O ensinamento milenar do Talmude que superou crises e continua a proteger o patrimônio atualmente – Educação Financeira – Principais notícias do mercado financeiro.

O ensinamento milenar do Talmude que superou crises e continua a proteger o patrimônio atualmente – Educação Financeira – Principais notícias do mercado financeiro.

by Rafael Martins
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Questionamentos sobre ensinamentos financeiros

Nos dias atuais, é comum questionar a validade de diversos ensinamentos, especialmente aqueles que envolvem o patrimônio das pessoas. Neste contexto, as estratégias de investidores contemporâneos, como Luiz Barsi, são frequentemente analisadas, e teorias econômicas clássicas, como as propostas por Adam Smith, são revisitadas. Diante de quatro revoluções industriais, da globalização e do surgimento do capitalismo financeiro, surge a dúvida sobre a relevância desses ensinamentos milenares.

O economista Charles Mendlowicz defende a continuidade da importância desses ensinamentos.

Revisão da abordagem financeira de Mendlowicz

No final de novembro, Mendlowicz passou por um processo de revisão minuciosa de sua abordagem como investidor e educador financeiro. Após oito anos produzindo conteúdos sobre investimentos, finanças pessoais e economia, ele optou por atualizar a estratégia que ensina, além de aprimorar a maneira como o público deve observar seu próprio patrimônio, em um ambiente de mercado cada vez mais volátil, repleto de promessas ilusórias e recomendações arriscadas.

Neste processo de atualização, ele voltou às raízes da tradição judaica e redescobriu um método que passa a defender.

O Portfólio 3X

De acordo com Mendlowicz, a fórmula mais eficaz para sobreviver e até prosperar em ciclos de estresse está contida no Talmude. O chamado Portfólio 3X é apresentado como um modelo simples e antifrágil, testado ao longo de séculos em meio a guerras, inflações e colapsos financeiros. O economista destaca que “a base do método se fundamenta na diversificação de patrimônio em três pilares, cada um com uma função específica na proteção do capital”.

Ele enfatiza que a divisão tripartite entre terras, negócios e reservas se revela eficaz em períodos críticos da história. “Essa divisão demonstrou sua eficácia durante momentos significativos, como os ‘sete anos de fartura e sete anos de fome’ do Egito Antigo, a inflação do Império Romano, a Grande Depressão em 1929 e crises financeiras mais recentes, como a de 2008 e a da Covid-19”, contextualiza.

Funcionamento do Portfólio 3X

Segundo Mendlowicz, o Portfólio 3X aproveita aspectos frequentemente negligenciados pelo investidor típico: tanto a liquidez quanto a resiliência de um setor podem ser utilizados para financiar a aquisição de ativos descontados em outro. Com isso, “em vez de apenas proteger o investidor, o método possibilita que ele avance durante períodos de caos”, explica o economista.

Divisão do Portfólio 3X

A parte do portfólio destinada a terras congrega ativos reais e instrumentos que geram renda passiva com base em propriedades. Esse segmento inclui opções como Fundos Imobiliários (FIIs), imóveis, terrenos, fazendas, fundos agro, e fundos de índice (ETFs) no exterior.

O componente relacionado a negócios concentra investimentos que se beneficiam do crescimento econômico e dos lucros gerados pelas empresas. Este pilar inclui: ações estrangeiras que são negociadas no Brasil (BDRs), ETFs de ações, debêntures, crédito corporativo, private equity (aquisição de participação em empresas de capital fechado), investimentos em startups, e até algumas criptomoedas.

Em termos práticos, um investidor poderia alocar R$ 300 mil de um patrimônio total de R$ 900 mil para cada um dos três pilares: para ativos de terras, ele poderia aplicar R$ 100 mil em FIIs que oferecem dividendos regulares, R$ 100 mil em um imóvel para locação e R$ 100 mil em ETFs de REITs internacionais. Quanto ao pilar de negócios, o investidor poderia aplicar R$ 150 mil em ações de empresas consolidadas, R$ 100 mil em debêntures corporativas e R$ 50 mil em ethereum. Já nas reservas, a distribuição poderia ser de R$ 200 mil em ouro físico, R$ 50 mil em stablecoins e R$ 50 mil em bitcoin.

É fundamental observar que este exemplo não se propõe a ser um modelo definitivo e, portanto, não se aplica a todos os investidores. Cada investidor deve levar em consideração seu perfil de risco, objetivos financeiros e prazo de investimentos, adequando os ativos conforme sua situação particular.

Histórias de adaptação financeira

Mendlowicz argumenta que a lógica do Portfólio 3X é eficaz exatamente porque rejeita a ideia de apostas únicas. “A história demonstra que a forma do dinheiro se transforma ao longo do tempo. Observamos isso com o sal, o cobre, o ouro, o papel e o bitcoin. Aqueles que apostam em uma única modalidade correm o risco de perder tudo,” afirma o economista.

Com mais de trinta anos de experiência no mercado, Mendlowicz ressalta que a força desse modelo reside no fato de não estar vinculado a nenhum ciclo econômico específico. A divisão tripartite, segundo ele, proporciona ao investidor equilíbrio para refletir, liquidez para agir e estrutura para aproveitar oportunidades que surgem nos períodos de maior vulnerabilidade do mercado.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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