No Brasil, o Google fez um grande retorno. Mas será que a Alphabet conseguirá manter esse ímpeto?

No Brasil, o Google fez um grande retorno. Mas será que a Alphabet conseguirá manter esse ímpeto?

by Patrícia Moreira
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Desempenho Recente da Alphabet

A Alphabet, empresa controladora do Google, tem apresentado um retorno significativo no mercado recentemente, mas surgem questionamentos sobre a capacidade da gigante da tecnologia de manter esse ritmo de crescimento. As ações da Alphabet estão com uma alta de quase 33% no ano e mais de 22% apenas no último mês. Desde uma baixa de fechamento em abril, as ações aumentaram mais de 72%.

Favoráveis Desdobramentos e Inovações

A empresa, que demorou a ser vista como um player no campo da inteligência artificial, ganhou destaque entre investidores após uma decisão judicial favorável no início de setembro, que permitiu à companhia manter o Chrome. Outro fator que impulsionou as ações foi o lançamento do recurso de edição de imagem Nano Banana, que resultou em um aumento significativo na utilização do aplicativo Gemini AI nas últimas semanas, além do crescimento acelerado da Google Cloud.

Com a expansão da disponibilidade de suas unidades de processamento tensorial (TPUs), a Alphabet também tem capturado maior atenção no mercado, se aproximando da concorrência com fabricantes de chips como a Nvidia. Contudo, há a preocupação de que as ações da empresa tenham se valorizado de forma excessiva e rápida. Dados da LSEG indicam que o preço-alvo consenso sugere uma queda de 5% para as ações da Alphabet no futuro.

Desempenho em Relação à Competição

Embora o mercado tenha premiado o Google pela melhora nas taxas de adoção do Gemini, o analista de tecnologia da Melius Research, Ben Reitzes, questionou a forma como o Google contabiliza o volume de IA e Pesquisa, especialmente à luz de relatos sobre a redução na taxa de retorno do investimento em publicidade do Google. "O GOOGL está indo bem no Cloud e o Gemini está vendo um aumento no número de assinantes, mas não saiu da tempestade em relação à Pesquisa, uma vez que as análises indicam que os resumos de IA não oferecem o mesmo retorno para os anúncios", acrescentou Reitzes em uma nota aos clientes na segunda-feira.

Comparação com a Microsoft

Reitzes também destacou que a Alphabet pode estar superando a Microsoft em seus resultados de forma excessiva. De fato, as ações do Google subiram 41% neste trimestre, enquanto a Microsoft registrou um aumento de apenas 2% no mesmo período. "Esse desempenho superior ocorre mesmo após a Microsoft ter apresentado um excelente resultado no segundo trimestre com orientações fortes para o Azure", disse o analista. "O estoque da Microsoft pode estar obscurecido pela falta de clareza em sua relação com a OpenAI (o principal motor do Azure), especialmente após 2030, mas isso deve ser um suporte significativo por um tempo", acrescentou.

Os dados da CNBC mostram que o desempenho da Alphabet em comparação com a Microsoft alcançou na última semana seu maior nível desde janeiro de 2006. Além disso, Reitzes acredita que a Microsoft deve se beneficiar de forma única com um aumento na inferência de IA, graças à sua profunda parceria com a OpenAI, o que pode permitir que a gigante da tecnologia veja uma carga maior de inferência no Azure enquanto recebe uma parte da receita da OpenAI. "As análises para o Azure estão mostrando que não há desaceleração, e a Microsoft deve fazer anúncios convincentes em torno de agentes e Copilot em sua conferência Ignite em novembro", observou o analista, mantendo sua classificação de compra e fixando um preço-alvo de US$ 625 para a Microsoft.

Perspectivas para a Alphabet

Ainda assim, a maioria dos analistas mantém avaliações otimistas em relação à Alphabet. Dos 64 que cobrem a empresa, 52 classificam as ações como compra ou compra forte, segundo a LSEG. O analista do Truist, Youssef Squali, reiterou na segunda-feira sua recomendação de compra para a Alphabet, acreditando que a empresa ainda continua dominando o mercado de pesquisa, apesar das dúvidas sobre a IA afetando os comportamentos dos usuários em motores de busca. "Permanecemos otimistas com o GOOGL, pois acreditamos que a companhia continua a dominar o mercado de Pesquisa com mais de 90% mesmo com o crescimento de novas plataformas de IA", escreveu em uma nota aos clientes.

"Nosso análise sugere que o Google domina as consultas comerciais, enquanto a pesquisa por IA corresponde a apenas cerca de 1% do total de tráfego referencial e uma porcentagem imaterial das conversões até o momento. Uma análise do aumento no volume de pesquisa online e nos casos de uso sugere que o advento de chatbots de IA está expandindo o mercado total endereçado à pesquisa, em vez de canibalizá-lo."

Dados de Desempenho em IA

O CEO da Alphabet, Sundar Pichai, informou em julho, após a divulgação dos resultados do segundo trimestre, que seus sistemas de IA processam mais de 980 trilhões de "tokens" por mês, em comparação a 480 trilhões de tokens processados anteriormente nas plataformas da empresa em maio. Os Resumos em IA da Alphabet, que sintetizam resultados de pesquisa, contaram com cerca de dois bilhões de usuários mensais em mais de 200 países, enquanto o aplicativo Gemini atingiu mais de 450 milhões de usuários ativos mensais, conforme declarou Pichai. Os tokens referem-se a uma unidade de texto processada por modelos de IA.

Avaliações Finais sobre Google

A analista da Wolfe Research, Shweta Khajuria, afirmou em uma nota que o Google continua sendo uma de suas principais escolhas até o final do ano. "O Google continua a impressionar com os recursos de produtos de IA. Após utilizarmos este produto, não nos surpreende que ele esteja liderando as paradas das lojas de aplicativos. Dada a resiliência nos gastos publicitários, as contínuas atualizações de produtos do Google e os ganhos de participação na Cloud, o Google permanece uma das nossas principais escolhas no curto prazo", escreveu em uma nota de 16 de setembro. No entanto, as ações estão sobrecompradas, com seu índice de força relativa em 75. Ações em território de sobrecompra são suscetíveis a um recuo em um futuro próximo.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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