Gerenciamento Financeiro de Microempresas
Gerir uma microempresa envolve diversas preocupações financeiras que são essenciais para garantir a saúde e a sustentabilidade do negócio. O controle do fluxo de caixa, os custos operacionais, os impostos e as obrigações fiscais, além do investimento para melhorias, são alguns dos pontos que fazem parte de uma gestão financeira bem-sucedida. Essa gestão eficaz é crucial para o crescimento e a longevidade da empresa no mercado.
Uma dúvida que frequentemente surge entre microempresários é sobre como investir o caixa de suas empresas, buscando sempre o melhor rendimento e a segurança necessária.
Organizando as Contas
Antes de realizar qualquer investimento, o gestor precisa garantir que sua empresa esteja organizada financeiramente e que haja um controle total sobre o fluxo de caixa. De acordo com Enrico Vieira, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital, “uma gestão financeira sólida começa pela disciplina de separar as finanças pessoais das empresariais e manter controles confiáveis de entradas e saídas”. A partir dessa base, é fundamental adotar um planejamento financeiro que seja recorrente e atualizado, o qual deve envolver o acompanhamento periódico dos indicadores da empresa, a revisão de cenários econômicos e a adaptação das estratégias sempre que necessário.
Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos, complementa essa abordagem ao indicar que a separação do dinheiro pessoal do empresarial deve ser uma prioridade. Ele sugere que o microempresário mantenha uma conta bancária exclusiva para a empresa. Além disso, Patzlaff recomenda que “todos os meses o microempresário deve projetar a receita esperada, custos fixos, variáveis e o fluxo de caixa futuro; isso ajuda a evitar surpresas”.
Patzlaff também enfatiza a importância de o gestor ter controle não apenas dos valores, mas também das entradas e saídas financeiras. “Quanto mais rapidamente o dinheiro entra, mais cedo ele pode render. Planejar o fluxo de caixa e saber exatamente quanto entra e sai nos próximos meses é essencial para não deixar o caixa negativo e também para evitar que o dinheiro fique parado sem uso, o que pode prejudicar sua rentabilidade”, afirma.
Onde Investir o Caixa da Microempresa
A gestão de caixa deve priorizar ativos que apresentem baixo risco e que tenham liquidez adequada ao fluxo operacional e às necessidades de provisionamento, funcionando assim como um pilar de proteção e fortalecimento da estrutura financeira da empresa.
Vieira esclarece que os microempresários podem aproveitar o atual cenário de juros elevados para rentabilizar o caixa de maneira estratégica. “Ao investir em instrumentos conservadores de renda fixa, é possível promover previsibilidade, segurança e boa remuneração, sem comprometer a atividade principal da empresa”, diz ele.
O caixa pode ser direcionado para ativos de renda fixa, como títulos públicos, CDBs de grandes instituições, operações compromissadas e fundos de caixa conservadores. Vieira destaca, no entanto, que mais importante do que o produto em si, são as características desses ativos: segurança de crédito, liquidez apropriada e previsibilidade de retorno.
Por outro lado, Patzlaff sugere que “os recursos que ficarem menos de 30 dias aplicados podem ser colocados em compromissadas, que rendem ao dia e não possuem IOF (imposto que reduz o rendimento até 30 dias da data da aplicação)”. Ele também afirma que “o CDB com liquidez diária rendendo 100% do CDI (ou mais) é a melhor alternativa para quem não sabe exatamente quando irá usar ou tem planos de utilizar o recurso nos próximos meses. Este tipo de investimento proporciona rendimento diário e conta com a segurança do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), sendo ideal para uma reserva de caixa segura”.
Por fim, Patzlaff ressalta que fundos pós-fixados com liquidez diária e risco baixo, como os fundos DIs, são “uma opção interessante por facilitarem a aplicação sempre no mesmo lugar. Contudo, é importante ficar atento à rentabilidade, que precisa ser de pelo menos 100% do CDI”, conclui.
As orientações apresentadas por especialistas mostram que o planejamento e a organização financeira são fundamentais para o sucesso e a segurança das microempresas na hora de investir seus recursos.
Fonte: borainvestir.b3.com.br