Prévia da Inflação em Março
A prévia da inflação de março, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), apresentou uma desaceleração, passando de 0,84% em fevereiro para 0,44% em março. Este resultado ficou acima das expectativas do mercado, que esperava um aumento de apenas 0,29%, de acordo com a pesquisa Projeções Broadcast. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 registrou uma alta de 3,9%.
Componentes Voláteis e Expectativas do Mercado
De acordo com economistas consultados pelo Money Times, os principais fatores que contribuíram para a alta inesperada foram itens mais voláteis, como alimentos e passagens aéreas. Embora tenha havido uma desaceleração nos principais núcleos da inflação, os especialistas alertam para a resiliência inflacionária e os riscos altistas associados ao conflito no Oriente Médio.
A expectativa é de que as estimativas do mercado para o IPCA de 2026 serão elevadas nos próximos dias, refletindo a recente dinâmica dos preços do petróleo.
Quadro Inflacionário Não É ‘Tranquilo’
O economista do Banco BV, Carlos Lopes, destaca que o aumento das passagens aéreas contribuiu com 0,10 ponto percentual para o IPCA-15. Lopes havia previsto uma correção desse item, após uma alta significativa de 11% na prévia da inflação de fevereiro.
Além disso, embora a desaceleração dos núcleos inflacionários na margem tenha ocorrido, Lopes não considera que o cenário inflacionário esteja “tranquilo”, ressaltando que a inflação permanece próxima dos 4% no acumulado de 12 meses. Segundo ele, “é uma inflação que está desacelerando, mas que ainda é qualitativamente preocupante, apresentando resiliência, o que exige certa cautela por parte do Banco Central”.
Ao examinar os preços livres, que englobam alimentos, bens industriais e serviços, Lopes observa que os serviços demonstram uma maior resiliência, uma vez que estão mais relacionados ao mercado de trabalho. Em contrapartida, os preços de alimentos e bens são muito mais voláteis. Ele afirma: “Estamos mais suscetíveis a choques devido à inflação elevada em serviços e à pressão sobre alimentos e bens no curto prazo”.
Apesar da inflação de bens industriais e alimentos ter se mantido em 2% no acumulado de 12 meses, esse número pode se intensificar caso a pressão se mantenha, segundo o economista.
Para os próximos períodos, a expectativa de Lopes é que o preço da gasolina resulte em um impacto maior no IPCA de março. A estimativa preliminar do BV para a inflação do mês é de 0,69%. Além disso, a projeção para a inflação anual do IPCA, que antes estava prevista em 4,1%, deve ser revista para 4,5%, devido aos efeitos do choque nos preços do petróleo.
Deterioração Adicional na Inflação
Segundo o economista da XP Investimentos, Alexandre Maluf, as principais surpresas de alta na inflação derivaram de componentes voláteis, como alimentos e passagens aéreas. No entanto, a corretora prevê uma deterioração adicional do cenário inflacionário a curto prazo, impulsionada pelos efeitos do conflito no Oriente Médio.
Maluf argumenta que, considerando que parte dos impactos da guerra pode ser persistente para a inflação, a corretora está prestes a revisar suas projeções inflacionárias, especialmente para 2026, que atualmente está fixada em 3,8%. Neste momento, os modelos indicam uma inflação próxima de 4,3%, mesmo sob a hipótese de término do conflito e estabilização do preço do petróleo na média de US$ 80 o barril ao longo do ano.
IPCA-15 Acima do Esperado é Relevante
O UBS Wealth Management classifica como um “evento relevante” o fato de o IPCA-15 de março ter superado as expectativas, especialmente em uma semana em que o Banco Central começou a implementar um ciclo de afrouxamento monetário, em meio a um significativo choque de oferta, resultando em alta nos preços de combustíveis e alimentos.
O relatório do banco aponta que a pressão dos preços voláteis — e o impacto desses choques sobre os núcleos de inflação tende a ser persistente — pode ocasionar um núcleo de serviços que já está próximo de 6%, indicando que a inflação pode permanecer em níveis desconfortavelmente altos no futuro. Adicionalmente, o UBS WM destaca que as revisões de alta nas expectativas de inflação no Boletim Focus devem se intensificar nas próximas semanas.
Fonte: www.moneytimes.com.br

