Preços do Petróleo
Os preços do petróleo caíram para níveis anteriores ao início da guerra na quinta-feira, após declarações dos Estados Unidos indicando que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz estava voltando à normalidade. O principal diplomata dos EUA encerrou uma visita ao Golfo com o objetivo de obter apoio para um acordo preliminar com o Irã.
Fluxo pelo Estreito de Ormuz
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que os carregamentos pelo estreito estavam se aproximando dos níveis registrados antes dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que ocorreram em 28 de fevereiro. Somente nas últimas 24 horas, pelo menos 20 milhões de barris foram exportados pelo estreito.
Durante o conflito, o Irã assumiu o controle efetivo desse ponto estratégico, o que interrompeu o fluxo de petróleo e impactou severamente os mercados globais de energia e a economia em geral.
Pressão do Irã
Apesar do aumento do tráfego marítimo, o Irã indicou que continuará a controlar a região. No dia 25, a Guarda Revolucionária alertou as embarcações para que seguissem as rotas designadas por Teerã, considerando inaceitáveis e perigosas as novas rotas de navegação anunciadas e não coordenadas com o governo iraniano.
Esse alerta foi dado após O país de Omã ter anunciado rotas marítimas temporárias através do estreito, em coordenação com a agência de navegação das Nações Unidas.
Dados da Organização Marítima
De acordo com dados da Organização Marítima Internacional da ONU, desde 23 de junho, 57 navios, transportando aproximadamente 1.100 marinheiros, transitaram pelo estreito como parte de um plano de evacuação.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, se esforçou para acalmar os aliados do Golfo, que demonstraram receio em relação ao acordo preliminar entre Washington e Teerã.
Após uma reunião com os ministros das Relações Exteriores dos países árabes do Golfo no Bahrein, que abriga a Quinta Frota da Marinha dos EUA, Rubio informou aos repórteres que os aliados expressaram preocupações sérias. Eles desejam ser mantidos informados sobre cada etapa do acordo de paz, que inclui cláusulas sobre o Estreito de Ormuz.
Se o Irã decidir ameaçar ou bloquear navios no estreito, "isso representará um problema", mencionou Rubio. Ele destacou que "nenhum país na Terra tem o direito de cobrar pelo uso de vias navegáveis internacionais" e que taxas de navegação não farão parte de nenhum acordo.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Al Busaid, reafirmou durante a reunião que futuros acordos sobre transporte marítimo não devem incluir pedágios.
Críticas a Trump
A iniciativa diplomática surge em um contexto em que o presidente dos EUA, Donald Trump, enfrenta críticas intensas internamente devido ao conflito com o Irã. Em uma reunião reservada com parlamentares republicanos na quarta-feira, Trump entrou em desacordo com o senador Bill Cassidy, momentos antes do seu governo solicitar ao Congresso um aporte significativo de bilhões de dólares para cobrir os custos do conflito.
Testemunhas afirmaram que durante a reunião, Trump e Cassidy tiveram um acalorado debate, no qual Cassidy reiterou que o governo precisava esclarecer o acordo preliminar assinado por Trump na semana anterior, que oferece incentivos financeiros ao Irã, mas que não atende às metas inicialmente estabelecidas pelo presidente.
"Não parece, embora eu não saiba ao certo, que o rumo das coisas esteja seguindo o que nos foi dito", declarou Cassidy aos repórteres.
Votação no Senado
Os líderes republicanos do Senado, numa espécie de apoio a Trump, agendaram uma votação noturna para barrar uma resolução que buscava a cessação das hostilidades com o Irã. O Senado aprovou, por 50 votos a 47, a medida que visava os poderes de guerra, a qual havia avançado processualmente em maio.
Após a votação de quarta-feira, Trump declarou nas redes sociais que “esta votação serve de alerta para o Irã”, embora não tenha implicações sobre a votação anterior.
Pressão Política
A guerra com o Irã constitui uma pressão significativa sobre os republicanos de Trump, especialmente com as eleições de novembro se aproximando, que determinarão o controle do Congresso. Apenas uma em cada quatro pessoas nos EUA acredita que o conflito valeu a pena, de acordo com uma pesquisa da Reuters/Ipsos.
Relatos contraditórios sobre alguns aspectos do acordo-quadro geraram críticas a Trump tanto nos Estados Unidos quanto internacionalmente.
Negociador Iraniano
O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou na quinta-feira que a alegação dos EUA de que o Irã utilizaria seus ativos descongelados para adquirir produtos agrícolas americanos é falsa.
Ainda persistem divergências em relação a incentivos financeiros ao Irã, inspeções nucleares, controle do Estreito de Ormuz e a guerra paralela de Israel no Líbano. O acordo estabelece um período de 60 dias para negociações adicionais sobre questões mais complicadas, como o programa nuclear do Irã.
Ceticismo Regional
O acordo provocou ceticismo no Oriente Médio, onde muitos países alvo de ataques do Irã durante a guerra consideram que os termos são excessivamente favoráveis a Teerã, incluindo um fundo de US$ 300 bilhões e alívio de algumas sanções.
Os aliados dos Estados Unidos no Golfo temem que o fundo destinado à reconstrução possa ajudar o Irã a revitalizar suas forças armadas. Rubio afirmou que não discutiu o fundo com os ministros do Golfo na quinta-feira, e o acordo também não aborda a capacidade de mísseis balísticos do Irã.
De acordo com o acordo, o Irã deve permitir a passagem livre de navios pelo Estreito de Ormuz durante um período inicial de 60 dias, com a possibilidade de imposição de taxas após esse prazo. Washington e seus aliados do Golfo se opõem firmemente a essa possibilidade.
Conflito no Líbano
Na quinta-feira, altos funcionários israelenses e libaneses negaram quaisquer rumores sobre a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano, após uma declaração de um funcionário americano que sugeriu que Israel havia retirado algumas de suas forças como um gesto de boa fé.
Israel está em conflito com o Hezbollah no Líbano desde que o grupo militante atacou o país em 2 de março, em apoio ao Irã, e Teerã reafirma a cessação das hostilidades como um ponto central de suas exigências para qualquer acordo de paz duradouro com os Estados Unidos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
