Crise no Agronegócio Brasileiro
O empresário e presidente de honra da Agrishow, Maurílio Biagi Filho, acredita que a crise enfrentada pelo agronegócio é muito mais profunda do que a que está sendo divulgada atualmente. Em uma visão pessimista, ele discute o atual contexto político do Brasil e suas repercussões no setor. Durante a Agrishow em Ribeirão Preto, ele afirmou: “O agronegócio não sabe se comunicar na fase boa, imagina na fase ruim. Há uma crise se avizinhando que é muito fácil de entender. O agro é uma montanha-russa e há dois anos estamos em uma fase de baixa, com exceção para café e carnes. Antes, você vendia a saca de soja pelo dobro do que é hoje. Fora isso, insumos e mão-de-obra também cresceram. É uma tempestade perfeita, somado ao maior juro do mundo, que é reconhecido e festejado”.
Biagi é amplamente reconhecido como um dos principais nomes do agronegócio no Brasil, especialmente nos setores de açúcar e etanol. Ele reflete sobre o impacto da política monetária e levanta a questão de como o país estaria se as taxas de juros fossem menores.
“Quando era outro governo, os juros eram demonizados; agora, são ignorados. Mas o juro não perdoa ninguém. A Agrishow é sempre um sucesso — em vendas, lançamentos e tecnologia —, porém há um governo hostil à produção. Para qualquer medida positiva, é preciso um grande esforço de lobby”, destacou Biagi.
Expectativas da Agrishow
A expectativa do empresário é de que o volume de intenções de negócios na Agrishow deste ano fique um pouco abaixo do ano anterior, quando foram registrados R$ 14,6 bilhões.
Condução do Brasil e Desafios do Agronegócio
Biagi expressa preocupação em relação à condução política do Brasil, independente do contexto eleitoral. Segundo ele, um colapso no agronegócio teria consequências severas para a economia. “Um desastre no agronegócio seria um baque muito grande, porque costumo dizer que não é 25% do PIB, é 50%, e já tivemos a incompetência de acabar com a nossa indústria lá atrás”, reforçou.
Ele também aborda a questão da escassez de fertilizantes, afirmando que a situação permanecerá problemática mesmo que a relação entre Irã e Estados Unidos melhore. “Há uma desorganização muito grande e o pior disso é não ter previsibilidade. Temos muitos produtores com dificuldade”, disse Biagi.
Para enfrentar esses desafios, Biagi sugere a realização de uma renegociação robusta de dívidas e a necessidade de uma postura mais positiva em relação ao agronegócio.
Preocupações do Setor
“O que tira meu sono sobre o agronegócio é a comunicação corporativa, a falta de representatividade e a insegurança geral do setor. O que me assusta é que precisa acontecer algum problema para algo ser feito”, concluiu.
O Problema da Direita, Segundo Maurílio Biagi Filho
Quando questionado sobre seu candidato preferido para as próximas eleições, Biagi afirmou que não possui nenhum nome específico em mente, mas ressaltou que a direita comete um erro ao falhar na comunicação clara e por meio de narrativas eficazes.
“Nós somos péssimos — e eu me incluo nisso. Por isso existe uma hegemonia da esquerda na narrativa. Vejo jornalistas com dificuldades de obter declarações de políticos que comparecem à Agrishow e frequentemente falam apenas em off. Eles alegam que a feira não pode se posicionar politicamente, mas a realidade é que ela se manifesta de forma realista. A Agrishow não tem dono, pertence ao agro e aos produtores”, destacou Biagi.
Embora não tenha um candidato definido, ele menciona que há boas opções e menciona o nome de Augusto Cury como uma alternativa mais racional. “O Cury seria uma pessoa que ia pensar e faria o Brasil pensar. Sinto que ele poderia conversar, conquistar e ‘desarmar’ os brasileiros. Nós estamos doentes. Há muita radicalização, polarização. Eu não me considero de direita ou de esquerda, eu sou uma pessoa de centro e há algumas coisas, como educação e equilíbrio econômico, que são inegociáveis”, disse.
Críticas ao Governo Lula e Políticas Energéticas
Maurílio Biagi Filho critica diretamente a maneira como o governo Lula está conduzindo a política econômica e energética do Brasil. Ele aponta a falta de agilidade, o excesso de viés político e a perda de oportunidades estratégicas, especialmente no setor de biocombustíveis, em virtude da posição de destaque que o Brasil ocupa nesse segmento no cenário global.
Ao discutir a política energética, Biagi exemplifica sua insatisfação ao mencionar a atual instabilidade no fornecimento energético mundial, provocada pelo conflito no Oriente Médio. Ele considera que o governo poderia ter agido rapidamente para aumentar a mistura de etanol ou biodiesel, promovendo o mercado e gerando uma confiança imediata.
“Não estamos aproveitando o nosso potencial e protagonismo em biocombustíveis para uma situação emergencial como essa do conflito, para que os biocombustíveis joguem a favor do Brasil”, lamenta Biagi. No entanto, segundo ele, observa-se uma abordagem oposta: decisões lentas e envoltas em burocracia, que chegam em momento inoportuno e com impacto diluído. Para ele, esse atraso compromete o potencial de crescimento do setor e evidencia uma falta de visão estratégica.
Consequências da Inação
“O governo faz política, ele não quer fazer coisas boas. O governo quer ganhar a eleição de qualquer jeito. Agora, tardiamente, ele quer aumentar a mistura na gasolina, só que isso ainda precisa passar pela aprovação dos órgãos regulatórios. Com isso, daqui a seis meses vamos ver o aumento da mistura. No biodiesel, eles nem sequer abordaram a questão”, critica Biagi.
Apesar da gravidade do tema, ele ainda faz uma observação irônica ao afirmar que o álcool, que enfrenta baixas históricas, não passa pelo Estreito de Ormuz.
“A dívida geral segue crescendo e os gastos, assim como todos os outros indicadores econômicos, estão descalibrados. Mas ninguém fala isso. Era para o agronegócio estar muito mais vigoroso e tranquilo”, finaliza.
Fonte: www.moneytimes.com.br

