercado financeiro repercutiu rumores de que Haddad teria indicado o secretário-executivo, Dario Durigan, considerado o número dois da pasta, para assumir a função.
4 – Investigação sobre o Banco Master
O Banco Central deu início a uma investigação interna relacionada ao Banco Master, com o intuito de analisar todo o processo de fiscalização e liquidação da instituição financeira realizada pela autarquia. A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters.
A sindicância, conduzida de forma sigilosa pela corregedoria da autarquia, foi instaurada a pedido do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no final do ano passado. A notícia foi inicialmente publicada pelo jornal O Globo e posteriormente confirmada pela Reuters.
5 – Juros nos Estados Unidos
No dia anterior (28), o Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) decidiu manter os juros inalterados, estabelecendo a faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, como era esperado. Essa decisão interrompeu o ciclo de cortes que havia sido iniciado em setembro do ano passado.
Mais uma vez, a deliberação não obteve unanimidade; os diretores Stephen Miran, indicado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Christopher Waller, que é um dos cogitados para suceder Jerome Powell, votaram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa referencial.
No comunicado que acompanhou a decisão, o FOMC destacou que as incertezas relacionadas à economia norte-americana permanecem altas. “O Comitê visa alcançar o máximo de emprego e uma inflação em torno de 2% ao longo do tempo. As incertezas sobre as perspectivas econômicas continuam elevadas. O Comitê se mantém atento aos riscos relacionados ao seu duplo mandato”, afirmaram os diretores.
Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a instituição continuará a monitorar tanto o emprego quanto a inflação e que um novo corte na taxa de juros dependerá de indícios mais claros de um enfraquecimento no mercado de trabalho ou de evidências de que a inflação retornará à meta de 2% de forma sustentável.
Fonte: www.moneytimes.com.br

