PF investiga apartamento de R$ 2,5 milhões atribuído a Jaques Wagner e transferência de R$ 3,5 milhões para a nora do senador por ex-sócio do Master.

PF investiga apartamento de R$ 2,5 milhões atribuído a Jaques Wagner e transferência de R$ 3,5 milhões para a nora do senador por ex-sócio do Master.

by Ricardo Almeida
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Operação Compliance Zero

A Polícia Federal iniciou nesta quinta-feira (18) o cumprimento de mandados de busca e apreensão direcionados ao senador Jaques Wagner (PT-BA), que atualmente exerce a função de líder do governo Lula no Senado. Esta ação faz parte da nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação gira em torno de um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões localizado em Salvador, que foi transferido por Augusto Lima, um ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Mensagens Indicativas

Segundo a autorização do ministro André Mendonça, que integra o Supremo Tribunal Federal, as mensagens trocadas entre Wagner e Lima são fundamentais para corroborar a suspeita de que o imóvel foi utilizado como uma forma de pagamento de propina. Além disso, a operação investiga um repasse de R$ 3,5 milhões a uma empresa associada à família do senador.

Negociação do Apartamento

Conforme detalhado na decisão do STF, no dia 26 de novembro de 2024, Wagner enviou uma mensagem a Lima contendo o contato do gerente da construtora (Moura Dubeux) responsável pelo projeto Poème Horto, localizado em Salvador. Na comunicação, o senador especificou que a unidade em questão era a 1702 e que o preço estabelecido era de R$ 2,45 milhões. No dia seguinte, ele compartilhou com Lima o material digital referente ao empreendimento.

Subsequentemente, Lima transmitiu as informações para Valério Marega Júnior, que foi identificado nas investigações como um operador financeiro. A aquisição formal do apartamento foi registrada em nome da Epítome S.A., a qual é representada por Luiz Antônio Lombardi, e os recursos utilizados para a compra foram oriundos de estruturas de fundos vinculados à Reag e ao Hockenheim Fundo de Investimento. De acordo com a Polícia Federal, essa estrutura sugere uma tentativa de ocultação do beneficiário final da operação.

Continuidade das Negociações

As negociações acerca do imóvel continuaram mesmo após a realização da primeira fase da Compliance Zero. Em maio de 2025, Wagner solicitou a Lima os dados do proprietário do apartamento formal para a emissão de um documento técnico, compartilhando uma mensagem enviada por um familiar. Lima, em resposta, conectou o senador com David Lopes Monteiro, que foi apontado como um operador jurídico associado ao núcleo do Master. A tramitação documental persistiu nos meses seguintes, envolvendo figuras como Guilherme Sodré, Daniel Monteiro, Márcio Domingues dos Santos e André Pissolito Campos.

Daniel Monteiro já era alvo de investigações anteriores por parte da Polícia Federal em uma linha de apuração relacionada ao repasse de imóveis para Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília. Segundo informações levantadas pela coluna de Malu Gaspar, em O Globo, esse tipo de transação é frequentemente utilizado para ocultar o destinatário final de um imóvel, evitando que a operação seja identificada como um pagamento de propina.

Transferências Financeiras Relacionadas

A decisão do STF também menciona a transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, uma empresa ligada à família de Wagner, realizada pela PKL One Participações, que é dirigida por Andréa Lima Novaes, prima de Augusto Lima. Antes dessa operação, Eduardo Sodré Martins, enteado do senador, abordou Lima acerca de boletos vencidos, aos quais o operador justificou o atraso com o fracasso na venda do Master ao BRB.

A BN Financeira deve ser diferenciada da BK Financeira, que é uma empresa de Bonnie de Bonilha, também nora de Wagner, a qual recebeu aproximadamente R$ 11 milhões do Master entre 2021 e anos subsequentes mediante um contrato voltado para a prospecção de operações de crédito consignado. Em resposta a questionamentos sobre a BK Financeira, Wagner negou qualquer envolvimento nas negociações que envolveram a empresa e o banco.

Mandados e Medidas Cautelares

Em toda a operação, estão sendo cumpridos um total de 18 mandados de busca e apreensão, os quais foram expedidos pelo ministro André Mendonça e abrangem endereços localizados na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Adicionalmente, foram determinadas diversas medidas cautelares de prisão, incluindo a proibição de contato entre os investigados. Contudo, a solicitação para suspensão de passaporte não foi feita em relação a Wagner.

Interesses Políticos em Investigação

A decisão do STF também conecta Wagner a três frentes de interesse do Banco Master: a ampliação do crédito consignado, o aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e a supervisão da venda do banco ao BRB. No dia 5 de agosto de 2024, data em que a emenda relacionada ao fundo foi formalizada, Lima realizou uma chamada que durou mais de nove minutos para Wagner, antes de compartilhar o link da proposta.

A relação entre Wagner e as operações que originaram o Banco Master remonta à privatização da Cesta do Povo, uma rede estatal de supermercados na Bahia, durante o período em que ele era governante do estado. Essa venda resultou na criação do Credcesta, um cartão de crédito consignado que se tornou uma das operações principais da instituição bancária controlada por Vorcaro.

A Polícia Federal investiga ainda se Wagner atuou em favor da aprovação da compra do Banco Master pelo BRB e da chamada emenda Master, que foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). A proposta tinha como intuito aumentar a proteção do Fundo Garantidor de Crédito, passando o valor de R$ 250 mil para R$ 1 milhão para investimentos em CDBs, setor no qual o Master se baseava para uma parcela significativa de suas operações.

Reações e Defesas

A nona fase da Compliance Zero também inclui como alvo Augusto Lima, descrito pelas investigações como o operador que mediava grande parte das relações do Master com representantes políticos, especialmente no Congresso Nacional.

O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC entrou em contato com os advogados de Jaques Wagner, mas não obteve retorno até a conclusão desta reportagem. Por outro lado, Augusto Lima, através de sua defesa, alegou que as ações realizadas pela Polícia Federal nesta ocasião eram desnecessárias, dado que Lima estava à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre os fatos em investigação há seis meses.

Em nota, os advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello afirmaram que “as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos” e garantiram que Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com a máxima transparência e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.

Edinho Silva, presidente nacional do PT, expressou apoio às apurações e afirmou que mantém confiança de que Wagner prestará os devidos esclarecimentos sobre os fatos investigados.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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