Juros Elevados Adiam Decisões de Expansão
A combinação de taxas de juros altas, tanto no Brasil quanto no exterior, tem levado as empresas a postergar decisões relacionadas à expansão e novos investimentos, enquanto esperam por uma maior clareza no cenário econômico global.
Projetos Em Curso
De acordo com o economista Pedro Renault, do Itaú Unibanco, apenas projetos classificados como essenciais ou com alta rentabilidade estão em andamento. A maioria do setor produtivo se encontra em um estado de espera.
“O que a gente vê é uma perspectiva de menor demanda à frente e um apetite menor para investir. Só os projetos muito óbvios, muito rentáveis, acabam saindo do papel”, afirmou Renault em entrevista ao CNN Money.
Endurecimento da Política Monetária
Esse contexto é observado em meio ao endurecimento das políticas monetárias em diversas economias. Nesta semana, o Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros pela primeira vez em quase três anos, em resposta ao aumento da inflação, que foi impulsionada pelo aumento dos custos de energia devido ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã.
A autoridade monetária também revisou suas projeções inflacionárias para este e o próximo ano em alta.
Expectativas na Ásia
Na Ásia, o mercado aguarda uma nova elevação das taxas pelo Banco do Japão (BoJ), cuja reunião se encerrará na próxima terça-feira (16). A expectativa é que a taxa básica de juros suba de 0,75% para 1%, atingindo seu nível mais alto desde 1995. Essa mudança reflete as preocupações da instituição em relação aos impactos inflacionários gerados pelo conflito no Oriente Médio.
Para Renault, esse movimento global fornece uma explicação para o motivo pelo qual o processo de flexibilização monetária no Brasil tende a ser mais lento.
Dinâmica da Dívida Pública
“Existe um consenso de que o Brasil precisa conter a dinâmica da dívida pública. Se isso acontecer, você cria um ciclo virtuoso, com menos pressão inflacionária e espaço para juros mais baixos”, declarou o economista.
Ele acrescentou que a situação atual tem um impacto direto nos planos empresariais. Setores que dependem de crédito, como o de materiais de construção, eletrodomésticos e parte da indústria, estão sentindo de forma mais intensa os efeitos das taxas de juros elevadas. O encarecimento do financiamento reduz a demanda e dificulta a viabilidade de novos projetos.
Setores Estratégicos em Andamento
Por outro lado, investimentos que são considerados estratégicos ou obrigatórios continuam em andamento. Isso se aplica a segmentos ligados à infraestrutura, como as concessões de saneamento e rodovias, assim como áreas que requerem investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento, incluindo a indústria farmacêutica e automotiva.
Atração de Capital Estrangeiro
José Gaino, sócio da Blackbird, destaca que o diferencial nas taxas de juros continua sendo um fator importante para atrair capital estrangeiro e evitar a migração de recursos para economias vistas como mais seguras, como a dos Estados Unidos.
“Os fatores globais são o que mais vêm impactando essa reprecificação dos juros. Se os juros brasileiros caem enquanto os norte-americanos sobem, há uma tendência de o investidor preferir alocar recursos nos EUA”, explicou Gaino.
Além disso, muitas empresas estão optando por aguardar uma definição mais clara do cenário econômico antes de expandir investimentos ou assumir novos compromissos financeiros.
Expectativa dos Empresários
“O que a gente percebe é um movimento muito de aguardar, de entender o que vai acontecer diante de toda essa instabilidade dos últimos meses. Hoje, o empresário consegue esperar porque está alocado em uma Selic elevada, rendendo em torno de 14%”, afirmou o executivo em entrevista à CNN Money.
Gaino também ressaltou que o principal impacto das taxas de juros elevadas tem sido observado na gestão financeira das empresas. Em especial, as que enfrentam prazos cada vez mais longos para receber de seus clientes, ao mesmo tempo em que precisam manter suas despesas operacionais em dia.
Pressões sobre o Fluxo de Caixa
“O que a gente vem observando é que as empresas estão recebendo com prazos muito esticados e precisam trazer esse valor para o presente para honrar seus pagamentos. O custo de capital mais alto torna esse processo mais caro e aumenta a pressão sobre os negócios”, explicou Gaino.
Segundo ele, esse cenário contribui para o aumento da inadimplência e por crédito de curto prazo.
Tendências Futuras
Na visão de Gaino, enquanto os juros permanecerem em níveis elevados e as incertezas globais continuarem, a tendência é que os empreendedores brasileiros mantenham uma postura defensiva.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
