Por que o planejamento financeiro convencional não atende às necessidades das mulheres – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

Por que o planejamento financeiro convencional não atende às necessidades das mulheres – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

by Rafael Martins
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Expectativa de Vida e Diferença Salarial

As mulheres brasileiras têm uma expectativa de vida superior à dos homens. De acordo com dados do IBGE, os homens apresentam uma expectativa média de vida de 73,3 anos, enquanto as mulheres vivem, em média, até 79,9 anos. Além disso, elas enfrentam uma disparidade salarial significativa no mercado de trabalho. O 3º Relatório de Transparência Salarial e Igualdade revela que as diferenças salariais entre os gêneros no Brasil indicam uma média de 20,9% a menos para as mulheres.

Muitas dessas mulheres são responsáveis pela maior parte da renda familiar. Uma pesquisa realizada pela Serasa, em parceria com o Opinion Box, em 2025, aponta que 93% das mulheres brasileiras estão envolvidas nas finanças de suas casas, sendo que um terço delas representa a única fonte de renda da família. A situação é ainda mais crítica entre as famílias de baixa renda, onde 43% das mulheres assumem sozinhos a responsabilidade financeira.

Desafios no Planejamento Financeiro

Segundo Daniele Cardoso, especialista em investimentos e sócia da Forum Investimentos, as abordagens tradicionais de planejamento financeiro pressupõem uma trajetória de renda contínua e estável ao longo do tempo. Contudo, essa realidade não se aplica a todas as mulheres, o que exige um cuidado extra na formulação de estratégias financeiras. O planejamento deve considerar aspectos como a longevidade das mulheres, as responsabilidades familiares, que muitas vezes são mais amplas, e a menor renda ao longo da vida.

“É fundamental que isso envolva a criação de uma reserva de emergência robusta, a diversificação das fontes de renda ao longo do tempo, além da priorização de investimentos que ofereçam oportunidades para a recomposição patrimonial no longo prazo,” explica Cardoso. A demanda por um planejamento financeiro que priorize a proteção e formação de reservas é ainda mais relevante, considerando a probabilidade de que a mulher deve garantir sua segurança financeira ao longo do tempo.

A Independência Financeira

Outro fator relevante estão as interrupções nas carreiras para a dedicação ao cuidado familiar. Muitas mulheres centralizam o tema financeiro na figura do parceiro, o que pode torná-las vulneráveis em situações de separação ou crise. A dependência financeira é um dos fatores que mantêm mulheres em relacionamentos abusivos, conforme destaca Maressa Campos, educadora financeira e especialista em investimentos.

“Em casos de divórcio ou rompimento, a falta de patrimônio próprio pode gerar uma vulnerabilidade significativa,” enfatiza Campos. Além disso, a interrupção da carreira, que pode ocorrer ao assumir responsabilidades familiares, gera um impacto direto e duradouro na renda futura, previdência e acumulação patrimonial.

Para a especialista, o modelo clássico de organização financeira é eficaz, mas precisa ser ajustado para atender às realidades enfrentadas pelas mulheres. É necessário incluir fatores como a longevidade, os riscos de interrupção de renda e a ampliação das responsabilidades familiares, que exigem um planejamento que abranja um horizonte mais extenso.

Práticas de Organização Financeira

Uma organização financeira eficiente passa por algumas etapas fundamentais. É essencial anotar todos os gastos e ganhos mensais, categorizando despesas essenciais como moradia, alimentação e transporte, além de identificar quais despesas podem ser reduzidas. Se houver dívidas, quitar essas pendências deve ser a prioridade antes de se iniciar a construção de uma reserva financeira.

Elaine Tanabe, planejadora financeira certificada, ressalta que, embora existam modelos de planejamento, este deve ser um processo altamente personalizado, adaptado às necessidades e objetivos individuais. “Um planejador competente pode desenvolver um plano de ação detalhado que conduza a pessoa na busca por suas metas,” comenta Tanabe.

Existem dicas práticas que podem auxiliar aqueles que desejam iniciar sua própria organização financeira, especialmente mulheres que podem não ter amplo acesso a informações sobre o mercado financeiro.

Maressa Campos enfatiza que a estrutura técnica do planejamento se mantém a mesma, mas o contexto de risco varia. “O planejamento financeiro para mulheres não se restringe a produtos financeiros, mas envolve decisões estruturais que impactam a vida,” afirma.

Contextos e Realidades

Por exemplo, mulheres com filhos tendem a priorizar proteção e reservas financeiras mais amplas, enquanto profissionais autônomas necessitam de um colchão financeiro maior para lidar com a volatilidade da renda. Aqueles que herdaram patrimônio devem se atentar à eficiência fiscal e planejamento sucessório. Mulheres que optaram por se dedicar à família precisam também garantir investimentos e previdência em seus próprios nomes.

A realidade financeira das mulheres muitas vezes não é linear, apresentando variações significativas ao longo da vida devido a pausas na carreira, maternidade e responsabilidades familiares. Emília Campelo, especialista em investimentos da Top Gain, destaca que o planejamento financeiro deve ser flexível e preventivo.

“Para as mulheres, isso geralmente implica a necessidade de uma reserva de emergência mais robusta, maior atenção à proteção contra a inflação e um foco mais cuidadoso na construção de renda passiva para o longo prazo. Isso ocorre não porque elas sejam inerentemente mais conservadoras, mas devido às responsabilidades adicionais e ao horizonte financeiro mais longo que a realidade impõe,” conclui Campelo.

Sugestões de Organização Financeira

As dicas da especialista incluem:

  • No dia a dia: Manter a organização financeira de forma simples, sabendo exatamente os custos mensais necessários para a manutenção do lar, e separando as despesas fixas das variáveis.

  • Montando um orçamento: É recomendável abordar essa tarefa considerando três frentes distintas: o valor necessário para manter a rotina funcional, um montante destinado à proteção contra imprevistos, e um valor essencial para o planejamento do futuro.

  • Construindo um colchão financeiro: Este é o montante que garantirá a continuidade da vida em caso de imprevistos. O ideal é que essa reserva corresponda entre seis a doze meses de despesas da família, investida em um produto que ofereça liquidez diária e segurança, como o Tesouro Selic.

  • Consolidando o patrimônio: Após a formação da reserva financeira, é importante focar nos investimentos. Começar com pequenos valores mensais é viável; o principal é manter a constância nas contribuições para lentamente construir um portfólio que esteja alinhado com os objetivos e o perfil de risco individual.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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