Avanço da China em Inteligência Artificial
A China está concentrando esforços no desenvolvimento de grandes modelos de linguagem dentro do campo da inteligência artificial.
Impacto no Dominio dos EUA
O rápido avanço da China em inteligência artificial representa uma ameaça significativa ao domínio dos Estados Unidos no setor, com um analista advertindo sobre um choque tecnológico que está apenas começando. Rory Green, economista-chefe da TS Lombard e responsável pela pesquisa na Ásia, declarou em entrevista ao programa "Squawk Box Europe" da CNBC que o "monopólio percebido" dos EUA em tecnologia e inteligência artificial foi rompido pela China.
"Eu acredito que o choque tecnológico da China está apenas começando. Não se trata apenas de IA, DeepSeek e veículos elétricos. A China está ascendendo muito rapidamente na cadeia de valor… É a primeira vez na história que uma economia emergente está na vanguarda da ciência e tecnologia", afirmou Green durante conversa com os apresentadores da CNBC, Steve Sedgewick e Ben Boulos.
Apoio a Setores Tecnológicos
De acordo com Green, a China combina tecnologia de nível de mercado dominante com custos de produção típicos de países emergentes, sustentada por uma imensa cadeia de suprimentos. Ele ressaltou que, com Xi Jinping agindo como um "tech bro" que investe recursos substanciais nesses setores, ocorre uma combinação poderosa que acelera rapidamente a trajetória tecnológica da China.
Recentemente, Pequim lançou de forma discreta um fundo nacional de inteligência artificial no valor de 60,06 bilhões de yuans (aproximadamente 8,69 bilhões de dólares) e possui uma iniciativa denominada "AI+", que promoverá a integração da tecnologia em sua economia, indústrias e na sociedade como um todo.
Concorrência no Desenvolvimento de IA
A China está se aproximando rapidamente dos Estados Unidos na corrida armamentista em inteligência artificial, desenvolvendo modelos altamente avançados suportados por chips locais, especialmente por meio de enormes clusters de chips da Huawei e de uma energia abundante e de baixo custo. Embora a gigante americana de semicondutores, Nvidia, seja vista como o padrão de excelência para chips utilizados na formação de modelos de inteligência artificial, a Huawei está reduzindo essa disparidade ao implantar volumes maiores de chips e aproveitando a energia mais barata para ampliar sua capacidade computacional.
Formação da Esfera Tecnológica Chinesa
Green da TS Lombard explicou que uma "esfera tecnológica chinesa" pode facilmente se formar, já que as ofertas tecnológicas de baixo custo da segunda maior economia do mundo podem ser mais atraentes para países em desenvolvimento. “A China é um dos principais parceiros comerciais para a maior parte do mundo, especialmente para economias emergentes e fronteiriças. O que acontece se a situação se repetir no setor tecnológico?", questionou Green.
Os países em desenvolvimento que não enfrentam problemas de segurança nacional com a China têm a opção entre "tecnologias de baixo custo da China, como aquelas da Huawei, baterias 5G, painéis solares, inteligência artificial e, provavelmente, algum financiamento acessível em RMB", ou "alternativas de alto custo americanas e europeias". Green acrescentou que, para essas economias, a escolha é bastante simples, e pode-se imaginar um futuro em que a maior parte da população mundial utilize uma base tecnológica chinesa nos próximos cinco a dez anos.
Proximidade dos Modelos de IA Chineses
Demis Hassabis, CEO da Google DeepMind, um dos principais laboratórios de inteligência artificial do mundo, também comentou sobre essa dinâmica. Em entrevista à CNBC em janeiro, ele afirmou que os modelos de inteligência artificial da China podem estar apenas "a meses" de distância dos rivais dos EUA e do Ocidente, sugerindo que estão mais próximos das capacidades esperadas do que se pensava há um ou dois anos.
Gastos de Hiperscaladores dos EUA
Os hiperscaladores americanos, como Amazon, Microsoft, Meta e Alphabet, recentemente anunciaram um investimento em despesas de capital de até 700 bilhões de dólares em inteligência artificial neste ano. Este anúncio gerou preocupações em torno dos retornos financeiros e resultou na perda de 1 trilhão de dólares nas capitalizações de mercado das gigantes tecnológicas, embora algumas ações tenham conseguido reduzir suas perdas desde então.
Karim Moussalem, diretor de investimentos da Selwood Asset Management, comentou no "Squawk Box Europe" que há um considerável "apreensão em torno do excepcionalismo dos EUA", especialmente após a recente desvalorização do setor de software nos Estados Unidos.
“Quando penso sobre as despesas de capital dos hiperscaladores, percebo que estamos em meio a uma corrida, com muito dinheiro sendo investido e cada vez mais questões sobre se todo esse investimento, toda essa despesa de capital resultará em retornos financeiros significativos”, ressaltou Moussalem.
“Isso é realmente o que levanta uma grande interrogação sobre a disputa entre os EUA e a China, e sobre se os Estados Unidos sairão vitoriosos nessa corrida. Entretanto, neste momento, estamos vendo um gasto de capital significativo, na verdade muito mais do que se esperava há alguns meses, acompanhados por mais e mais questionamentos sobre o retorno sobre investimento”, finalizou.
— Reportagem com contribuições de Steve Sedgwick e Ben Boulos da CNBC.
Fonte: www.cnbc.com


