Mudança de Carreira
Michelle Yeung, uma engenheira de software que recebia aproximadamente US$ 250 mil anuais, começou a se sentir cada vez mais desconectada de seu trabalho. Em entrevista à CNBC Make It, ela expressou seu desejo de transitar para uma profissão que melhorasse a vida das pessoas ou promovesse a felicidade de alguma forma. Ao invés de tomar a decisão de se demitir abruptamente, dedicou meses para refletir sobre o próximo passo em sua carreira.
Ideia da Cafeteria
No verão de 2024, Yeung considerou abrir uma cafeteria especializada em matcha em Manhattan. A ideia surgiu ao perceber a falta de opções de qualidade na cidade e ao se questionar por que o matcha que preparava em casa era superior ao de muitos estabelecimentos.
Preparação para a Transição
Antes de deixar seu emprego bem remunerado, ela começou a se preparar para a nova jornada. Trabalhou em uma unidade da Starbucks com turnos que começavam às 5h da manhã, com o objetivo de aprender a rotina de uma cafeteria. Além disso, viajou para o Japão a fim de estudar o matcha e acumulou economias para financiar seu novo empreendimento.
Abertura da Matcha House
Atualmente, Yeung é proprietária da Matcha House, localizada no Lower East Side, em Manhattan. De acordo com ela, a empresa está projetada para registrar lucro já no seu primeiro ano de funcionamento e está gradualmente recuperando o capital investido na abertura das operações.
Experiência na Starbucks
Após decidir que abrir uma cafeteria era o caminho certo, Yeung se propôs a aprender tudo que podia antes de se despedir da tecnologia. A viagem ao Japão foi fundamental para compreender melhor a cadeia de produção do matcha, uma bebida feita a partir do chá-verde moído em pó. Durante essa jornada, estudou diversas técnicas de cultivo, preparo e serviço, além de testar diferentes proporções entre o pó e a água, visando resultados consistentes.
De volta a Nova York, reuniu amigos para provar diferentes variedades de matcha e continuou investigando a viabilidade financeira do seu negócio. Sem experiência anterior no setor alimentício, trabalhou durante vários meses “disfarçada” em uma Starbucks, das 5h às 10h da manhã, antes de sua jornada completa como engenheira de software.
“Eu estava em uma missão pessoal”, relembra.
Busca pelo Ponto Comercial
A preparação para a abertura da cafeteria também envolveu uma longa busca por um ponto comercial. Yeung visitou diversos imóveis e negociou com proprietários, muitos dos quais eram relutantes em alugar espaços para alguém que estava prestes a iniciar seu primeiro empreendimento.
Após meses de procura, ela encontrou um pequeno imóvel em uma rua secundária do Lower East Side, que mais tarde descreveu como “praticamente perfeito” por ser compacto, bem localizado e relativamente acessível para os padrões da área. Em março de 2025, Yeung havia acumulado mais de US$ 200 mil em economias e decidiu deixar definitivamente a carreira na área tecnológica.
Desafios na Inauguração
Apesar de todo o planejamento, a abertura da cafeteria foi marcada por imprevistos. Yeung relata que muitos prestadores de serviço frequentemente deixavam tarefas inacabadas, resultando em atrasos e contratempos. Na véspera da inauguração para amigos e familiares, a cafeteria enfrentou uma inundação.
“Nos bastidores, tudo estava alagado e tivemos que limpar a água”, ressaltou.
Apoio dos Amigos
Ela enfatiza que não teria conseguido abrir o negócio sem o suporte de amigos, que ajudaram a montar os móveis, a instalar cortinas e a finalizar os preparativos para a inauguração. Quando a Matcha House abriu suas portas em julho de 2025, Yeung trabalhava até 12 horas por dia e preparava pessoalmente todas as bebidas servidas.
“Nos dois primeiros meses, apenas eu confiava em mim mesma para preparar cada bebida”, compartilhou.
Delegação de Responsabilidades
Com o passar do tempo, Yeung começou a delegar algumas responsabilidades e atualmente a cafeteria conta com cerca de dez funcionários de meio período, permitindo que ela não precise estar presente atrás do balcão todos os dias. Ao refletir sobre sua experiência na Starbucks, ela considera que foi uma fase de treinamento intensivo no setor alimentar antes da inauguração da Matcha House.
Perspectivas Futuras
A empresária declarou que o negócio está a caminho de finalizar o primeiro ano com lucro e que está gradualmente recuperando os recursos investidos na abertura. Para o ano de 2026, ela projeta uma remuneração pessoal de cerca de US$ 33 mil enquanto reinveste a maior parte dos lucros da empresa no próprio negócio. Suas despesas pessoais permanecem relativamente baixas, abaixo de US$ 2.500 mensais.
“Minha vida hoje está menos relacionada ao quanto ganho e mais ao que faço diariamente”, finalizou. “Depois de um ano de empresa, sou grata por termos superado o primeiro ano e estarmos em condições de enfrentar o próximo.”
Fonte: timesbrasil.com.br


