Robert Duvall, ícone de 'O Poderoso Chefão', morre aos 95 anos.

Robert Duvall, ícone de ‘O Poderoso Chefão’, morre aos 95 anos.

by Patrícia Moreira
0 comentários

Robert Duvall: Legado de um Ator Versátil

Robert Duvall, o ator ganhador do Oscar, conhecido por sua versatilidade e dedicação, faleceu aos 95 anos. Ele é amplamente reconhecido por seus papéis icônicos, que incluem o conselheiro destemido nos dois primeiros filmes "O Poderoso Chefão" e o cantor de música country em declínio em "Tender Mercies".

O Falecimento

Duvall faleceu "em paz" em sua casa, no domingo, em Middleburg, Virgínia. A informação foi confirmada por seu publicitário e por uma declaração publicada na página do Facebook de sua esposa, Luciana Duvall.

Luciana Duvall expressou sua dor em uma postagem: "Para o mundo, ele foi um ator vencedor do Oscar, um diretor, um contador de histórias. Para mim, ele foi simplesmente tudo." Ela continuou, enfatizando sua paixão pelo trabalho: "Bob deu tudo de si para seus personagens e para a verdade do espírito humano que eles representavam."

Carreira Notável

Robert Duvall, com sua aparência de ator característico, não possuía os traços convencionais de um galã, mas poucos "atores de caráter" tiveram uma carreira tão longa e imprevisível. Seu percurso começou com a estreia no cinema em 1962, no papel de Boo Radley, o vizinho recluso em "O Sol é Para Todos". Ao longo de sua carreira, Duvall criou um portfólio de performances memoráveis, que lhe renderam sete indicações ao Oscar e o prêmio de melhor ator por "Tender Mercies" em 1983, além de quatro prêmios Globo de Ouro. Um de seus papéis mais referidos era o chefe filosófico do gado na minissérie de 1989 "Lonesome Dove", frequentemente citado por ele como seu favorito.

Em 2005, Duvall foi agraciado com a Medalha Nacional das Artes.

"O Poderoso Chefão"

Duvall já atuava há cerca de 20 anos quando "O Poderoso Chefão" foi lançado em 1972, solidificando sua posição como um dos atores mais solicitados em Hollywood. Ele já havia trabalhado anteriormente com Francis Ford Coppola em "The Rain People", que o escolheu para interpretar Tom Hagen na epopeia mafiosa, que também contava com Al Pacino e Marlon Brando em seu elenco. Duvall demonstrou habilidade ao interpretar um irlandês entre italianos, muitas vezes afastado do centro das atenções, mas sempre presente como uma voz de orientação nos bastidores da complexa narrativa da família Corleone.

O crítico David Thomson descreveu Duvall como "um eficiente apoio aos gestos grandiosos de estrelas e italianos, o corredor perfeito em um time de estrelas de personalidade." Ele questionou se havia um papel mais idealizado para um ator do que o de Tom Hagen nas duas partes de "O Poderoso Chefão".

"Apocalypse Now"

Em outro projeto dirigido por Coppola, "Apocalypse Now", Duvall apresentou uma performance marcante como o tenente-coronel Bill Kilgore, representando uma masculinidade obsessiva, que alternava entre o prazer de surfar e de realizar bombardeios sobre os vietcongues. Uma de suas falas mais célebres, que ele memoravelmente proclamou em uma cena de batalha, foi: "Adoro o cheiro de napalm pela manhã. Uma vez, bombardeamos uma colina por 12 horas. Quando tudo terminou, subimos. Não encontramos nenhum corpo."

Coppola comentou sobre Duvall: "Os atores se conectam ao personagem em momentos diferentes — na primeira, terceira semana. Bobby é rápido, leva apenas um ou dois takes."

Reconhecimento e Desafios

Duvall foi indicado ao Oscar como ator coadjuvante por "O Poderoso Chefão" e "Apocalypse Now", mas uma disputa financeira o levou a recusar o terceiro filme da franquia, o que causou lamento entre críticos, fãs e colegas de "O Poderoso Chefão". Ele frequentemente expressava inconformidade sobre receber menos do que seus co-estrelas.

