Yen se Mantém Estável
O iene japonês teve um desempenho sólido na terça-feira, enquanto operadores permanecem em alerta para a possibilidade de uma intervenção coordenada das autoridades dos Estados Unidos e do Japão no mercado cambial.
Intervenção Coordenada
Na segunda-feira, o ministério das Finanças do Japão anunciou que realizou uma operação de compra de ienes em coordenação com o Tesouro dos EUA na sexta-feira passada. Essa ação representa um movimento raro entre os dois aliados para conter as oscilações acentuadas na moeda japonesa.
Tóquio indicou que está preparado para agir novamente, afirmando que não "hesitará em realizar novas intervenções coordenadas no futuro" e mantendo uma comunicação estreita com o Tesouro dos Estados Unidos. O ministro das Finanças, Satsuki Katayama, enfatizou que o Japão "continua atento e em comunicação próxima com os responsáveis no Tesouro dos EUA".
Desempenho do Iene
Na quinta-feira anterior, o iene havia atingido a marca de 163,73 em relação ao dólar americano e, na sexta-feira, fortaleceu-se para 157,57. Na segunda-feira, estava sendo negociado a 157,70 por dólar. A fraqueza do iene se tornou uma preocupação crescente em Tóquio, pois a moeda recentemente caiu para seu nível mais fraco em aproximadamente quatro décadas em relação ao dólar.
O ministério afirmou que a intervenção ocorreu "de acordo com a ‘Declaração Conjunta dos Ministros das Finanças do Japão e dos EUA’", emitida em setembro de 2025, e visava abordar "a recente volatilidade excessiva e os movimentos desordenados do iene".
Novas Estruturas de Intervenção
Além disso, o ministério anunciou planos de utilizar o mecanismo de recompra (repo) das autoridades monetárias internacionais e estrangeiras do Federal Reserve no futuro. Essa facilidade de recompra (FIMA repo) permite que bancos centrais e autoridades monetárias estrangeiras aprovados obtenham dólares de curto prazo ao trocar temporariamente títulos do Tesouro dos EUA.
Confirmação do Tesouro dos EUA
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também confirmou a ação coordenada em uma declaração, afirmando que "as ações coordenadas de câmbio de sexta-feira combateram os movimentos desordenados do iene".
Bessent destacou que o Tesouro permanece atento e em comunicação próxima com seus colegas do Ministério das Finanças e do Banco do Japão (BOJ). "Não hesitaremos em participar de novas intervenções conjuntas", acrescentou.
Além disso, Bessent apoiou a direção política mais ampla de Tóquio, afirmando que os EUA "apoiam fortemente as medidas decisivas de mercado e monetárias do Japão para corrigir a significativa subavaliação do iene".
Suporte Político
O presidente Donald Trump havia declarado anteriormente que os EUA participaram da intervenção coordenada da semana passada para apoiar o iene como um gesto de apoio ao Japão e em prol da estabilidade econômica global. "Eles queriam um pouco de ajuda, e nós estamos sempre lá por Japão", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One no domingo, citando o "bom relacionamento" entre os dois aliados. "Mais do que qualquer coisa, foi um sinal de amizade", afirmou.
Análise de Especialistas
Robin Brooks, um acadêmico sênior no Instituto de Economia Internacional Peterson, comentou em uma publicação no Substack que a intervenção coordenada poderia, em última análise, enfraquecer a confiança no iene, ao invés de fortalecê-la.
Ele argumentou que, caso Washington tivesse vendido euros em vez de dólares para comprar ienes, os investidores poderiam inferir que as autoridades dos EUA tentavam evitar que o Japão precisasse vender títulos do Tesouro dos EUA para financiar a intervenção.
Relatos de que os EUA venderam euros ao invés de dólares para comprar ienes surpreenderam os mercados, uma vez que intervenções coordenadas tradicionalmente são financiadas com ativos em dólares.
Brooks comentou: "Esse tipo de virada, na minha opinião, compromete a eficácia da participação dos EUA, pois invariavelmente fará os mercados se perguntarem por que os EUA não financiaram a compra de ienes com dólares".
Fonte: www.cnbc.com


