O episódio relacionado ao caso Master teve um impacto significativo, com a movimentação de R$ 37,7 bilhões pagos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) após a liquidação extrajudicial das instituições pertencentes ao grupo. Recentemente, o Banco Central forneceu detalhes sobre o destino da maior parte desse montante e os efeitos gerados no sistema financeiro brasileiro.
Conforme mencionado no Relatório de Estabilidade Financeira referente ao segundo semestre de 2025, os recursos foram majoritariamente direcionados a bancos de grande porte. O Banco Central também assegurou que o incidente não gerou riscos sistêmicos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Para onde foram os R$ 37,7 bilhões?
Segundo informações da Agência Brasil, o Fundo Garantidor de Crédito desembolsou aproximadamente R$ 37,7 bilhões para os clientes do Banco Master, Master BI e Letsbank, entre os dias 19 de janeiro e 27 de fevereiro de 2026. Deste total, cerca de R$ 20,7 bilhões foram destinados a títulos emitidos por instituições financeiras.
Esse valor corresponde a 55,1% dos recursos devolvidos pelo FGC. Também foram direcionados R$ 1,47 bilhão a títulos privados, enquanto outros R$ 15,46 bilhões tiveram aplicações financeiras distintas. O Banco Central informou que a maior parte dos valores ressarcidos foi concentrada nos maiores bancos do país. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no final de novembro de 2025.
Grandes bancos
As instituições classificadas como S1, que incluem bancos com ativos equivalentes a pelo menos 10% do PIB brasileiro ou com destacada atuação internacional, absorveram 40,9% dos valores. Por sua vez, os bancos enquadrados na categoria S2 receberam 24,2% dos recursos. Este grupo engloba instituições de grande porte e relevância dentro do Sistema Financeiro Nacional.
Durante a apresentação do relatório, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, ressaltou que a autoridade monetária monitorou toda a movimentação financeira de maneira detalhada, “CPF por CPF e CNPJ por CNPJ”, como destacou o diretor.
Solidez no sistema financeiro
Além das informações sobre o destino dos recursos, o Banco Central enfatizou que o sistema financeiro brasileiro permanece sólido, mesmo diante de taxas de juros elevadas e do crescimento da inadimplência.
Conforme o relatório, os bancos mantêm níveis satisfatórios de capitalização e liquidez. Os testes de estresse realizados demonstraram a capacidade de resistência das instituições financeiras em cenários adversos.
O documento também apontou uma desaceleração no crédito durante o ano de 2025, tanto no segmento de famílias quanto no de empresas. Com relação a pessoas físicas, o Banco Central detectou um aumento no comprometimento da renda e um crescimento da inadimplência em diversas modalidades de crédito.
Por outro lado, a autoridade monetária assegurou que os bancos continuam a melhorar suas provisões para enfrentar eventuais perdas, como observadas no caso Master.
Fonte: timesbrasil.com.br

