O Redefinindo Vendas com Inteligência Artificial
No mês passado, participei de um evento organizado por uma das empresas mais valiosas no segmento de inteligência artificial (IA) na atualidade. A Clay, com um valuation superior a US$ 3 bilhões, é uma plataforma projetada para equipes de crescimento e vendas. Ela atua como uma camada de orquestração de dados e automação dentro do ecossistema comercial, integrando sistemas de CRM, ferramentas de campanhas e provedores de dados para a construção de pipelines de prospecção mais eficazes.
O que diferencia a Clay são recursos como o enriquecimento em cascata, que completa informações de contato a partir de diversas fontes. Além disso, a empresa utiliza automação e IA para personalização, criando o conceito de GTM Engineer. Esta função híbrida combina habilidades técnicas em integrações e APIs com um foco particular em geração de receita, proporcionando à empresa uma narrativa distinta e impactante no mercado de Growth e Sales Operations.
Durante o evento, foram apresentados vários casos de uso da IA na jornada do cliente, com a participação de grandes players de tecnologia como OpenAI, Cursor, Anthropic, Canva e Vanta.
As Três Leis do Go-to-Market na Era da IA
De acordo com a Clay, o sucesso em estratégias de Go-to-Market na era da IA se fundamenta em três leis essenciais. A primeira lei determina que é necessário ser único, identificando um diferencial claro que defina o cliente adequado, o momento certo para abordá-lo e a maneira de se conectar de forma relevante.
A segunda lei enfatiza que nenhuma vantagem é permanente, uma vez que qualquer playbook bem-sucedido será rapidamente imitado ou perderá eficácia, o que exige uma reinvenção constante. Já a terceira lei sugere que a velocidade de interação é o verdadeiro fator de liderança; aqueles que experimentam, aprendem e se adaptam mais rapidamente conquistam e mantêm a vanguarda no mercado.
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O Papel Emergente do GTM Engineer
O setor de tecnologia tem presenciado o surgimento de uma nova função vital: o GTM Engineer. Diferente das funções tradicionais de marketing, vendas ou operações, o GTM Engineer desempenha o papel de arquiteto do crescimento, unindo uma visão estratégica de negócios com habilidades técnicas para converter dados e inteligência artificial em Receita previsível.
Esse profissional conecta sistemas, como CRM, dados de produto e automações de marketing, cria fluxos de prospecção automatizados e treina agentes de IA para personalizar interações em escala. Principalmente, o propósito é eliminar o atrito entre a geração de demanda e a execução comercial.
Antigamente, o diferencial estava em ter bons vendedores ou listas eficazes de prospecção. Atualmente, a vantagem competitiva reside na capacidade de construir workflows inteligentes e realizar iterações rápidas. O GTM Engineer é, portanto, o “engenheiro de vendas” na era da IA, pretendendo transformar sinais dispersos em oportunidades concretas. Este papel reflete uma tendência maior: a convergência entre dados, tecnologia e estratégia empresarial. Empresas que já incorporam esse perfil, especialmente em setores como SaaS e fintechs, tendem a acelerar os ciclos de vendas, reduzir os custos de aquisição e desenvolver operações muito mais resilientes.
Por exemplo, na Vanta, uma plataforma de compliance, o GTM Engineer foi responsável por criar uma fonte única de verdade. Isso foi realizado ao combinar dados de diferentes fontes utilizando uma lógica inteligente de cascata e filtragem, assegurando que apenas as informações mais confiáveis fossem inseridas nos campos do CRM. Além disso, um agente de IA foi implementado para realizar pesquisas automáticas sobre contas quando um vendedor “reclamava” de um cliente, escaneando sites, identificando indicadores técnicos, como maturidade em compliance e ferramentas empregadas, para gerar resumos dentro do CRM.
Desafios nas Vendas Enterprise
Nas vendas B2B para empresas de grande porte, o principal desafio é gerenciar a complexidade nos ciclos de compra. Cada negociação envolve múltiplos decisores, abrangendo desde equipes técnicas até as áreas financeira e jurídica. Essa multiplicidade torna os processos longos, repletos de etapas de aprovação e extremamente suscetíveis a riscos. Mais do que vender uma solução, é imperativo ganhar a confiança do cliente, demonstrando resiliência, compliance e um retorno claro sobre o investimento para justificar uma decisão tão significativa.
Outro aspecto crucial é a necessidade de se diferenciar em mercados saturados. Muitas soluções tendem a parecer semelhantes; portanto, a competição não se limita apenas a funcionalidades, mas se estende à narrativa, clareza de resultados e capacidade de comprovar o valor estratégico para o negócio do cliente. Isso requer não apenas um bom nível de personalização e uma profundidade técnica, mas também uma forte coordenação interna entre as áreas de vendas, produto, jurídico e customer success, a fim de garantir uma entrega consistente.
A venda enterprise para grandes organizações é, em essência, um exercício de orquestração e credibilidade. É necessário alinhar diversos stakeholders, eliminar barreiras internas e posicionar a solução como um parceiro de longo prazo. No caso da Antropic e OpenAI, havia um desafio claro de diferenciação no mercado, e a estratégia adotada foi utilizar inteligência artificial para dobrar e até triplicar a base de leads. Com isso, estabeleceram um próprio sistema de qualificação dos leads, focando a seniorização do time comercial e permitindo que os vendedores se dedicassem a pitchs mais audaciosos e alinhados às necessidades de cada classificação de leads.
Na Canva, a situação era semelhante: o desafio era identificar, dentre inúmeros usuários utilizando a versão freemium, quais eram qualificados para contratar produtos enterprise e realizar upselling. A abordagem utilizada consistiu em unificar dados, aplicar indicadores e gerar previsões e segmentações que direcionassem a equipe de vendas enterprise, evitando um aumento desproporcional do custo de aquisição do cliente (CAC).
O Futuro dos CRMs Incumbentes
As plataformas de CRM incumbentes tornaram-se gigantes corporativos, caracterizadas por sua complexidade, altos custos, inúmeras customizações e, muitas vezes, um uso inadequado. Estudos indicam que menos de 30% dos dados contidos em CRMs estão limpos e atualizados. Como resultado, em muitas organizações, o CRM se transformou em uma fonte de atrito, ao invés de ser um motor genuíno de crescimento.
Fonte: www.moneytimes.com.br

