Google e o Julgamento de Antitruste
Decisão Judicial
Um juiz federal decidiu na terça-feira que a Google poderá manter seu navegador Chrome, mas ficará impedida de firmar contratos exclusivos e deverá compartilhar dados de busca. Os ações da Alphabet, empresa-mãe do Google, subiram 8% no pregão após investidores celebrarem o que consideraram consequências mínimas após uma derrota histórica no ano anterior, em um processo antitruste que concluiu que a empresa mantinha um monopólio ilegal em seu mercado central de busca na internet.
Consequências e Restrições
O juiz do Distrito dos EUA, Amit Mehta, rejeitou as consequências mais severas propostas pelo Departamento de Justiça dos EUA, que incluíam a venda do navegador Chrome, cuja coleta de dados é fundamental para a entrega de anúncios direcionados. "Google não será obrigada a desinvestir o Chrome; nem o tribunal incluirá a venda contingente do sistema operacional Android na sentença final", afirmou a decisão. "Os demandantes extrapolaram ao buscar a venda forçada desses ativos-chave, que o Google não utilizou para efetuar quaisquer restrições ilegais".
Práticas de Pré-Carregamento
O Google pode efetuar pagamentos para pré-carregar produtos, mas não poderá celebrar contratos exclusivos, conforme determinado na decisão. O Departamento de Justiça solicitou que a Google cesse a prática de “sindicação forçada”, que envolve acordos com empresas para garantir que seu motor de busca permaneça como a opção padrão em navegadores e smartphones. Anualmente, a Google paga bilhões de dólares à Apple para ser o mecanismo de busca padrão nos iPhones, uma prática que é lucrativa para a Apple e valiosa para a Google na obtenção de um volume maior de buscas e usuários.
Reunião e Decisões Futuras
As ações da Apple também apresentaram um aumento de 4% no pregão após o fechamento. O juiz ordenou que as partes se reúnam até o dia 10 de setembro para o julgamento final.
Análise das Implicações
"Google não será proíbida de realizar pagamentos ou oferecer outras compensações a parceiros de distribuição para o pré-carregamento ou colocação da Google Search, Chrome ou seus produtos GenAI. A interrupção desses pagamentos quase certamente imporá danos substanciais—em alguns casos, crippling— a parceiros de distribuição, mercados relacionados e consumidores, o que sugere cautela contra uma proibição ampla de pagamentos", foi afirmado.
Detalhes do Caso
Em um caso importante movido em 2020, o Departamento de Justiça dos EUA alegou que a Google mantinha sua participação no mercado de busca geral ao criar barreiras de entrada fortes e um ciclo de feedback que sustentou sua dominância. No mês de agosto de 2024, o Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia decidiu que a Google violou a Seção 2 da Lei Sherman, que proíbe monopólios.
O juiz Mehta supervisionou o julgamento sobre as consequências em maio, onde as duas partes propuseram as sanções a serem aplicadas à Google em decorrência da decisão sobre o monopólio. Durante esse julgamento, o Departamento de Justiça solicitou ao juiz que obrigasse a Google a compartilhar os dados utilizados para gerar resultados de busca, como informações sobre o que os usuários clicam.
A Apelação da Google
A Google declarou que irá apelar da decisão, o que deverá atrasar quaisquer penalidades potenciais. No entanto, Mehta decidiu na terça-feira que a Google terá que disponibilizar certos dados de índice de busca e dados de interação do usuário, embora "dados de anúncios" não sejam exigidos. O tribunal restringiu os conjuntos de dados que a Google será obrigada a compartilhar e estabeleceu que esses dados devem ser fornecidos em "termos comerciais ordinários que sejam consistentes com os serviços atuais de sindicação da Google".


