Maduro saiu, mas seus principais aliados ainda mantêm o poder na Venezuela.

Maduro saiu, mas seus principais aliados ainda mantêm o poder na Venezuela.

by Patrícia Moreira
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Incerteza Após Captura de Maduro

A captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, elogiada por Donald Trump como impressionante e poderosa, traz à tona incertezas sobre quem está realmente no comando do país rico em petróleo.

No último sábado, Trump afirmou que a vice-presidente Delcy Rodriguez, parte do poderoso círculo no topo do governo, havia sido empossada após a prisão de Maduro. Rodriguez teria se comunicado com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, levando à especulação de que ela assumiria o controle do país.

Conforme a constituição da Venezuela, Rodriguez deve se tornar presidente interina na ausência de Maduro, e o tribunal máximo do país ordenou que ela assumisse o cargo na noite de sábado. Contudo, logo após os comentários de Trump, Rodriguez apareceu na televisão estatal acompanhada de seu irmão, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodriguez, do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e do ministro da Defesa, Vladimir Padrino Lopez, afirmando que Maduro continua sendo o único presidente da Venezuela.

A aparição conjunta indicou que o grupo que compartilhava o poder com Maduro permanece unido — pelo menos por ora.

Trump também fechou publicamente a possibilidade de trabalhar com a líder da oposição e vencedora do Prêmio Nobel, Maria Corina Machado, amplamente considerada a rival mais credível de Maduro. O presidente dos EUA afirmou que Machado não possui apoio dentro do país. Depois que Machado foi barrada de concorrer nas eleições venezuelanas de 2024, observadores internacionais afirmam que seu candidato substituto venceu a eleição com uma vantagem expressiva, apesar das alegações do governo de Maduro de que havia vencido.

Equilíbrio de Poder Civil-Militar

Por mais de uma década, o verdadeiro poder na Venezuela foi detido por um pequeno círculo de altos oficiais. Analistas e autoridades afirmam que o sistema depende de uma ampla rede de leais e organismos de segurança, alimentados pela corrupção e vigilância.

Dentro do círculo interno, existe um equilíbrio entre civis e militares. Cada membro possui seus próprios interesses e redes de patronagem. Atualmente, Rodriguez e seu irmão representam o lado civil, enquanto Padrino e Cabello representam o lado militar.

Essa estrutura de poder torna mais complexa a desarticulação do governo atual da Venezuela do que simplesmente remover Maduro, de acordo com entrevistas realizadas com atuais e ex-oficiais dos EUA, analistas militares venezuelanos e consultores de segurança da oposição venezuelana. “Você pode remover quantas peças do governo venezuelano quiser, mas seria necessário múltiplos atores em diferentes níveis para fazer a diferença”, disse um ex-oficial dos EUA envolvido em investigações criminais na Venezuela.

Influência de Cabello

Uma grande interrogação paira sobre Cabello, que exerce influência sobre os órgãos de contrainteligência militar e civil do país, os quais realizam amplas operações de espionagem doméstica.

“O foco agora está em Diosdado Cabello”, afirmou o estrategista militar venezuelano Jose Garcia. “Porque ele é o elemento mais ideológico, violento e imprevisível do regime venezuelano.”

A Organização das Nações Unidas (ONU) constatou que tanto a SEBIN, agência civil, quanto a DGCIM, o serviço de inteligência militar, cometeram crimes contra a humanidade como parte de um plano estatal para reprimir a dissidência. Onze ex-detentos — incluindo alguns que já foram pessoal de segurança — descreveram a jornalistas da Reuters, em entrevistas realizadas antes da captura de Maduro, torturas como choques elétricos, afogamentos simulados e abusos sexuais em centros de detenção da DGCIM.

“Eles querem que você se sinta como uma barata em uma jaula de elefantes, que eles são maiores”, afirmou um ex-agente da DGCIM que foi preso e acusado de traição em 2020 após ter contato com dissidentes militares.

Nas últimas semanas, enquanto os Estados Unidos intensificaram sua maior mobilização militar na América Latina em décadas, Cabello apareceu na televisão ao vivo, ordenando à DGCIM que “vá e capture os terroristas” e advertindo que “quem se desviar, saberemos”. Repetiu a retórica em uma aparição na televisão estatal no sábado, vestido com colete à prova de balas e capacete, cercado por guardas armados.

Cabello também tem sido estreitamente associado a milícias pró-governo, notadamente grupos de civis armados que andam de motocicleta conhecidos como colectivos.

Generais Controlam Setores Estratégicos

Cabello, um ex-oficial militar e um dos principais envolvidos no partido socialista, possui influência sobre uma fração significativa das forças armadas, mesmo que o exército venezuelano tenha sido formalmente comandado por Padrino por mais de dez anos.

A Venezuela conta com até 2.000 generais e almirantes, mais do que o dobro do número existente nos Estados Unidos. Oficiais seniores e aposentados controlam a distribuição de alimentos, matérias-primas e a estatal de petróleo PDVSA, enquanto dezenas de generais ocupam assentos em conselhos de empresas privadas.

Além dos contratos, oficiais militares lucram com comércio ilícito, conforme afirmam desertores e investigadores dos EUA, tanto atuais quanto aposentados.

Documentos de um consultor de segurança da oposição, compartilhados com o exército dos EUA e examinados pela Reuters, indicam que comandantes próximos a Cabello e Padrino são designados para brigadas-chave ao longo das fronteiras da Venezuela e em centros industriais. Essas brigadas, além de serem importantes do ponto de vista tático, estão localizadas em rotas de contrabando significativas.

“Existem entre 20 a 50 oficiais nas forças armadas venezuelanas que precisam ser removidos, provavelmente até mais, para que esse regime seja completamente desmantelado”, afirmou um advogado que já representou um membro da liderança senio…

Alguns desses oficiais podem estar considerando a possibilidade de se desvincular. O advogado indicou que cerca de uma dúzia de ex-oficiais e generais atuais entraram em contato após a captura de Maduro, na esperança de fechar um acordo com os EUA oferecendo inteligência em troca de passagem segura e imunidade legal.

Contudo, aqueles próximos a Cabello indicaram que ele não está, nesse momento, interessado em fazer acordos, segundo o advogado.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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