Movimento Separatista em Alberta
O Primeiro-Ministro do Canadá, Mark Carney, descreveu o movimento separatista em Alberta, uma província rica em petróleo, como um "blefe perigoso," comparando-o ao referendo Brexit do Reino Unido, realizado em 2016.
Declarações de Mark Carney
Em entrevista a repórteres em Ottawa, Carney compartilhou "uma observação oriunda de sua experiência". Ele afirmou que, "em questões de separação, frequentemente é afirmado: ‘vote por isso e é uma opção livre. Vote por isso e fortaleceremos nossa posição nas futuras negociações.’ Isso é um blefe muito perigoso." Carney enfatizou que testemunhou pessoalmente as consequências do referendo no Reino Unido, onde muitos acreditavam que estavam votando por uma opção suave, mas acabaram enfrentando resultados inesperados. “Eles ainda estão, dez anos depois, tentando reverter o que as pessoas não achavam que estavam votando, mas que acabaram aceitando”, destacou.
Votação em Alberta
Na semana passada, a Premier de Alberta, Danielle Smith, anunciou a intenção da província de realizar uma votação não vinculativa sobre a permanência no Canadá ou a possibilidade de um segundo referendo vinculativo sobre a separação. Essa votação foi divulgada após meses de campanha por grupos separatistas em Alberta e deve ser realizada no outono.
Apoio ao Movimento
Os apoiadores do movimento Stay Free Alberta afirmaram ter coletado mais de 300 mil assinaturas em apoio à iniciativa separatista, que se baseia, em parte, na percepção de que Alberta tem sido negligenciada pelos formuladores de políticas federais.
Referendo no Quebec
Em 1995, a província canadense de Quebec realizou um referendo para decidir sobre a independência do Canadá. Os eleitores optaram por permanecer parte do Canadá, com 50,58% votando contra a separação.
Experiência Precedente de Carney
Mark Carney assumiu a posição de Primeiro-Ministro do Canadá no ano passado, após ter exercido a função de Governador do Banco da Inglaterra de 2013 a 2020. Durante seu mandato à frente do banco central, o Reino Unido decidiu, em um referendo estreito, deixar a União Europeia.
Consequências do Brexit
O resultado do referendo Brexit provocou uma queda significativa na libra esterlina em relação a moedas principais, e até hoje a moeda ainda não conseguiu recuperar os níveis anteriores ao Brexit. Além disso, o mercado de ações de Londres, o cenário de IPOs e o investimento direto estrangeiro também foram afetados negativamente como resultado dessa votação.
Após o referendo, o governo britânico enfrentou dificuldades em negociar um acordo com a UE, culminando na renúncia da então Primeira-Ministra Theresa May. O Reino Unido, que formalmente deixou o bloco em 2020, continua lidando com uma série de consequências econômicas. Algumas estimativas sugerem que o Brexit reduziu o PIB do Reino Unido em até 8% até o ano passado, impactando negativamente o emprego, a produtividade e os investimentos no país.
Relações do Reino Unido com a UE
A relação do Reino Unido com a União Europeia ainda é um tema controverso entre o eleitorado britânico. No ano passado, a UE e o Reino Unido anunciaram um acordo significativo para redefinir suas relações, abrangendo vários aspectos, como segurança, comércio, viagens e pescas.
Cenário Político Atual
O crescente apoio ao Partido Verde, de viés esquerdista, defende laços mais estreitos com a União Europeia, enquanto o Reform U.K., partido de direita que busca desafiar o partido Trabalhista e os Conservadores, visa deixar a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, restringir a imigração e retirar direitos sociais de cidadãos da UE.
Fonte: www.cnbc.com