Facilidade e Riscos no Sistema Financeiro
Realizar uma transação financeira nunca foi tão simples. Contudo, quando surgem problemas, a preocupação tende a ser ainda maior. Recentemente, o sistema financeiro brasileiro tem sido colocado à prova devido a fraudes sofisticadas e à atuação de instituições envolvidas em atividades criminosas.
Diante desses acontecimentos, surge a pergunta entre os brasileiros: o sistema financeiro é suficientemente sólido para enfrentar tais desafios?
Solidão do Sistema Financeiro Brasileiro
O presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Leandro Vilain, em entrevista ao programa Money Minds, do Money Times no YouTube, afirma que não há dúvidas sobre a solidez do sistema financeiro brasileiro, o qual passou por significativas transformações na última década. Assista à entrevista na íntegra.
Inovações que Garantem Segurança
Entre as inovações que ampliaram a segurança das transações financeiras no Brasil, destaca-se a introdução dos pagamentos instantâneos, como o Pix. Outra inovação relevante foi o Open Finance, que possibilita a integração dos dados financeiros e bancários do usuário, mesmo que estes estejam distribuídos em diferentes instituições financeiras, complementado pela utilização de tokens de segurança.
Vilain ressalta que “historicamente, o Sistema Financeiro Nacional sempre esteve à frente de outros países no que diz respeito à tecnologia bancária”. Ele menciona que o Brasil foi um dos pioneiros na implementação de cartões de crédito com chip e na introdução de biometria em todas as transações realizadas.
Adoção Rápida pelas Inovações Tecnológicas
Além dos investimentos realizados pelo sistema financeiro em tecnologia e inovação, o presidente da ABBC destaca que os brasileiros tendem a adotar rapidamente os novos avanços tecnológicos. O desenvolvimento do Pix, iniciado em 2016, serviu como um exemplo desse fenômeno, pois o Brasil se adiantou em relação a outros países, com a população rapidamente aderindo à nova ferramenta, o que transformou o sistema financeiro.
Vilain acrescenta que, “antes da introdução do Pix, enfrentávamos outros riscos. Por exemplo, pequenos trabalhadores que recebiam seus salários na sexta-feira e precisavam transportá-los para casa, frequentemente eram alvo de assaltos no transporte público. A movimentação de grande quantidade de dinheiro era uma realidade complicada para um país com as dimensões continentais do Brasil”.
Caso Banco Master e a Confiança no Sistema
Em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central (BC) gerou receios sobre a possibilidade de uma crise se espalhar pelo sistema financeiro, levando outras instituições a também enfrentarem dificuldades financeiras.
Vilain explica que, embora o Banco Master tivesse dívidas com outras instituições financeiras, o que poderia causar um efeito dominó semelhante ao da crise do subprime nos Estados Unidos em 2008, o impacto foi limitado a empresas que pertenciam ao mesmo conglomerado.
Após a liquidação do Banco Master, o Banco Central decretou a liquidação de outras 17 instituições financeiras. Segundo Vilain, “essas liquidações foram de instituições com perfis muito distintos”, referindo-se a corretoras de câmbio e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM).
Blindagem do Sistema Financeiro
De acordo com Vilain, o sistema financeiro brasileiro estava bien blindado contra uma crise, uma vez que o impacto da liquidação foi restrito ao conglomerado do Banco Master, beneficiando-se da rápida atuação do Banco Central. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) também teve um papel importante durante essa “prova de fogo” enfrentada pelo Banco Master, na avaliação do presidente da ABBC.
Recentemente, em balanço divulgado no dia 14, o FGC informou que ainda dispõe de um montante de R$ 1,83 bilhão reservado para investidores e correntistas que estão relacionados a instituições vinculadas ao grupo Master e que ainda não solicitaram o reembolso. Os beneficiários podem fazer o pedido através do aplicativo oficial do FGC.
O FGC reforça que o valor disponível no fundo permanece sem correção pela inflação desde a liquidação dos bancos. Assim, quanto mais tempo o beneficiário demorar para solicitar o pagamento, menor será o poder de compra em relação ao valor recebido.
Fonte: www.moneytimes.com.br

