Líbano preocupa-se em se tornar o bode expiatório da geopolítica após o acordo entre EUA e Irã - Times Brasil

Líbano preocupa-se em se tornar o bode expiatório da geopolítica após o acordo entre EUA e Irã – Times Brasil

by Fernanda Lima
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O acordo entre os Estados Unidos e o Irã, que visa encerrar o conflito entre Israel e o Hezbollah, deixa sem resposta muitas questões relacionadas ao Líbano, uma vez que não aborda a retirada das forças israelenses do território libanês e não requer que Teerã interrompa seu apoio ao grupo xiita.

Em meio à pressão dos Estados Unidos, as autoridades libanesas se envolveram em negociações com Israel com o objetivo de alcançar um acordo separado que ponha fim às hostilidades. No entanto, a cidade de Beirute parece ter ficado isolada em relação ao recente anúncio sobre o conflito no Oriente Médio.

O Hezbollah envolveu o Líbano no conflito regional em 2 de março, ao disparar foguetes contra Israel em resposta à morte do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei, durante os ataques realizados por Israel e os Estados Unidos, que levaram ao aumento das hostilidades.

Israel reagiu com bombardeios e uma invasão terrestre, o que, de acordo com relatos provenientes de Beirute, resultou na morte de mais de 3.700 pessoas e no deslocamento de mais de um milhão de cidadãos libaneses.

O que envolve o acordo?

Não foram divulgados os detalhes do memorando de entendimento que busca encerrar a guerra que começou em 28 de fevereiro no Oriente Médio, mas tanto o Irã quanto o Paquistão, que atua como mediador entre as partes, afirmaram que o pacto incluirá o Líbano.

Uma fonte oficial revelou à AFP que “o Líbano não foi informado sobre os termos do acordo, nem sobre a duração do cessar-fogo”.

O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que é aliado do Hezbollah, expressou agradecimento a Washington e Teerã pela “insistência em incluir (…) uma cláusula essencial e vinculante sobre o fim da agressão israelense contra todo o Líbano”.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reiterou, nesta terça-feira, que “talvez a questão mais importante” do acordo feito com Washington seja “a declaração de um fim imediato e permanente da guerra em todos os fronts, incluindo o Líbano”.

Araghchi enfatizou que “o fim da guerra no Líbano é parte inseparável do término total do conflito”.

Ele ainda acrescentou que “qualquer ataque militar por parte do regime sionista contra o Líbano, a partir de agora, e a ocupação contínua de territórios libaneses serão considerados uma violação do memorando de entendimento”.

Nos últimos dias, o Hezbollah não se manifestou sobre novos confrontos com Israel.

Retirada israelense?

As informações disponíveis sobre o pacto não fazem referência a uma possível retirada israelense do sul do Líbano. Na última segunda-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que suas tropas permanecerão no país vizinho por tempo indeterminado.

Karim Bitar, professor de Oriente Médio na Universidade Sciences Po, em Paris, comentou que “o acordo não parece envolver Israel, o que, neste momento, significa que não é uma parte ativa do pacto”.

As forças israelenses controlam uma faixa de território libanês na região da fronteira.

“Dezenas de milhares de soldados israelenses estão presentes no sul do Líbano, onde ocupam posições fixas”, afirmou Bitar.

Ele ressaltou que “esta é a maior invasão desde sua retirada em 2000”, referindo-se à saída anterior de Israel após duas décadas de ocupação.

Que futuro aguarda o Hezbollah?

Os Estados Unidos têm pressionado o Líbano a desarmar o Hezbollah, mas o memorando de entendimento não menciona os combatentes do grupo. Segundo Bitar, “o Irã parece não ter se comprometido a encerrar seu suporte e financiamento ao Hezbollah”.

O especialista militar Riad Kahwaji declarou que “o Hezbollah não aceitará abrir mão de suas armas, o que fará com que a crise se prolongue”. Ele antecipa que essa situação pode resultar em instabilidade política e até mesmo em distúrbios, “especialmente agora que o Hezbollah considera ter saído vitorioso por meio do Irã com este acordo”.

Negociações Israel-Líbano?

Líbano e Israel começaram negociações diretas em Washington desde abril, visando encerrar as hostilidades e desvincular o Líbano do conflito regional. Uma nova rodada de conversação está programada para ocorrer neste mês.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou que seu país intensificará os “esforços” nas negociações em Washington “para assegurar a plena retirada israelense”.

Bitar advertiu que “o Líbano pode se ver novamente como bode expiatório que paga o preço tanto da inexperiência americana, do cinismo iraniano quanto da arrogância israelense”.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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