BC menciona El Niño, questões fiscais e petróleo na decisão sobre juros; confira o comunicado.

BC menciona El Niño, questões fiscais e petróleo na decisão sobre juros; confira o comunicado.

by Fernanda Lima
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O Banco Central (BC) divulgou nesta quarta-feira (5) um corte de 0,25 ponto na taxa de juros, reduzindo a Selic para 14% ao ano. A decisão, amplamente aguardada pelo mercado, foi anunciada por meio de um comunicado oficial.

O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) destaca as incertezas causadas pelos efeitos do fenômeno climático El Niño na produção agrícola, a influência da política fiscal e os impactos das flutuações do preço do petróleo, que estão diretamente relacionados aos conflitos no Oriente Médio.

Neste comunicado, o BC não especificou o que se pode esperar para a próxima reunião, marcada para setembro, mas ressaltou que “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando garantir a convergência da inflação em relação à meta”.

Copom reduz a taxa Selic para 14,00% a.a.

O ambiente internacional continua sendo incerto, principalmente devido a incertezas em relação aos conflitos armados no Oriente Médio e à política monetária de economias avançadas. Essa situação exige cautela por parte de países emergentes, em um contexto marcado por crescente volatilidade nos preços de ativos e commodities.

Em relação ao cenário doméstico, os indicadores divulgados desde a última reunião mostram uma gradual moderação da atividade econômica, embora ainda em um patamar resiliente. Observam-se sinais mistos entre os diferentes setores, além de um mercado de trabalho aquecido. Recentemente, a inflação geral desacelerou, mas permanece acima do limite superior da meta. As medidas subjacentes também desaceleraram, ficando ligeiramente abaixo desse limite superior.

As expectativas de inflação, conforme indicado pela pesquisa Focus, mantêm-se acima da meta, apresentando projeções de 5,0% para 2026 e 4,2% para 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, a projeção de inflação feita pelo Copom é de 3,2%, de acordo com o cenário de referência.

Os riscos associados à inflação, tanto de alta quanto de baixa, continuam sendo mais elevados do que o habitual, apresentando uma assimetria altista. Entre os fatores que podem elevar a inflação, destacam-se: (i) a desancoragem das expectativas inflacionárias por períodos mais prolongados, que pode incluir impactos secundários de choques de oferta relacionados ao petróleo e efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência nos preços de serviços do que o projetado; (iii) uma combinação de políticas econômicas internas e externas que podem gerar impactos inflacionários maiores do que o esperado; e (iv) estímulos à demanda agregada, especialmente no consumo, que podem resultar em um crescimento da atividade econômica superior ao produto potencial, enfraquecendo os canais de transmissão da política monetária. Nos riscos de baixa, inclui-se a possibilidade de uma desaceleração acentuada da atividade econômica interna, impactos de uma desaceleração global mais intensa em decorrência de choques comerciais e do petróleo, além de uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê tem observado de perto como os desenvolvimentos da política fiscal interna afetam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a necessidade de cautela em um ambiente marcado por incertezas. Os indicadores atuais de atividade continuam a indicar uma trajetória de desaceleração acumulada para 2026. A desancoragem adicional das expectativas de inflação para períodos mais longos é monitorada, uma vez que isso pode contribuir para a determinação de preços e complicar o custo da desinflação.

Levando em conta a dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de ajuste será determinada de acordo com novas informações, com o objetivo de assegurar a convergência da inflação em relação à meta.

O Copom optou por reduzir a taxa básica de juros para 14,00% ao ano, considerando que essa decisão está alinhada com a estratégia de convergência da inflação em direção à meta ao longo do horizonte relevante. Essa decisão, além de buscar assegurar a estabilidade de preços, também implica em uma suavização das flutuações no nível da atividade econômica, promovendo o pleno emprego.

O cenário atual, que se caracteriza por um aumento significativo da incerteza, a desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, exige serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê continuará a monitorar a evolução do cenário, mantendo a restrição adequada para garantir a convergência da inflação em relação à meta.

Os membros que votaram pela decisão foram: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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