A Nova Realidade do Estreito de Hormuz
Hormuz pode não fechar, mas o custo de atravessar o estreito dificilmente retornará ao patamar anterior. A partir de agora, os preços serão diferentes, e essa mudança pode ser percebida na composição dos fertilizantes tão rapidamente quanto no preço da gasolina.
Análise de Ian Bremmer
Esse alerta é oriundo da análise de Ian Bremmer, presidente da Eurasia Group, que discute a nova escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. Mesmo que não haja uma interrupção completa das rotas, a ocorrência de ataques a navios, o aumento nos custos de seguros, a diminuição da oferta de embarcações e o permanente risco de novos confrontos devem adicionar um prêmio duradouro às cargas que transitam pela região.
Impacto no Brasil
No Brasil, a nova realidade deve impactar imediatamente as contas de empresas como Mosaic, Yara, EuroChem, Fertipar, Heringer e Cibra, além de importadores e trading que abastecem as misturadoras nacionais. Essas companhias estão diretamente expostas em diferentes graus à importação de fertilizantes prontos ou de matérias-primas utilizadas na produção local.
Sinal da Mosaic
O sinal mais claro vem da Mosaic. A empresa se posiciona como a maior importadora brasileira de enxofre, insumo que é convertido em ácido sulfúrico para a produção de fertilizantes fosfatados. Em 2026, a companhia já começou a sentir a pressão devido à alta dos preços da matéria-prima e, mais recentemente, precisou restringir suas operações no país em decorrência da escassez desse produto.
Risco Ampliado
Entretanto, o risco não se limita à Mosaic. A ureia importada intervém no mercado de fertilizantes nitrogenados e afeta as grandes misturadoras. O enxofre, por sua vez, influencia a fabricação de ácido sulfúrico e ácido fosfórico, os quais são utilizados na produção de produtos como MAP, DAP e superfosfatos. Na prática, essa pressão pode repercutir tanto no adubo que é fornecido pronto quanto na produção que ocorre dentro do Brasil.
Tensão no Estreito de Hormuz
Bremmer observa que o Irã ainda perceba uma oportunidade para usar a instabilidade no Estreito de Hormuz como uma ferramenta de pressão econômica e política. Teerã busca preservar sua influência sobre a passagem e obter algum tipo de compensação financeira pela manutenção da rota.
Posição dos Estados Unidos
Por sua vez, os Estados Unidos não demonstram interesse em um conflito prolongado, mas também não parecem dispostos a aceitar que o Irã estabeleça unilateralmente as regras para essa rota. O resultado dessa situação é um equilíbrio instável, no qual Hormuz pode continuar aberto, porém sob um contexto de tensão e custos permanentemente elevados.
Fonte: veja.abril.com.br