Colegas de trabalho admiravam a busca meticulosa que Duvall realizava em suas pesquisas e o seu vigor constante. Michael Caine, com quem atuou em "Secondhand Lions" em 2003, descreveu: "Antes de uma grande cena, Bobby permanece em absoluto silêncio; você sabe quando não deve falar com ele." Aqueles que o incomodavam podiam experimentar a famosa ira de Duvall, que se manifestou de forma notória durante as gravações do faroeste "True Grit".

Premiações e Papéis Memoráveis

Duvall foi premiado com o Oscar em 1984 por seu papel como o atormentado cantor e compositor Mac Sledge em "Tender Mercies", um prêmio que ele aceitou vestido com um terno de cowboy. Em 1998, ele recebeu uma indicação ao Oscar de melhor ator por "The Apostle", um drama sobre um evangelista do sul, que ele mesmo escreveu, dirigiu, estrelou e financiou em grande parte. Ele se dedicou por 12 anos na produção do filme, visitando inúmeras igrejas de interior.

Outros papéis notáveis incluem o líder de uma gangue de fora da lei em "True Grit", Jesse James em "The Great Northfield Minnesota Raid", o angustiado Frank Burns em "MAS*H", e o pai sádico em "The Great Santini".

Duvall afirmou em 1990: "Se você não se sobrecarregar, tiver alguns hobbies, pode fazer tudo isso e manter-se sempre motivado, mesmo que não esteja realmente faminto."

Em sua meia-idade, recebeu uma indicação ao Oscar de coadjuvante como o personagem-título do filme "The Judge", lançado em 2014, no qual ele era acusado de causar um acidente fatal. Entre seus trabalhos mais recentes, destacam-se os filmes "Widows" e "12 Mighty Orphans".

Infância e Formação

Robert Selden Duvall nasceu em 1931 nas cidades navais de Annapolis e na área de San Diego. Ele passou por diversas localidades enquanto seu pai, que se tornaria almirante, era designado para várias funções.

As experiências de sua infância contribuíram significativamente para sua carreira, já que aprendeu as nuances da fala regional e observou a psicologia dos militares, que ele representaria em diversos papéis cinematográficos.

Duvall utilizou seu pai como inspiração para o fervoroso militar em "The Great Santini", baseado no romance de Pat Conroy. Ele comentou em 2003: "Meu pai era um gentleman, mas também explosivo, um homem severo e bombástico, ausente boa parte do tempo." Desde pequeno, Duvall se destacou como artista, tocando violão e atuando, influenciado por sua mãe, uma atriz amadora.

Ele enfrentou dificuldades na escola, chegando perto de ser reprovado na Principia College, em Elsah, Illinois. Seus pais, preocupados com seu desempenho acadêmico e com o temido alistamento para a Guerra da Coreia, sugeriram que ele se dedicasse à atuação como uma forma de se manter na faculdade. "Fico feliz que assim tenha sido", recordou.

Duvall se destacou nas aulas de teatro. Ele recordou: "Havia um maravilhoso homem chamado Frank Parker, que havia sido dançarino na Primeira Guerra Mundial. Fizemos uma peça de mímica completa, e eu interpretei um palhaço Harlequin. Eu realmente gostei disso."

Após servir por dois anos no Exército, Duvall utilizou o G.I. Bill para financiar seus estudos em uma escola de atuação em Nova York, onde conviveu com outros jovens talentos como Robert Morse, Gene Hackman e Dustin Hoffman. Após uma única apresentação em "A View From the Bridge", Duvall começou a receber propostas de trabalho em séries de TV, como "The Naked City" e "The Defenders".

Projetos Pessoais e Vida Pessoal

Entre seus comprometimentos em produções de alto escalão, Duvall também se dedicou a dirigir projetos pessoais: um documentário sobre uma família de prairie intitulado "We’re Not the Jet Set", um filme sobre ciganos chamado "Angelo, My Love", e "Assassination Tango", no qual também estrelou. Duvall se tornou um dançarino de tango após assistir ao musical "Tango Argentina" na década de 1980, visitando a Argentina diversas vezes para estudar a dança e a cultura. O resultado foi o longa de 2003 sobre um assassino com uma paixão pelo tango.

Duvall se casou em 2005 com Luciana Pedraza, 42 anos mais jovem que ele. Suas três uniões anteriores — com Barbara Benjamin, Gail Youngs e Sharon Brophy — resultaram em divórcio.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy