Inflação dos Alimentos no Reino Unido Recua para 1,7%, Superando Expectativas

Inflação dos Alimentos no Reino Unido Recua para 1,7%, Superando Expectativas

by Fernanda Lima
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Inflação alimentar no Reino Unido apresenta desaceleração

Os alertas sobre uma possível aceleração substancial da inflação alimentar no Reino Unido não se materializaram até o momento. A intensa concorrência entre os supermercados, a crescente utilização de hedge pelos fornecedores e a resistência dos consumidores a preços mais altos têm contribuído para minimizar o impacto do aumento dos custos do setor alimentício.

Contexto da inflação alimentar

No mês de fevereiro, o setor alimentício britânico havia advertido que o aumento nos preços da energia, em decorrência de ataques dos EUA e da Israel ao Irã, poderia levar a inflação dos preços dos alimentos a próximos de 10% até o Natal. Contudo, seis meses após esse alerta, a tendência se mostra diferente, com a inflação dos alimentos caindo para o menor nível registrado em quase dois anos. Nos últimos 12 meses até junho de 2026, os preços de alimentos e bebidas não alcoólicas no Reino Unido aumentaram apenas 1,7%, uma desaceleração em relação aos 2,2% registrados em maio e marcando a taxa mais fraca desde agosto de 2024. Este valor ficou significativamente abaixo da taxa de 3,6% projetada pelo Banco da Inglaterra para o mesmo período e muito aquém do aumento de mais de 9% que a Federação de Alimentos e Bebidas havia previsto para dezembro.

A concorrência entre supermercados mantém os preços sob controle

A competição acirrada entre as principais cadeias de supermercados da Grã-Bretanha tem sido um dos principais fatores limitadores da inflação alimentar. Empresas como Tesco, Sainsbury’s, Asda, Morrisons, Marks & Spencer, Aldi e Lidl têm disputado ferozmente os clientes, levando os varejistas a relutarem em repassar integralmente o impacto do aumento dos custos aos consumidores.

Estratégias de preço e sua importância

Os preços de produtos frescos e refrigerados se tornaram especialmente significativos, pois os consumidores frequentemente utilizam esses preços como critério ao decidir onde realizar as compras. Em decorrência dessa dinâmica, alguns supermercados têm recuado em suas margens para manter preços competitivos. Os produtores de alimentos de marca têm sido cautelosos ao solicitar aumentos de preços, temendo que isso leve os consumidores a optarem por alternativas mais baratas, como as marcas próprias dos supermercados. Clive Black, chefe de pesquisa de consumo da Shore Capital, afirmou que a elevada competitividade do setor é o principal fator que freia a inflação alimentar, que não avança conforme as previsões.

Dados de mercado

Dados da Worldpanel by Numerator indicam que a participação de mercado da Tesco caiu em junho e julho pela primeira vez desde julho de 2023, evidenciando a pressão competitiva significativa enfrentada até mesmo pelo maior supermercado do Reino Unido. O diretor executivo da Tesco, Ken Murphy, descreveu o setor de supermercados do país como um mercado “incrivelmente competitivo”.

Promoções ajudam os consumidores a gerenciar as despesas com supermercado

Os varejistas têm recorrido a promoções como uma forma de atrair e fidelizar clientes, especialmente após anos caracterizados por uma melhora fraca nos padrões de vida e um prolongado aperto econômico. Dados da Worldpanel revelam que quase um terço das compras em supermercados foram realizadas por meio de promoções nas quatro semanas até 14 de junho.

Intensidade da concorrência

Um estudo semanal de preços publicado pela revista The Grocer ilustra ainda mais a competição acirrada no setor. Cinco grandes grupos de supermercados foram identificados como os varejistas mais baratos em pelo menos uma das últimas 15 pesquisas da publicação. Além disso, a contínua expansão das redes alemãs Aldi e Lidl intensificou a pressão, exigindo que os grupos de supermercados tradicionais mantenham-se competitivos tanto nos preços do cotidiano quanto nas ofertas promocionais. Kunal Kothari, gestor de fundos da Aviva Investors, que possui ações da Tesco e da Sainsbury’s, comentou que existem várias iniciativas em andamento para controlar custos, pressionar a inflação e manter o preço percebido pelo consumidor sob controle.

