Mercado Livre Implementa Novas Estratégias de Financiamento
O Mercado Livre iniciou a execução de uma das alternativas projetadas para financiar o crescimento acelerado de sua operação de crédito. No segundo trimestre, a empresa fechou um novo acordo rotativo, permitindo a venda de até US$ 150 milhões em recebíveis de empréstimos a terceiros. Até o momento, já foram cedidos US$ 53 milhões dentro dessa nova estrutura, conforme documento apresentado à SEC, órgão regulador do mercado americano.
Desafios e Oportunidades para o Crédito
Essa movimentação ocorre três meses após o CEO do Mercado Livre, Ariel Szarfsztejn, ter reconhecido publicamente que a venda de partes da carteira de crédito estava entre as opções em análise para viabilizar a expansão da fintech. Naquela ocasião, o executivo destacou a busca por mecanismos de financiamento que fossem compatíveis com o ritmo acelerado de crescimento do crédito como um dos principais desafios enfrentados pela empresa.
A carteira de crédito do Mercado Livre atingiu a marca de US$ 16,4 bilhões ao final de junho, representando um aumento de 75% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Dentre esse total, o saldo de cartões de crédito alcançou US$ 7,7 bilhões, enquanto os limites concedidos, mas ainda não utilizados pelos clientes, somaram outros US$ 14 bilhões. No primeiro semestre, a concessão líquida de empréstimos absorveu cerca de US$ 4,1 bilhões em caixa.
Impactos Financeiros na Operação
Esse crescimento já é refletido no aumento dos custos operacionais da empresa. O Mercado Livre atribuiu US$ 274 milhões ao aumento das despesas no primeiro semestre, especialmente devido ao maior custo de financiamento relacionado à carteira de crédito. Apenas no segundo trimestre, o impacto financeiro chegou a US$ 131 milhões. Apesar desse aumento nos custos, os indicadores de inadimplência permanecem próximos das mínimas históricas reportadas pela companhia.
Diversificação nas Fontes de Financiamento
A estratégia de financiamento da empresa não se limita à venda direta de empréstimos. No Brasil, em junho, o grupo injetou R$ 2 bilhões adicionais de capital no Mercado Crédito. No mês seguinte, a unidade Mercado Pago conseguiu captar R$ 1,5 bilhão por meio de Letras Financeiras, apresentando uma demanda de R$ 3,3 bilhões. Além disso, o Mercado Livre também utiliza Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) para financiar parte da sua carteira no Brasil.
A nova cessão de recebíveis indica que, à medida que o Mercado Pago se aproxima de uma operação bancária de grande porte, o Mercado Livre começa a diversificar suas fontes de financiamento, evitando concentrar todo o crédito em seu próprio balanço. A questão que se coloca agora é até que ponto a venda direta de carteiras, uma prática já aplicada pelo grupo em outros mercados, também passará a ser ampliada no Brasil.
Fonte: veja.abril.com.br


