Relatório de Lucros e Economia em Duas Velas
Expectativas para a Terceira Quarta de 2025
Com diversas empresas do setor de consumo se preparando para divulgar seus resultados referentes ao terceiro trimestre nesta semana, Wall Street está atenta a sinais de uma economia bifurcada, frequentemente referida como economia em "K", onde o comportamento de gastos dos consumidores se diverge.
Comportamento de Consumo e Inflação
Sinais crescentes indicam que os americanos de maior renda estão aumentando seus gastos, ao passo que consumidores de baixa renda estão reduzindo significativamente suas despesas. Os consumidores de baixa renda têm sido os mais afetados pelo aumento da inflação e pela escalada dos preços dos produtos essenciais. O relatório do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) deste mês revelou um aumento de 0,3% em relação ao mês anterior, elevando a taxa anual de inflação para 3%.
Decisões do Federal Reserve
Logo após a divulgação do relatório do IPC, o Federal Reserve aprovou na quarta-feira sua segunda redução consecutiva da taxa de juros, baixando sua taxa básica de empréstimo noturno para uma faixa entre 3,75% e 4%.
Impacto da Paralisação do Governo
Atualmente, o país está entrando na quinta semana de paralisação governamental, resultando em muitos trabalhadores federais sem remuneração.
Benefícios para os Consumidores Mais Ricos
Mesmo em meio a esses desafios, os consumidores com maior poder aquisitivo têm colhido benefícios das altas do mercado de ações e da valorização dos imóveis. Dados da Pesquisa de Custo de Vida do JPMorgan mostraram que os consumidores de maior renda reportaram índices de confiança econômica mais elevados para o próximo ano.
Relatórios de Lucros e Tendência em K
Relatórios de lucros recentes de empresas de vários setores da economia sugerem que a tendência em K está começando a se consolidar. Nesta semana, empresas como Yum Brands, McDonald’s, E.l.f. Beauty, Tapestry e Under Armour estão se preparando para divulgar seus resultados trimestrais, e podem apresentar tendências semelhantes.
Na semana passada, a Chipotle relatou que consumidores que ganham menos de $100.000 por ano—representando aproximadamente 40% da sua base de clientes—estão diminuindo a frequência de suas compras, devido a preocupações com a economia e a inflação. O CEO da Chipotle, Scott Boatwright, afirmou que a empresa está enfrentando "pressões macroeconômicas consistentes", refletidas em uma queda de 0,8% no tráfego de clientes no último trimestre.
Desempenho de Produtos
A Coca-Cola, em seu relatório de lucros do terceiro trimestre, informou que produtos mais caros, como água com gás Topo Chico e shakes de proteína Fairlife, estão impulsionando seu crescimento. A Procter & Gamble relatou resultados semelhantes, indicando que consumidores de maior poder aquisitivo estão comprando mais em atacadistas, que oferecem tamanhos de embalagem maiores, enquanto consumidores de baixa renda estão reduzindo suas compras de forma significativa.
Comportamento do Consumidor e o Menu de Valor
Algumas das empresas que reportarão resultados nesta semana já indicaram que podem estar observando comportamentos semelhantes. No início de setembro, o CEO do McDonald’s, Chris Kempczinski, comentou ao programa "Squawk Box" da CNBC que a expansão do menu de valores da rede se deve a uma "economia em dois níveis".
"É notável que o tráfego de consumidores de baixa renda está em queda de dígitos duplos, e isso se deve ao fato de que as pessoas estão optando por pular refeições ou preferindo comer em casa", afirmou o CEO.
Setor Automotivo e de Serviços
Essa tendência não se limita apenas ao setor de alimentos e bebidas. No setor automotivo, consumidores que podem arcar com a compra de novos veículos estão aproveitando oportunidades, enquanto aqueles com restrições financeiras estão se abstendo. O número de inadimplências e repossessões está aumentando, enquanto o preço médio de um veículo novo está alcançando recordes históricos.
No setor de serviços, a Hilton relatou no início deste mês uma queda na receita de suas marcas mais acessíveis, enquanto suas ofertas de luxo apresentaram desempenho excepcional. No entanto, o CEO Christopher Nassetta afirmou à CNBC no mês passado que não espera que a bifurcação persista por muito mais tempo.
Expectativas Futuras
"I believe that as we look into the fourth quarter and particularly into next year, we’re going to see a very big shift in those dynamics, meaning, I don’t think you’re going to continue to have this bifurcation", afirmou Nassetta. "Isso não significa que eu ache que o segmento premium irá piorar. Apenas acredito que as classes média e baixa terão um avanço."
Fonte: www.cnbc.com