A redução de custos proporciona maior flexibilidade aos supermercados

A competitividade nas prateleiras dos supermercados é acompanhada por esforços significativos de redução de custos. Os varejistas implementaram programas que visam reduzir despesas operacionais em resposta a aumentos em salários, impostos, custos regulatórios e outras pressões. Essas estratégias conferem maior margem de manobra para evitar a transferência de aumentos de custos aos consumidores.

Economias e automação

A Tesco, por exemplo, gerou economias superiores a 2,2 bilhões de libras (cerca de 3 bilhões de dólares) nos últimos quatro anos e planeja economizar mais 500 milhões de libras neste ano. O uso da automação na cadeia de suprimentos tem sido uma dos fatores que contribuiram para essas eficiências, e a inteligência artificial está sendo cada vez mais empregada para aprimorar decisões relacionadas ao ajuste de preços e para reduzir o desperdício de alimentos. Essas economias permitem que os varejistas mantenham os preços baixos, mesmo diante do aumento em outras áreas de custo.

Fornecedores mais bem preparados para a volatilidade das commodities

Os fabricantes e fornecedores de alimentos também revisaram suas abordagens após os impactos inflacionários decorrentes da invasão da Ucrânia pela Rússia. Empresas que antes estavam vulneráveis a aumentos súbitos nos preços de energia e ingredientes agora adotar uma gestão de custos mais proativa. Essas mudanças tornam os fornecedores menos suscetíveis à volatilidade de curto prazo do mercado de commodities.

Fornecedores ajustados ao novo cenário

Murphy, da Tesco, comentou que os fornecedores “aprenderam a lição”, e as empresas agora apresentam uma postura mais cautelosa em relação a essa nova realidade. A recente queda nos preços de algumas commodities agrícolas, como cacau e café, também oferece alívio adicional para produtores e varejistas. Entretanto, a economista Bruna Skarica, do Morgan Stanley UK, enfatiza que o ambiente competitivo que a Tesco enfrentará neste ano será mais desafiador. Embora a empresa tenha conseguido aumentar preços e simultaneamente ganhar participação de mercado entre 2023 e 2025, esse cenário tornou-se mais complicado para 2026.

A queda da inflação tem um custo para os lucros

Embora os consumidores tenham conseguido evitar os aumentos de preços de alimentos que eram previamente temidos, as consequências financeiras para os supermercados são evidentes. Tanto a Tesco quanto a Sainsbury’s apresentaram intervalos de previsões de lucro para o ano que são excepcionalmente amplos. As projeções mais conservadoras indicam que os lucros serão inferiores aos do ano anterior.

Dilemas enfrentados pelo setor

Essa situação ilustra o dilema enfrentado pelo setor: os varejistas podem optar por absorver custos mais elevados para proteger sua participação de mercado, mas essa estratégia pressiona suas margens de lucro. Além disso, permanece a questão de quanto tempo os supermercados conseguirão continuar protegendo as famílias, caso os custos operacionais e da cadeia de suprimentos permaneçam elevados.

Os riscos relacionados aos preços dos alimentos não desapareceram

A inflação alimentar se manteve relativamente sob controle em toda a zona euro, embora a inflação geral no Reino Unido seja superior à de outras partes da Europa. Essa situação pode sugerir que os supermercados e fornecedores britânicos absorveram uma parte maior dos aumentos de custo recentes, ao invés de repassá-los imediatamente aos consumidores. Para as famílias, essa tendência representa um alívio em meio a uma pressão maior sobre o custo de vida, especialmente considerando que o governo do primeiro-ministro Andy Burnham prioriza questões de acessibilidade.

Incertezas futuras

No entanto, as perspectivas continuam incertas. A recente seca na Grã-Bretanha representa uma possível ameaça à produção agrícola e aos custos alimentares em 2027, enquanto os mercados de energia e de commodities permanecem suscetíveis a perturbações geopolíticas. A experiência dos últimos seis meses indica que varejistas e fornecedores estão agora mais bem preparados para lidar com choques repentinos de custos, em comparação a períodos anteriores de inflação. Contudo, a habilidade deles em continuar navegando por esse cenário sem afetar significativamente a lucratividade será uma questão crucial para o restante do ano.

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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