Mercado Acionário e Ações em Alta
As ações das empresas do setor de petróleo apresentam uma forte valorização nesta sexta-feira (15), liderando a ponta positiva do Ibovespa (IBOV). Este movimento ocorre em um dia marcado por aversão ao risco tanto no cenário externo quanto no interno, além de um ambiente de liquidez reduzida em razão do vencimento de opções.
Ações em Destaque
Por volta de 12h20, no horário de Brasília, a Brava Energia (BRAV3) se destacou como a ação de melhor desempenho no índice, com uma alta de 2,36%, atingindo R$ 18,62.
Os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4), que são considerados pesos pesados do Ibovespa, também exibem crescimento, posicionando-se entre os mais negociados na B3. As ações ordinárias, PETR3, registravam uma alta de 1,44%, alcançando R$ 50,09, enquanto as ações preferenciais, PETR4, apresentavam um ganho de 0,82%, a R$ 45,37. Esta última foi, de fato, a ação mais negociada do mercado acionário brasileiro, com mais de 29,5 mil transações e um volume financeiro de R$ 789,7 milhões até o mesmo horário.
Ainda no setor, a PetroReconcavo (RECV3) registrava uma alta de 0,83%, cotada a R$ 12,13.
A Prio (PRIO3), por sua vez, apresentava uma leve alta de 0,25%, cotada a R$ 67,46. Esta empresa é considerada a mais exposta a um aumento nos preços do petróleo, uma vez que 100% de sua produção é composta por óleo e seu nível de hedge é menor. Em comparação, a Petrobras e as outras empresas mencionadas têm menor sensibilidade a flutuações no mercado devido às suas operações de refino, estratégias de hedge e maior participação de gás natural em suas produções.
Valorização do Petróleo no Mercado Internacional
A crescente valorização das petroleiras brasileiras é impulsionada pelo desempenho do petróleo no mercado internacional. Este ativo, considerado um dos principais indicadores do apetite e da aversão ao risco dos investidores, tem se fortalecido em meio a um impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã, além de descontentamento com a visita do presidente norte-americano, Donald Trump, à China.
A comunidade financeira aguardava avanços concretos nas negociações de paz no Oriente Médio, assim como a reabertura do Estreito de Ormuz com apoio da China, que é um importante aliado e maior comprador de petróleo iraniano. Contudo, essas expectativas não se concretizaram.
Na noite de ontem (14), após a cúpula entre os líderes, Trump afirmou que os EUA não dependem da abertura do Ormuz, ou pelo menos não tanto quanto a China. “Não precisamos disso de forma alguma”, declarou o presidente norte-americano em entrevista à Fox News, ainda em solo chinês.
O estrategista do ING, Francesco Pesole, comentou que os mercados não receberam informações suficientes da China para se sentirem mais otimistas em relação ao Golfo, e dados robustos dos EUA estão aumentando a confiança em uma possível elevação de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Ainda trazendo reflexo dessa situação, por volta de 12h20, o contrato de petróleo Brent, o mais negociado na bolsa, com vencimento em julho, registrava uma alta superior a 3%, aproximando-se da marca de US$ 110 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Impactos das Tensões no Estreito de Ormuz
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, a situação do Estreito de Ormuz, sob controle iraniano e classificado como uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte de petróleo, tem sido um dos principais focos de atenção do mercado.
Aproximadamente um quinto do consumo global de petróleo passa por essa importante via, que conecta grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.
Fonte: www.moneytimes.com.br